Com dois graus centígrados acima da temperatura média constatada pelo Painel Intergovernamental sobre as mudanças climáticas, algumas observações devem ser feitas, especialmente no intuito de preencher certos vazios de explicações de que a população leiga necessita, de modo a diminuir suas incertezas e colaborar para que tenha alguns argumentos plausíveis sobre o que está acontecendo com seu meio ambiente e social.
A terra é protegida por camadas de gases que a protegem da luz excessiva. Nesse sentido a vida no nosso planeta foi se adaptando a um ciclo de temperaturas previsíveis no decorrer das quatro estações do ano, adquirindo alguma previsibilidade nas mudanças térmicas vindas das estações com variação de temperatura. Nessa previsibilidade o homem adaptou-se organicamente, já que nossas células possuem plasticidade, ou seja, capacidade de adaptação e multiplicação. Tal adaptação contou com a ajuda preciosa da inteligência e criatividade. A sobrevivência tornou-se sucesso além da expectativa, gerando alimentos, defesas tecnológicas e muita eficiência na manutenção da saúde. Como a regra do que todo excesso pode gerar lucro, a humanidade desenvolveu sua economia de mercado, que por outro lado aumentou a chama da ganância.
O mundo natural de parceiro coadjuvante passou ao papel de provedor das ações da sobrevivência humana. Agora. No século XXI, está à beira da exaustão.
Deixando os resíduos sólidos descartados pelo consumo, vamos nos ater aos resíduos atmosféricos, os gases de feito estufa, com destaque para o gás carbônico e o metano. No entanto, a quantidade dos gases de efeito estufa é que é o “x” da questão climática. A geração acima do tolerável de tais gases fez aumentar o nível de intolerância da nossa atmosfera.
Dois graus acima do tolerável na nossa atmosfera gerou a expectativa de um aquecimento global progressivo. Talvez nem tanto em aumento de temperatura em si, mas pelos efeitos que já está causando no ciclo do nosso ambiente de vida.
Cientistas dizem que estamos no período de adaptação, caminhando para uma cultura de sobrevivência mitigatória, ou seja, aprender a conviver com as mudanças que aí estão e com as que estão vindo, obrigando o organismo humano a lançar mão de todos os mecanismos de adaptação biológica que dispuser.Nesse sentido, os mais fracos ou de menor carga imunológica são os primeiros a comprometer a vida. Afetando todo o ciclo de adaptação e convivência entre homem e natureza, o elo foi quebrado. Agora é a luta do mais forte, do mais resistente e do mais resiliente contra a estabilidade climática perdida na sociedade de consumo irracional.
Tempo mais quente e seco significa menor umidade relativa do ar. Ambiente ideal para as partículas ou íons positivos e negativos estarem mais próximos de corpos estáveis, como o humano. Isso, por outro lado, se traduz em aumento do campo eletromagnético do corpo, levando, é claro, o aumento de energias e a consequente tensão. O corpo humano está quase parecido com uma rede de alta-tensão. Basta uma resposta diferente da esperada é pronto é um motivo para colocar para fora sua tensão exagerada. Na tensão gerada no cotidiano, aprendemos a domesticar no decorrer do processo de adaptação. Mas agora é diferente, requerendo conceitos e abordagens diferentes. As tensões humanas são destrutivas para o corpo e para a mente quando acima do aprendido à tolerância.
A explosão da agressividade humana é inquestionável, por mais que as explicações e medidas têm sido em vão, pois não mais o homem individual é o causador de seus próprios humores, mas, sim, o modelo social, com quatro séculos de vida, assentado na mágica obsessão de consumo, comprometendo, agora, além do seu equilíbrio pessoal, também o equilíbrio do seu ambiente natural e social.