O primeiro passo da modernização das leis foi destravar o mercado de trabalho, criando meios para pôr fim à indústria de indenizações.
Mesmo depois de o pior da crise econômica ter passado, o Brasil ainda parece precisar de um torque, um arranque mais forte, para voltar a crescer em um ritmo mais acelerado. Em 2018, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB ) teve avanço de 1,1%. Esperava-se mais.
Além de ações governamentais, como queda de juros, liberação de recursos para injetar liquidez à economia, como ocorreu nos anos de 2017 e 2018, é preciso de algo importantíssimo quando se trata de fazer negócios: previsibilidade e segurança.
Um dos caminhos para chegar a isso é algo que pensamos parecer muito distante, mas que deveria ser encarada por todos os brasileiros como a condição essencial para a retomada do crescimento: a paz entre os cidadãos compatriotas. Sim, em um ambiente dividido, onde muitos acreditam ter o melhor argumento - muitas das vezes levados ao extremo - ninguém pode crescer.
Voltando aos negócios, vale lembrar que sem entendimento entre as partes, eles não são fechados. Em meio a um cenário de conflito permanente entre pessoas que habitam o mesmo meio, não há como haver base alguma para entendimentos. Muito bem armado com um arsenal de argumentos, é necessário o cessar-fogo da concórdia para que os negócios existam. É o momento de ser pragmático.
Por mais que existam discordâncias, não é por meio de julgamentos comuns e rasos que criaremos um bom ambiente para voltar a crescer. Ao contrário. É por meio do desarme da opinião e da tolerância que o ambiente melhorará.
Na edição de hoje é destacada reportagem que tem informação importante e valiosa. Desde que as leis do trabalho foram alteradas, a quantia de processos na Justiça trabalhista teve queda significativa. Em todo o Brasil e também em Mato Grosso do Sul. Isso não significa, todavia, que não há proteção, ou que não se faz justiça. A redução de ações denota que há um “destravamento” dos contratos de trabalho.
O Brasil sempre esteve entre os países campeões em processos trabalhistas. Nos últimos anos, algumas multinacionais deixaram o País simplesmente por causa do excesso de processos, não compatível com o faturamento. Falamos de empresas com políticas de governança global, como o Citibank, por exemplo.
Dado o primeiro passo, que é o de destravar o mercado de trabalho, criando meios para que uma indústria de indenizações tenha seu ponto final, o segundo passo é buscar o entendimento entre as partes envolvidas. Todo trabalho deve ser celebrado. Não se deve admitir que jogadores do mesmo time se tratem como adversários. Só com o bom entendimento é que a economia brasileira crescerá mais. E quando isso ocorrer, todos ganharão.