A decisão tomada pela CCR é importante para definir o futuro da rodovia, porque abre caminho para novas perspectivas e põe fim à incerteza.
Todo fato sem uma resolução gera ansiedade e angústia. Pergunte para alguém que espera há alguns anos por uma reperação de danos na Justiça, ou que está sendo acusado de algo e quer provar sua inocência, como ele se sente com a longa espera por uma decisão. Também é possível confirmar com alguém que passa por um problema e precisa de uma solução urgente se ele sente-se ou não angustiado por ter de esperar.
Toda incerteza é nociva, por afetar qualquer tipo de planejamento. E podemos combinar que o ser humano que não se planeja (ainda que seus propósitos não ocorram como o esperado) sempre fica à mercê de um risco muito maior do que os que fazem planos com antecedência.
Nesta edição, mostramos que a CCR pediu para sair da concessão da BR-163, certamente, com intenção de participar do processo de relicitação da rodovia, talvez em condições mais atraentes que as do leilão de 2012, quando a economia brasileira e as perspectivas para a década que estava começando eram bem diferentes do cenário que se construiu no período: crise econômica e instabilidade política.
Foi justamente o cenário recessivo que impediu que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal liberassem o valor necessário (e prometido) para a duplicação dos 845 quilômetros de via. Isso não tira a obrigação do compromisso assumido pela CCR ao arrematar o trecho sul-mato-grossense da BR-163. Desde que começou a cobrar pedágio, em 2014, a concessionária faturou um bom dinheiro na rodovia.
Quanto à relicitação, esperamos que ocorra de forma transparente e que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério da Infraestrutura façam um processo de escolha em que a infraestrutura da BR-163 melhore ainda mais, que um preço justo seja cobrado e, claro, que contribua para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
Apesar de todos os problemas envolvendo a concessão da CCR desde o início da década, é salutar enfatizar que, até a década passada, a BR-163 tinha o status de rodovia da morte. Ninguém em Mato Grosso do Sul quer essa realidade de volta para a principal rodovia do Estado.
A decisão tomada pela CCR é importante para definir o futuro da rodovia, porque abre caminho para novas perspectivas e põe fim à incerteza, que, certamente, prejudica todas as partes envolvidas.