As declarações prestadas pelo ex-governador Sérgio Cabral à Justiça Federal sustentando que o seu apego ao poder e ao dinheiro é um vício mostrou a face amarga da política nacional. Afirmou ter mudado a linha de defesa para não afrontar sua consciência. Mostrou com sua ação desprezo à nossa inteligência. As declarações foram infelizes, os exemplos indignos. O juiz do processo com uma colocação clara e objetiva afiançou que a notícia trazida retratava a roubalheira com todas as forças da expressão literal. Cabral confirmou.
O retrato desse conjunto de declarações mostra que o ex-governador marchou na contramão dos propósitos ditados pela moral; pelos bons costumes; pela ética; pela decência e, sobretudo, pelo zelo no trato com a coisa do pública. Marchou em derradeira análise na direção diametralmente oposta aos fundamentos do Estado. Seu propósito alcançou até o Arcebispado da cidade do Rio de Janeiro. Colocou todas as pessoas, cujos nomes declinou, na mesma vala comum.
Esses indicativos precisam ser analisados de uma forma comedida pelo presidente do processo. São acusações sérias que não podem ser desprezadas. De tudo isso que a nação inteira assistiu estarrecida fica fácil entender por que o nosso País está quebrado. Essa assertiva resulta incontroversa. Os fatos relatados à toda evidência retratam a fotografia da desonestidade em todos os quadrantes do território nacional motivados pelos maus agentes públicos, ressalvadas as pequenas exceções.
Esse quadro de verdadeiro desprezo à coisa pública motivou o surgimento do estado paralelo. Não estamos inventando nada. A conclusão é lógica e inexorável. A nação brasileira inteira tem ciência dessa assertiva. Os interesses de poucos estão à frente dos interesses da massa da nossa população. Os mandatários não demonstram nenhum interesse pelos valores da sua população. Desejam apenas se saciar com o dinheiro amargo produzido pelos seus atos pecaminosos.
Com essas loucuras proporcionam espaço fértil para o surgimento de outro sócio maldito, o crime organizado. As sandices produzidas por esse sócio passaram a saciar a fome, matar a sede e promover a segurança das famílias. Tem suas leis próprias para ditar as regras de comportamento social. Instituíram o seu próprio tribunal. Esse inferno protagonizado pela população da cidade e do Estado do Rio de Janeiro tem nomes certos e a sua qualificação regular citados por Cabral.
De outro vértice, esse desenho mostrado às claras tem o dinheiro no centro das atenções. Promove os grandes desastres sociais. A fome e a miséria são os seus maiores tentáculos. Como seus apêndices temos ainda as conspirações, as traições, os assassinatos e outras tantas tragédias que a nossa inteligência não consegue compreender. Elas são engendradas nas negociatas fechadas dentro de quatro paredes, a céu aberto, nas mansões luxuosas e nos barracos e ainda em outros tantos locais que podem oferecer segurança para a formalização desses propósitos condenáveis. Nesses momentos escuros em que se negociam os contratos a labuta diária do homem comum resulta travada durante a luz do dia, à frente de seus iguais. Luta para trazer a paz para dentro do seu lar. Segurança para os seus filhos. Os perigos que o cotidiano lhes reserva são arrostados pela sua coragem e também com a proteção de Deus.
O Estado não está ao seu lado. Quando está, o seu indicativo é sempre no sentido de colocar empecilhos para os seus empreendimentos. Os empresários que produzem bens e serviços sabem perfeitamente do que estamos falando. Os grandes impérios tiveram o seu apogeu e conheceram também o seu declínio. O nosso País precisa urgentemente conhecer o declínio dessa desgraça. A conscientização popular precisa ser incentivada a produzir ações benfazejas.
A Justiça não pode falhar no cumprimento da sua competência constitucional. Com esses indicativos podemos iniciar a construção de uma Pátria amada e idolatrada por todos os seus filhos. Fora dessa realidade implacável não existirá o berço esplêndido, nem mesmo os nossos bosques terão mais vida e nem no seio da Pátria mais amores.