Artigos e Opinião

ARTIGO

Fausto Matto Grosso: "Pacto e Constituição"

Fausto Matto Grosso: "Pacto e Constituição"

Aline Oliveira

03/06/2019 - 02h00
Notícia sem imagem

Não existem soluções fáceis para problemas difíceis. Vivemos um impasse nas relações entre o Executivo, o Legislativo, o STF e a sociedade.

Eis que surge, pelas mãos do presidente do Supremo, a ideia de um pacto entre as partes em conflito. Sempre que há uma ruptura institucional, o que não aconteceu, há necessidade de um novo entendimento nacional para estabelecer uma nova ordem. O Brasil já fez isso com o grande pacto constitucional em 1988, construído com a participação ampla da sociedade. 

Na sociedade, vivemos hoje um sentimento de indignação e de insegurança. A política vai mal, predominando o clima de confronto. A economia patina, o PIB começa a decrescer e o desemprego aumenta. As estruturas sociais e as relações pessoais se esgarçam e a violência torna-se banal. Apesar disso, o povo está na rua e nas redes, o que é um bom sinal da vitalidade da vida democrática. Nunca foi tão intenso o interesse pela política e a participação do cidadão comum. 

Os principais problemas vêm do próprio presidente. Legitimamente eleito pelo voto. Bolsonaro não consegue governar. Falta-lhe programa, um ministério qualificado, capacidade de articulação política e liderança na sociedade.

A sua “revolução conservadora” se assenta, principalmente, nos seus “quatro cavaleiros do Apocalipse”, os olavistas Weintraub (Educação), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). A cada dia, surgem novas maldades, principalmente contra a inteligência.

Dentro do próprio governo, o clima é de beligerância, disputas e desconfianças. A autofagia é a regra, gerando constante instabilidade e paralisia administrativa. O preço a ser pago é o desgaste e a desmoralização.

Desde a campanha, Bolsonaro usa a hostilidade como método de disputa. Recusa-se a dar adeus às armas. Recentemente, por meio da internet, postou uma dramática mensagem, apontando a impossibilidade de governar em razão do Congresso Nacional e suas práticas. Ora, esse problema só tem duas soluções: ou sua renúncia ou o fechamento do Congresso. Nesse clima, foi convocada uma manifestação de rua, à qual o presidente acabou não comparecendo, num recuo tático. 

O resultado prático foi transformar seu principal aliado na reforma da Previdência, Rodrigo Maia, em “pixuleco”. A hostilidade como método de governo agita, mas não o torna mais capaz de articular e governar, ao mesmo tempo o leva a derrubar pontes e a diminuir sua governabilidade. 

O Congresso que aí está, a despeito dos seus conhecidos problemas, é tão ou mais legítimo que o presidente, pois se Executivo representa a maioria, o Legislativo é totalidade, é o campo da política e da negociação, sem a qual a democracia não sobrevive. É o que temos.

Apesar dos conflitos, o Legislativo vem encaminhando as questões suscitadas pelo governo Bolsonaro. A votação da Previdência já tem data marcada, escoimadas as maiores aberrações do projeto. A reforma administrativa já foi votada e aprovada, o pacote anticorrupção está esperando na fila. Dentro das regras democráticas, a política não está parada. Só não está funcionando o rolo compressor que governos sempre tentam fazer em cima do Congresso.

O Supremo já teve melhores dias, mas andou perdendo prestígio da população, por excesso de disputas internas e de exposição midiática. Sempre se espera dos juízes atitudes sóbrias. Agora sofre nova deslegitimação, com o esdrúxulo protagonismo político de seu presidente, pelo “pacto”.

A disputa principal tem dois contendores centrais: o Executivo e o Legislativo. É desejável que se mantenham independentes e harmônicos, sem o cabresteamento do Legislativo pelo Executivo. Caberá à opinião pública pressioná-los, ambos, a cada dia, diante das ações nefastas que surgirem. Não será fácil, diante do programa de maldades que Bolsonaro desenvolve a cada dia, mas esse será o caminho dos democratas.

Que cada um cumpra o seu dever. O pacto que serve aos brasileiros é o da Constituição de 1988, sem aventuras nem quebra da legalidade.
 

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).