Um lugar em que as invasões de propriedade se proliferam, certamente não será um ambiente propício para o desenvolvimento.
É muito raro alguém citar algo que possa se desenvolver em um ambiente de extrema desorganização. A exatidão da matemática e da física está aí para mostrar como o universo funciona: por meio da organização, de regras rígidas inalteráveis. Fórmulas, leis, como a da Gravidade. Não há contradições dentro destes universos exatos. Aliás, são ciências exatas.
A exatidão está no universo para ser exemplo para o ser humano, este ser tão inexato. Sempre foi por meio da organização que a humanidade se desenvolveu. Basta verificar a evolução tecnológica dos últimos dois séculos, ou mesmo, tradições milenares, como a oriental Feng Shui, que tem a organização como um dos princípios.
Edição de ontem do Correio do Estado mostra que a desorganização, no que diz respeito à ordem para a preservação das propriedades pública e privada está resistindo. Campo Grande tem 13 áreas de invasões. A maioria delas, terrenos públicos, pertencentes à prefeitura, repletos de barracos. Novas favelas que surgiram e, em alguns casos, áreas que chegaram a ser desocupadas e que agora voltaram a ser alvo de invasores.
Há fatos em que a desorganização chega ao extremo. Cidadãos, proprietários regulares e legítimos de seus terrenos e casas que, cansados da inércia da Prefeitura de Campo Grande e do Ministério Público Estadual, foram - por conta própria, pagando por advogado inclusive - à Justiça para pedir o despejo de invasores de áreas que pertencem ao município. Exemplo concreto da omissão das autoridades constituídas, e da inércia no que se diz respeito à organização.
Um lugar em que as invasões de propriedade se proliferam, certamente não será um ambiente propício para o desenvolvimento. Em primeiro lugar, porque falta segurança jurídica, e em segundo, simplesmente porque não há ordem. Como é possível se investir em uma cidade, Estado ou País, em que a lei não é cumprida? Qual o estímulo que um cidadão tem para reformar sua casa, se percebe que no terreno da frente - caso citado acima - há uma área pública em via de se transformar numa favela?
Uma das funções da Guarda Municipal é a de preservar o patrimônio público. A reportagem publicada ontem mostra que várias das áreas invadidas pertencem ao município. Fica a dúvida sobre se esta força de segurança está, de fato, guardando o patrimônio que tem obrigação de zelar.
Para que o Brasil, os estados e os municípios voltem a crescer com consistência é preciso ordem. É preciso respeito às leis. Nas ciências exatas isso dá certo. Fica o exemplo.