Artigos e Opinião

OPINIÃO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Atrás da sotaina, o pecado!"

Promotor de Justiça aposentado

Bruna Aquino

14/03/2019 - 01h00
Notícia sem imagem

O tema que vamos discorrer é delicado. Trata-se do fim do celibato sacerdotal. Ninguém pretende ferir sensibilidades. Nem mesmo exteriorizar opiniões que possam ditar regras de comportamento religioso. Não é esse o nosso desiderato. Pretendemos apenas retratar o sentimento da massa da nossa população sobre esse tema e ainda o que envolve os crimes nefastos de pedofilia no seio da Igreja Católica. 

Esse sentimento amargo de dor ganhou força com as denúncias produzidas pela grande imprensa.  O conjunto das famílias alcançadas pelas ações despropositadas estão mergulhadas na humilhação e na vergonha.  A dor nunca para. O sofrimento é tanto que já se confundiu com o próprio martírio. Suplicam pela apuração de responsabilidades. Gritam por Justiça. A igreja de Cristo não pode marchar alheia a esses sentimentos de angustia. Elas abalam os alicerces da instituição. Deixa vulnerável a força e a autoridade do clero.  O homem  comum do povo nas suas conversas rotineiras entende que o celibato não pode mais prosperar. Sustenta que se trata do embrião dos atos reprováveis. O sacerdote precisa ter sua família constituída. Sua autoridade para conduzir seus fiéis fica mais sólida. Raciocínio correto.  Não se trata nada de impositivo. O sacerdote casa se quiser. Ninguém  é obrigado a abraçar o matrimonio. Mas, certamente não acabará com esse tormento. 

Aqui entra em cena a questão de caráter. O sacerdote não está isento dessa realidade. É retirado  do tecido social com as suas virtudes e os seus defeitos. O papa Francisco entendeu o clamor dos seus fiéis. Recentemente reuniu os bispos do mundo inteiro no Vaticano. Seu objetivo foi tratar desse assunto que incomoda a Igreja. E buscar soluções práticas para o seu enfrentamento. O passo dado pelo sumo pontífice foi muito  importante. Mas não basta.  O pedido de perdão isoladamente não tem o condão de fazer desaparecer essas sequelas produzidas pelos atos impensados.  
As indenizações produzidas pela Justiça apenas mitigam a dor. A Igreja não pode contemplar esses fatos de forma apática.  Precisa acompanhar a evolução da sociedade.  Os seus reclamos, os seus costumes, as suas indignações e ainda o seus clamores nos dias que correm são outros.Existem motivos fundados para marchar nessa direção. 

A Igreja Católica desde a sua fase embrionária nunca proibiu os seus  bispos e sacerdotes de constituírem suas famílias. Os primeiros sucessores de Cristo no comando da Igreja   foram homens comuns do povo com suas famílias  constituídas. Pedro  foi o primeiro deles. Outros dez papas que lhes seguiram também tinham suas famílias constituídas. Tornaram-se com a sua autoridade em  grandes pastores  de seus fiéis. O celibato não foi  fruto de uma ação divina. Decorreu de uma ação humana capitaneada pelo papa Gregório VII, em 1.073. O fato ocorreu no curso da Idade Média. A idade das trevas. A humanidade estava  mergulhada na escuridão. Não existia a imprensa e os outros tantos avanços significativos que pudessem esclarecer a humanidade sobre os principais assuntos pertinente à época. Todas as grandes decisões de estado, inclusive do papado eram produzidas e  lançadas no bojo dos papiros e pergaminhos pelas  ações dos copistas medievais. A massa da população não tomava conhecimento dessas decisões.  As mudanças substanciais ocorreram no curso da nossa História.  Receberam o beneplácito dos fiéis. A santa missa que inicialmente era oficiada em Latim passou a ser oficiada na língua pátria. O sacerdote que presidia a missa  inicialmente  de costas para os seus fiéis passou a oficiar de frente para o seu rebanho. A santa missa oficiada aos domingos passou também a ter validade  para os que assistiam aos sábados.  

A própria oração que o Cristo nos ensinou sofreu alteração substancial. As batinas foram substituídas pelos ternos. Foram ações surpreendentes. Motivadas pelas inteligências lúcidas. Francisco tem no curso do seu pontificado  avançado significativamente em outras áreas importantes da igreja. Deu vida a todos os que se sentiram marginalizados do seu convívio. Casais separados e os divorciados precisam fazer parte da grande família de Cristo, sentenciou. 

Outros avanços foram introduzidos. Não podemos olvidar que existem grandes sacerdotes. Verdadeiros educadores e Homens de Deus. Tive esse exemplo precioso nos bancos escolares. Foi no Colégio Dom Bosco na minha sempre linda Campo Grande. Eles não podem ser herdeiros dessas ações horrendas.  

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).