O tema que vamos discorrer é delicado. Trata-se do fim do celibato sacerdotal. Ninguém pretende ferir sensibilidades. Nem mesmo exteriorizar opiniões que possam ditar regras de comportamento religioso. Não é esse o nosso desiderato. Pretendemos apenas retratar o sentimento da massa da nossa população sobre esse tema e ainda o que envolve os crimes nefastos de pedofilia no seio da Igreja Católica.
Esse sentimento amargo de dor ganhou força com as denúncias produzidas pela grande imprensa. O conjunto das famílias alcançadas pelas ações despropositadas estão mergulhadas na humilhação e na vergonha. A dor nunca para. O sofrimento é tanto que já se confundiu com o próprio martírio. Suplicam pela apuração de responsabilidades. Gritam por Justiça. A igreja de Cristo não pode marchar alheia a esses sentimentos de angustia. Elas abalam os alicerces da instituição. Deixa vulnerável a força e a autoridade do clero. O homem comum do povo nas suas conversas rotineiras entende que o celibato não pode mais prosperar. Sustenta que se trata do embrião dos atos reprováveis. O sacerdote precisa ter sua família constituída. Sua autoridade para conduzir seus fiéis fica mais sólida. Raciocínio correto. Não se trata nada de impositivo. O sacerdote casa se quiser. Ninguém é obrigado a abraçar o matrimonio. Mas, certamente não acabará com esse tormento.
Aqui entra em cena a questão de caráter. O sacerdote não está isento dessa realidade. É retirado do tecido social com as suas virtudes e os seus defeitos. O papa Francisco entendeu o clamor dos seus fiéis. Recentemente reuniu os bispos do mundo inteiro no Vaticano. Seu objetivo foi tratar desse assunto que incomoda a Igreja. E buscar soluções práticas para o seu enfrentamento. O passo dado pelo sumo pontífice foi muito importante. Mas não basta. O pedido de perdão isoladamente não tem o condão de fazer desaparecer essas sequelas produzidas pelos atos impensados.
As indenizações produzidas pela Justiça apenas mitigam a dor. A Igreja não pode contemplar esses fatos de forma apática. Precisa acompanhar a evolução da sociedade. Os seus reclamos, os seus costumes, as suas indignações e ainda o seus clamores nos dias que correm são outros.Existem motivos fundados para marchar nessa direção.
A Igreja Católica desde a sua fase embrionária nunca proibiu os seus bispos e sacerdotes de constituírem suas famílias. Os primeiros sucessores de Cristo no comando da Igreja foram homens comuns do povo com suas famílias constituídas. Pedro foi o primeiro deles. Outros dez papas que lhes seguiram também tinham suas famílias constituídas. Tornaram-se com a sua autoridade em grandes pastores de seus fiéis. O celibato não foi fruto de uma ação divina. Decorreu de uma ação humana capitaneada pelo papa Gregório VII, em 1.073. O fato ocorreu no curso da Idade Média. A idade das trevas. A humanidade estava mergulhada na escuridão. Não existia a imprensa e os outros tantos avanços significativos que pudessem esclarecer a humanidade sobre os principais assuntos pertinente à época. Todas as grandes decisões de estado, inclusive do papado eram produzidas e lançadas no bojo dos papiros e pergaminhos pelas ações dos copistas medievais. A massa da população não tomava conhecimento dessas decisões. As mudanças substanciais ocorreram no curso da nossa História. Receberam o beneplácito dos fiéis. A santa missa que inicialmente era oficiada em Latim passou a ser oficiada na língua pátria. O sacerdote que presidia a missa inicialmente de costas para os seus fiéis passou a oficiar de frente para o seu rebanho. A santa missa oficiada aos domingos passou também a ter validade para os que assistiam aos sábados.
A própria oração que o Cristo nos ensinou sofreu alteração substancial. As batinas foram substituídas pelos ternos. Foram ações surpreendentes. Motivadas pelas inteligências lúcidas. Francisco tem no curso do seu pontificado avançado significativamente em outras áreas importantes da igreja. Deu vida a todos os que se sentiram marginalizados do seu convívio. Casais separados e os divorciados precisam fazer parte da grande família de Cristo, sentenciou.
Outros avanços foram introduzidos. Não podemos olvidar que existem grandes sacerdotes. Verdadeiros educadores e Homens de Deus. Tive esse exemplo precioso nos bancos escolares. Foi no Colégio Dom Bosco na minha sempre linda Campo Grande. Eles não podem ser herdeiros dessas ações horrendas.
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