Anúncios de novos investimentos em indústrias para a geração de emprego são bons. Melhor ainda será se eles não repetirem as decepções do passado e se concretizarem
Difícil encontrar quem seja contra o desenvolvimento. Em um momento de crise econômica e escassez de recursos, qualquer anúncio de investimento e geração de empregos cria expectativas em uma cidade, em um estado e no Brasil, que anda precisando muito de boas notícias. Nossa torcida é para que estas notícias venham aos montes; e, se o investimento tiver origem externa, melhor ainda, porque se trata de dinheiro de outras economias em nosso País.
Ontem, um grupo de empresários sul-coreanos anunciou projeto de US$ 1,5 bilhão para o município de Anaurilândia, região leste do Estado. Na reportagem adiante, o leitor terá mais detalhes do plano de geração de energia solar e também da fabricação de placas de captação deste tipo de energia, considerada limpa.
Notícias como essa fazem o otimismo se espalhar. Em meio aos altos níveis de desemprego, elas são um alento aos que desejam buscar uma vaga no mercado de trabalho. Para o governo de Mato Grosso do Sul, que assumidamente enfrenta problemas para melhorar a arrecadação, o anúncio dos coreanos pode significar cofres mais cheios. Sem falar da possibilidade de crescimento da pequena Anaurilândia.
Mas, em tempos de crise, também é preciso não ir com muita sede aos potes que nos são mostrados. Há mais de quatro anos que um grupo também asiático, o chinês BBCA, anunciou investimento igualmente bilionário em Maracaju. A processadora de milho, porém, ainda não está pronta e já teve a sua inauguração adiada várias vezes. Nesta década, podemos citar vários outros exemplos de investimentos prometidos que não saíram do papel: fábricas de helicópteros, de tablets.
De qualquer forma, torcemos para que projetos como este se tornem realidade. Está provado que o planejamento estratégico gera receita de impostos e renda em médio e longo prazo. Foi assim com o gás natural; foi assim com o setor de papel e celulose. Para que Mato Grosso do Sul se desenvolva, é necessário expandir as fronteiras de nossa economia. Tudo o que precisamos é de equilíbrio, tanto na expectativa quanto nas negociações.
Além de torcermos para que mais anúncios como este investimento bilionário do grupo sul-coreano ocorram com maior frequência, desejamos ainda mais que todas estas promessas se concretizem. Em tempos de crise – reiteramos –, as expectativas são maiores; por isso, todo cuidado é pouco para que as decepções não aconteçam na mesma proporção.