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ARTIGO

Venildo Trevisan: "Ricos e pobres"

Frei

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Uma realidade que não pode ser negada é o fato da existência de ricos e de pobres em toda e qualquer sociedade e ambientes em que convivem seres humanos. Mesmo que essa realidade fira certos sentimentos, a sociedade permanecerá em marcante e dolorosa dívida com o bem comum. 

Mesmo que se questione essa situação de contrastes, será preciso prestar muita atenção a tudo que acontece ao redor. Existirá sempre quem veja nesses contrastes uma advertência muito séria quanto ao modo de tratar essa classe empobrecida de seres humanos. Outros continuarão simplesmente desprezando e condenando, ou jogando a questão para os poderes públicos.

Mas não poderemos permanecer frios e indiferentes. Os empobrecidos, frutos da injustiça social, são pontos de referência para todos quantos possuem uma consciência sensível ao sofrimento. Essa é uma verdade que ninguém poderá ignorar. Existem situações que ninguém poderá desconhecer.

Os pobres, os anciãos, os enfermos, os desempregados, os portadores de alguma deficiência física ou mental e tantas outras situações de dor e de sofrimento, são fatos e são fenômenos que questionam a consciência humana e a fé cristã. São realidades que podem doer em muitas consciências.

Não será possível permanecer indiferente e acomodado. Não será possível desviar o olhar e fechar o coração. Não será humano isolar-se em condomínios do medo ou das muralhas com guardas e sistemas eletrônicos. Isso não garantirá jamais a tranquilidade e a segurança da consciência. 

Tomo a liberdade de advertir que algo muito precioso existe em nossa consciência a nos revelar que somos os administradores dos dons de Deus. Somos responsáveis em cultivar esses dons e fazê-los frutificar em favor dos mais carentes e empobrecidos. Somos dispensadores das graças de Deus. Essa é a grande verdade que precisa ser assumida e cultivada.

Não queiramos ser como aquele homem rico que, de acordo com o Evangelho, vestia-se com púrpura e linho finíssimo e que todos os dias se banqueteava e se regalava, enquanto um mendigo, de nome Lázaro, todo coberto de chagas, permanecia deitado à porta do rico. Desejava matar a fome com as migalhas que caiam da mesa. Nem isso lhe davam.
Diz o evangelista que, com o andar do tempo, ambos morreram. Lázaro foi conduzido junto a Abraão, enquanto o rico foi sepultado em meio a tormentos. De lá, avistou Lázaro no aconchego de Abraão e suplicou: “Pai Abraão, manda Lazaro derramar ao menos uma gota de água para aliviar meu sofrimento”.

Mas Abraão lhe diz: “No mundo você teve muitas oportunidades em praticar a misericórdia e nada fez. Agora, Lázaro, que sempre esteve em sua porta para lhe proporcionar uma oportunidade de praticar o bem e você não quis, agora ele goza da felicidade, fruto de sua humildade e paciência. E você pagando por suas negligências e maus tratos com os empobrecidos” (lc.16,19-31).

Não é vingança. É apenas uma lição para aprender que a felicidade, ou a infelicidade, é fruto de uma decisão muito pessoal.

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