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Gilberto Verardo: "Domingo no parque"

Psicólogo

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Música de Gilberto Gil também é tema precioso para os campo-grandenses de alma que também têm orgulho do título Cidade das Árvores e de um parque como poucos no mundo. Os frequentadores, de soslaio, olham certo abandono no cuidado e muitos questionam se não estão enrolando muito para pouco serviço.

Na linguagem tosca sul-mato-grossense “rodear o toco” é enrolar o serviço. Na linguagem psicanalítica “racionalização” é criar certa desculpa por ato não realizado ou feito pela metade, que apesar de poder beneficiá-lo o incomoda emocionalmente. O primeiro pode ser pura preguiça, comodismo ou vontade zerada. O segundo tem a ver com medo de enfrentar situações relacionadas e influenciadas por emoções do passado, evitando responsabilizar-se por uma tomada de atitude. Este preâmbulo serve de lastro para evitar interpretações pessoais, pois a pauta é o bem público. 

O Parque das Nações Indígenas, como um bem público, parece retratar vontades, intenções e ânimo do ente público de Mato Grosso do Sul, incorporados nas pessoas que estão na função pública e remuneradas adequadamente pela população para tratar, em especial, de assuntos inerentes ao bem comum. No seu entorno, encontramos os principais órgãos arrecadadores, administrativos, fiscalizadores, legisladores e de controle social. Logo, se espera que emanem exemplos de ação e de reação às coisas contrárias ao bem público, espelhando condutas para os cidadãos se orientarem e refletirem duas principais virtudes inerentes ao poder: admiração e respeito. 

Campo Grande pode perder o cobiçado título de Cidade das Árvores. Não bastasse ocupar sem cerimônia o espaço público, que são nossas calçadas, a concessionária de energia poda nossas árvores, muito mais para proteger os fios de condução de energia e menos com sua importância ambiental. Por que não começar um projeto de tubulação subterrânea dos cabos de condução elétrica no perímetro central, pelo menos? Também não ficam de fora as árvores do entorno do Parque das Nações Indígenas. O Poder Judiciário desmatou uma área verde de proteção ambiental. O prefeito da capital desmatou cinco hectares para fazer uma nova avenida, que, aliás, acelerou, e muito, o assoreamento do lago maior do parque, penalizando as pessoas que diariamente encontram ali um refresco para as neuroses urbanas. Também, misteriosamente, pragas vêm matando mangueiras sexagenárias de uma semana para outra. Ou será que se trata de nova política paisagística? O Aquário do Pantanal é um suplício para os inteligentes, além de causar inveja a muitos pinóquios da era moderna. O salário do pessoal do semiaberto que lá trabalha e se ressocializa está atrasado a mais de um mês. A Casa do Fazendeiro, construída para representar as sedes das fazendas pantaneiras, sofre pichações e abandono como fazem com as políticas públicas culturais. Isso mesmo contando com guardas patrimoniais contratados e com motocicletas à disposição para sua ronda, sem mencionar o posto do Corpo de Bombeiros, da PM e da guarnição da Polícia Ambiental e da cavalaria, sem contar as câmeras de vigilância instaladas nas cinco entradas de acesso ao parque. O espírito ambiental bem que poderia ser incorporado nas prioridades no diretor do Imasul. Gostaríamos que o governador Reinaldo desse um puxão de orelhas no pessoal responsável pelo Parque das Nações e pela reserva ambiental, pois como campo-grandense ele aprendeu a importância das árvores. Não apenas como proteção contra o sol cada vez mais forte, como também por ser um componente cultural das pessoas que aqui nasceram, atraindo inúmeras espécies de pássaros que nos encantam com sua algazarra alegre, mostrando a boa relação entre moradores e pássaros incomum em médios centros brasileiros. Em tempo de mudanças climáticas, todos sabemos da importância do Parque das Nações como local privilegiado para lazer e educação ambiental. Sabemos da sensibilidade do governador com nosso meio ambiente. Com certeza, pela falta de tempo, não está inteirado do desleixo que o parque vem sofrendo. Os funcionários deveriam aprender com o governador que vento no rosto é bem melhor para a saúde do que a poltrona e o ar-condicionado. Dia 13 de novembro a artista plástica Lúcia Martins vai apresentar exposição no Museu de Arte Contemporânea com quadros e fotos que mostram sua enorme preocupação com a importância das árvores, da água e dos animais silvestres para a vida do planeta, que precisa de atenção.

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