Sabemos que aquela pequena luz “piloto” que fica acesa nos aparelhos elétricos- eletrônicos nada mais é do que um “modo de espera” cujos equipamentos disponíveis no mercado possuem para permanecerem aptos a serem acionados na retomada rápida das funções preservando as configurações iniciais e pessoais.
Essa tecnologia ou modernidade acionada por meio do controle remoto deixa o equipamento ”logado” (aguardando ser ligado) acarreta um custo, o consumo de energia mesmo desligados, apesar de pequeno, mas considerável com o decorrer do tempo.
Simbolicamente retratamos como os brasileiros têm vivido cotidianamente: em “stand by”; “logados” psicologicamente, mas desligados fisicamente, esperando sempre prontos que suas expectativas e sonhos se concretizem e gastando o pouco de energia ininterruptamente que lhes resta.
Um emprego garantido (13 milhões desempregados) com carteira assinada, salário justo, ocupação no mercado, uma identidade social com um endereço fixo, filhos na escola, segurança nos deslocamentos, respeito das suas posições, compreensão nas suas atitudes são alguns dos planos. Muitos já são conceituados pelo IBGE como “desalentados” (cinco milhões) que desistiram da procura de vagas de trabalho, por pouca instrução, oportunidades intangíveis, exploração dos direitos, discriminações e a falta de incentivos confiáveis como os programas de políticas públicas de emprego, controle dos gastos e o principal, a condução imprevisível da economia.
Os 28 milhões de pessoas subutilizadas engrossam o temor no futuro onde os mais críticos e realistas atribuem suas amarguras às politicas do governo u a falta delas, os crentes, ainda com uma nesga de fé, a deposita nas mãos “Daquele que está acima de todos”.
O índice do medo do desemprego (CNI) cresce mês a mês inversamente proporcional ao índice de satisfação de vida e ambos se relacionam com o baixo consumo que por sua vez impede a recuperação da economia, associada à falta de perspectiva da política econômica, e as sucessivas reduções da estimativa do PIB alertam o mercado financeiro sobre o baixo crescimento, sinalizando para a crise e consequentemente a recessão.
A aposta inadequada nos economistas liberais que advogam cortes de despesas públicas, sobretudo nos investimentos, e nas despesas correntes, essas sempre justificádas como gastos desnecessários freiam assim a circulação do “dindin”, quando na verdade a intervenção governamental de modo a restabelecer o equilíbrio econômico por meio da expansão do crédito, da redução de tributos e dos investimentos seria o remédio a ser adotado.
Com uma política econômica de “uma nota só” voltada para uma reforma milagrosa da previdência, cuja aprovação visava a retomada do crescimento já postergada para o próximo ano, a falta de programas de geração de empregos que impede a aumento de consumo, com contingenciamentos ideológicos dirigidos, sem perspectiva da retomada desenvolvimento após as desistências e falências das indústrias de transformação (2300) desfazem a tese já comprometida da dependência econômica à iniciativa privada, pelo simples cenário da falta de confiança do sistema financeiro e o ente responsável, o invisível mercado, sobre as incertezas corroboradas por disparates, falácias, ameaças, irrealidades anunciadas extraoficialmente por colaboradores ineptos do governo.
Enquanto isso, a sociedade fica a mercê do tempo, em STAND BY aguardando que absurdos como a liberação de agrotóxicos, o desmonte administrativo, a venda fracionada de gás, a venda de ativos das empresas mistas e estatais, a ampliação da tabela do IR para os abastados, liberação das áreas de mineração em terras indígenas, a retaliação aos programas de sucesso existentes, destratação gratuita baseada na diversidade da população, atos de beligerância em detrimento da politica estratégica, e outros desatinos.
Do brasileiro abonado cujo entretenimento era surfar em Bali, mergulhar no Caribe ou tirar férias num ”all incluse” nordestino ao remediado que pagava suas prestações em dia, ambos aguardarão dias melhores, abrindo um “sushi“ na garagem de casa, ou vendendo “petit gateau” nas empresas respectivamente.
Ao povo, em geral, a regra atual é ”future-se”, e tente sobreviver como os demais com um mínimo de gasto de energia capaz de singela mobilidade e para manter a hemolinfa dos invertebrados circulando até as próximas manifestações reivindicatórias.