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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial de quarta-feira: "O passageiro não pode perder"

Confira o editorial de quarta-feira: "O passageiro não pode perder"

Aline Oliveira

08/05/2019 - 03h00
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A disputa entre prefeitura de Campo Grande e Consórcio Guaicurus deverá se prolongar. Nesta edição mostramos que a briga agora chegou ao Poder Judiciário. O problema a ser resolvido é grande, e tudo indica que, a julgar pela proporção que está tomando, que o passageiro - a razão de existir deste sistema - será o mais prejudicado. 

Depois de aplicar multa superior a R$ 2 milhões ao Consórcio Guaicurus na semana passada, determinando a renovação imediata da frota que circula na capital, que está acima do estabelecido em contrato, a prefeitura de Campo Grande começou a semana dando sinais de que não quer o rompimento do vínculo.

O diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg), Vinícius Leite Campos chegou a afirmar anteontem que não deseja romper com o concessionário. De fato, esta seria a última medida, e uma rescisão contratual levaria o caos à cidade: mais trabalhadores ainda chegariam atrasados, pessoas teriam dificuldade em se locomover. A economia da capital poderia ser prejudicada.

É importante lembrar que em 2012 o Consórcio Guaicurus aceitou participar de uma licitação, e se submeteu às regras previstas em edital, que depois tornaram-se um contrato de concessão. As obrigações, para os dois lados, estão todas lá, e devem ser devidamente cumpridas. Isso é segurança jurídica: cumprir contratos.

Agora, o concessionário do transporte coletivo de Campo Grande alega que o movimento caiu e, consequentemente, o faturamento também e que, por isso, não consegue renovar a frota como estava previsto no contrato. De fato, a idade média da frota se aproximada dos sete anos, quanto o limite estabelecido no vínculo entre as duas partes é de cinco.

O Consórcio Guaicurus é enfático ao oferecer as mais variadas justificativas para a queda de passageiros transportados e um faturamento mais distante do previsto. Às vezes põe a culpa em aplicativos de transporte como o Uber, já atribuiu - num passado mais distante - ao serviço de mototáxi, e recentemente à opção dos usuários em trocar o ônibus pela motocicleta.

É muito fácil culpar os outros pelos próprios problemas, e nestas horas, seria bom que os responsáveis pelo concessionário, ou as autoridades municipais parassem para refletir. Se o serviço prestado ao usuário fosse melhor, não haveria mais passageiros? Será que todos preferem pagar mais por corridas via aplicativos de transporte, sendo que podem gastar menos viajando de ônibus?

Diante da situação dos veículos em circulação nas ruas de Campo Grande, muitos que poderiam usar o transporte para economizar, acabam gastando mais, com transporte privado ou mesmo com meios próprios de locomocação, porque sabem que o transporte público lhe proporciona pouco conforto ou pontualidade.

Esperamos que em meio a esta nova batalha entre prefeitura e Consórcio Guaicurus que será travada no Poder Judiciário o passageiro não saia perdendo, como tem ocorrido nos últimos anos.
 

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