Diante das apreensões recordes de cocaína, é possível constatar que as polícias estão trabalhando com mais eficiência e também que pode ter aumentado o fluxo do corredor do tráfico.
Desde que o tráfico internacional de drogas ganhou força no Brasil, na década de 1970, que Mato Grosso do Sul é uma região estratégica, tanto por parte dos traficantes como, consequentemente, por parte das forças policiais. A explicação mais óbvia para a incidência maior do trânsito de drogas pelo território sul-mato-grossense é sua extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia, países que historicamente também estão incluídos entre os maiores traficantes de maconha e cocaína.
Portanto, não é de hoje que a sociedade cobra das autoridades constituídas ações eficientes para barrar o trânsito de drogas no território de Mato Grosso do Sul, corredor do tráfico internacional. Nas últimas décadas, muitas promessas foram feitas e grande parte delas não foi cumprida, mas também é preciso frisar que houve muito trabalho sério das polícias e do Poder Judiciário.
Na década passada, a Justiça Federal sequestrou fazendas de traficantes, como forma de minar o grande poder financeiro deles, e deu início a atuação em conjunto com autoridades paraguaias para destruir plantações de maconha. Ocorre que, nos últimos anos, houve um desvio de rota da cocaína, a qual, normalmente produzida na Bolívia, no Peru ou na Colômbia, ingressava no Brasil pelas fronteiras dos estados localizados mais ao norte, e em Mato Grosso do Sul, por meio da fronteira com a Bolívia, em Corumbá.
De quatro anos para cá, a maioria da cocaína apreendida no Estado tem entrado também pela fronteira seca com o Paraguai. Sinal claro de que as rotas já consolidadas para o trânsito de outros produtos ilegais, como agrotóxicos, cigarros e maconha, também passaram a ser usadas por traficantes de cocaína.
Reportagem publicada nesta edição mostra que de janeiro até agora o volume de cocaína apreendida pela Polícia Federal em Mato Grosso do Sul (mais de 4 toneladas) é superior ao que foi capturado durante todo o ano passado e maior do que o dos anos de 2017 e 2016. É questão de tempo para que a quantidade de droga apreendida supere também a de 2015.
Diante desses números, é possível chegar a duas constatações. As polícias Federal e Rodoviária Federal, bem como o Departamento de Operações de Fronteira e outras polícias estaduais (Militar e Civil) estão trabalhando bastante e com eficiência superior à de outros tempos. E a segunda constatação: o fluxo de droga nesta rota certamente aumentou, o que indica uma forte produção e um grande mercado consumidor não somente no Brasil, mas também em outros países do outro lado do Oceano Atlântico. É o momento de as investigações avançarem ainda mais.