Percorrendo os caminhos da fé, encontrei muitas pessoas satisfeitas e tranquilas pela escolha efetivada e pela missão assumida. São pessoas conscientes de sua fé e agradecidas pela formação recebida e pelas tarefas que estão desenvolvendo, seja no campo social, no campo familiar ou no campo religioso.
São pessoas que exibem orgulhosamente suas alegrias e seu estado de espírito fortalecido pela simplicidade e pela coerência com que conduzem seus pensamentos e suas disposições em favor da missão assumida como graça de Deus.
É importante manter clara e firme a opção assumida. Não é proibido duvidar. Não é proibido, às vezes, amargar um certo desânimo e refugiar-se no comodismo. Faz parte da vida de quem se propõe aceitar e realizar atividades desafiadoras.
O medo e a insegurança são duas companheiras não muito desejáveis, mas não poderemos desprezá-las. Temos de respeitá-las. Temos de admiti-las, sem perder o entusiasmo e a elegância em cultivar os valores do bem e da verdade.
Percorrendo ainda esses caminhos da fé, encontrei também muitas pessoas angustiadas e temerosas. Trocaram o caminho. Desviaram a rota. Caíram nas trevas do desânimo. Perderam o rumo. E andam na escuridão, tateando para descobrir algum sinal que lhes assegure algum apoio, alguma luz para reencontrar o caminho.
Essas são pessoas de pouca segurança em suas escolhas. Não decidem onde se apoiar, em quem acreditar, e o que fazer. São pessoas inteligentes, mas lhes falta a fé. Buscam apoio e segurança. Têm medo de Deus. Duvidam dele. Tem receio de lançar-se no mundo da fé e abraçar a missão de abrir um novo caminho em sua vida.
Os seguidores do Mestre dos mestres também enfrentaram noites escuras e trabalharam sem nenhum resultado valioso. Estavam tristes e desanimados, quando o Mestre se apresenta e os convida a lançar as redes em águas mais profundas. Eles, naquele ímpeto de desânimo e cansaço, desabafam: “Senhor, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos. Mas por causa da tua palavra, lançaremos as redes” (Lc.5,1-11).
Por acreditarem em alguém que não entendia de pesca, mas conhecia a capacidade de cada um, foram surpreendidos com uma extraordinária e abundante pesca. Isso por terem admitido outra possibilidade, além da conhecida por eles. Tiveram a humildade e aceitaram outra opinião. Sempre é possível melhorar.
A vida é assim. É uma escolha de grandes e sábios ensinamentos. Todos somos mestres e discípulos. Mestres, se tivermos a sabedoria de colocar em comum o tanto que sabemos. Discípulos, se tivermos a humildade de acolher e praticar o que outros têm para nos transmitir.
Vemos que ainda há tempo para sair das trevas do orgulho e entrar no caminho da fé, como a luz em nosso caminho. Ainda é possível desfazer-se dos preconceitos e da inveja e vestir a veste da prudência e do respeito. Ainda é possível trocar o sol escaldante da maldade pela sombra generosa da paz de espírito.