Que os empregos voltem e que os brasileiros gastem mais energia produzindo e tendo ideias e menos energia em conflitos entre si.
Em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 100 mil pessoas aptas a produzir chegam ao Dia do Trabalho sem nenhuma ocupação que lhe garanta uma renda mínima para a subsistência. Os detalhes sobre este número, que esperamos que seja revertido em breve, estão em reportagem publicada nesta edição. A alta quantidade de desempregados não só no Estado, mas no País, é um retrato de uma nação com a economia travada, em compasso de espera para o setor, de uma vez por todas, voltar a crescer.
É importante enfatizar que os números do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (Caged) para Mato Grosso do Sul mostram que o Estado está na contramão do Brasil no que se refere à geração de vagas de trabalho. O saldo em 2019 é positivo e supera 10 mil novos postos. Esta boa notícia, porém, não é suficiente, o problema é estrutural.
Vejamos, por exemplo, o problema que a administração pública enfrenta. Em meio a negociações do governo de Mato Grosso do Sul e da Prefeitura de Campo Grande com os servidores, os chefes do Poder Executivo apresentam o mesmo argumento: dificuldade para arrecadar mais e encontrar condições suficientes para aumentar o salário do funcionalismo. Se há complicação para ampliar a arrecadação, é um sinal claro que a atividade econômica está em baixa, pois nela está a origem da maioria dos tributos. É sobre a circulação de mercadorias e serviços que o governo estadual gera receita por meio do ICMS e é sobre transações imobiliárias, prestação de serviços e expansão da construção civil que as prefeituras arrecadam por intermédio de impostos como ITBI, ISS e IPTU.
Se falta trabalho para a população, é porque há pouquíssimo dinheiro circulando e, se não há muitos recursos em espécie no mercado, as dificuldades só aumentam, para todos: para os comerciantes, que veem o movimento diminuir; para os produtores de matéria-prima e industriais, que são afetados pela falta de demanda; e, consequentemente, para quem depende de emprego de carteira assinada, a estagnação não justifica a contratação e a manutenção de suas vagas.
O governo federal faz grande aposta na proposta de emenda constitucional da reforma da Previdência. Quer economizar, pelo menos, R$ 1 trilhão em dez anos e, com isso, ter folga para voltar a investir em setores que podem dar um “empurrão” na economia, como o de infraestrutura. Mas é preciso ir além desta reforma, é preciso mais reformas. É necessário um novo sistema tributário, mais simples e mais justo, e também, antes de tudo, que a harmonia entre os brasileiros retorne. Uma população em paz pode não ter trabalho e dinheiro em caixa, mas tem disposição de sobra para produzir. Que os empregos voltem e que os brasileiros gastem mais energia produzindo e tendo ideias e menos energia em conflitos entre si.