Artigos e Opinião

OPINIÃO

Gilson Cavalcanti Ricci: "O carteiro"

Advogado

Bruna Aquino

05/03/2019 - 01h00
Notícia sem imagem

Grande número de cartas, jornais e pacotes para distribuição no “Distrito Postal” agita todos os dias o serviço do carteiro em todo território nacional. Campo Grande era dividida em “distritos postais”, a fim de coordenar e simplificar a distribuição da correspondência, que se avolumava com o grande crescimento populacional da cidade. Cada carteiro tinha a incumbência de entregar pontualmente a correspondência no endereço certo. Fui carteiro, depois de aprovado em concurso público nacional. Trabalhei no 5º Distrito Postal, que se situava em todo o percurso da atual Rua Rio Branco, e travessas da esquerda até a rua paralela Dom Aquino. O percurso tinha uns sete quilômetros de um extremo a outro, iniciando nas margens do Córrego Segredo, na divisa entre o Centro e o Bairro Amambaí, prolongando-se até duas quadras após o Quartel do 2° Batalhão da Polícia Militar do Mato Grosso, onde atualmente se situa o Fórum da Comarca.

O quadro de carteiros aumentou consideravelmente com a chegada de vários ferroviários remanejados para o Correio. Logo a seguir, ex-combatentes da 2ª Guerra Mundial foram destinados a trabalharem de carteiros em Campo Grande. Assim, de dez o número de carteiros subiu para cinquenta, suficiente para preencher quase a totalidade dos distritos postais, o que representava um grande avanço para a distribuição de milhares de cartas, cujo volume se acumulava todos os dias.   

Naquele tempo os carteiros cumpriam fielmente a tarefa de levar as correspondências aos destinatários, o que faziam a qualquer custo e dificuldade que obstassem o trabalho – as cartas tinham de ser entregues aos destinatários no prazo, mesmo que o carteiro tivesse de enfrentar os piores riscos para cumprimento desse mister cívico -. Inspiravam-nos os grandes exemplos da História, de carteiros heroicos que enfrentaram perigos de toda espécie para levar mensagens aos destinatários, muitas vezes com o risco da própria vida. Um notável exemplo de coragem e denodo foi dado pelo Carteiro-Mor do Império, Paulo Bregaro, que viajou sozinho nove dias a cavalo do Rio de Janeiro a São Paulo, levando correspondência secreta para D. Pedro I, alcançando-o nas cercanias do Riacho Ipiranga, o que motivou a independência do Brasil através do célebre Grito do Ipiranga. Pelo ato de desvelo à Pátria, Paulo Bregaro é homenageado como Patrono do Carteiro Brasileiro.

O soldado-carteiro ateniense Fidípides, do Exército de Atenas, correu cerca de quarenta e dois quilômetros da cidade de Maratona a Atenas, para avisar ao Rei a chegada do exército persa, e morreu de exaustão após cumprir a missão. O bravo carteiro salvou a Grécia de um fulminante ataque de surpresa dos persas. Na guerra entre Estados Unidos e Espanha, o presidente americano Mac Kinley precisava enviar uma comunicação secreta ao General Garcia, que lutava pela independência de Cuba, o qual estava num local onde o correio e o telégrafo não conseguiriam alcançar. Mac Kinley mandou o soldado-carteiro Rowan entregar a mensagem. Depois de quatro dias viajando num barco rústico, atravessou sozinho o mar, chegando a Cuba. Em terra, viajou a pé durante três semanas e entregou a carta ao General Garcia, ficando o episódio consagrado na História Americana como “Mensagem a Garcia”, em honra a todos os carteiros dos Estados Unidos.

Um carteiro de Campo Grande também merece ter seu nome homenageado na história do mundo: o veterano Deco, ao tentar entregar uma carta a um verdureiro japonês do Cascudo. No endereço fora informado que o destinatário se mudara para Terenos. Informado sobre o endereço do japonês naquela cidade, o valente Deco pegou carona num caminhão e foi entregar a carta, quando caiu uma chuva torrencial no meio do percurso, atolando o caminhão, pois a estrada de Terenos naquele tempo não era pavimentada. Depois de um dia inteiro ajudando a desatolar o pesado veículo, finalmente o bravo carteiro Deco conseguiu entregar a carta pontualmente ao destinatário, ficando retido três dias em Terenos!

O Dia do Carteiro é comemorado no dia 25 de janeiro, como uma justa homenagem a quem enfrenta a intempérie para entregar mensagens. Aplausos aos nossos valorosos carteiros – homens e mulheres valentes

 

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).