O trabalho realizado pelo Garras para evitar roubo ao Banco do Brasil, mostra que o caminho para se combater a criminalidade, passa pela inteligência
O trabalho policial tem duas faces, e ambas são igualmente importantes para o cumprimento de seu papel: coibir a criminalidade, evitar que as pessoas pratiquem crimes e, quando praticam, aplicar a elas a punição necessária. Estas faces são à repressiva e ostensiva, que é mais facilmente vista nas ruas e em combate, e a investigativa, que tem a missão de reunir informações, elaborar estratégias e desmantelar quadrilhas.
Não é o caso aqui de argumentar sobre qual das duas tem papel mais relevante no cumprimento da missão. Elas são duas partes que formam um todo, por isso são necessárias, e devem funcionar em simbiose. O problema é que, de uns anos para cá, a face repressiva da polícia passou a ter uma preferência maior por aqueles que admiram o trabalho da polícia. A prova disso, é o aumento de jogos de videogame onde há confrontos, dos estabelecimentos onde há a oportunidade de simular confrontos e atirar no oponente e, claro, do julgamento sumário da população em situações reais de confronto, em que há mortos.
Certamente que a sede por Justiça, causada pela impunidade, é um dos grandes combustíveis que alimentão a paixão pela repressão e pelo confronto. A ação extrema tem deixado de ser exceção e tem se transformado na regra.
Nesta semana, a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Repressão à Assaltos e Sequestros (Garras) impediu que um furto ao cofre do Banco do Brasil, de proporções gigantescas tornasse realidade em Campo Grande, e isso só foi possível por causa do trabalho de inteligência. Reunir informações, usar a ciência, a experiência em se investigar, e esperar a hora certa para agir, é algo que tem de ser resgatado no trabalho policial brasileiro.
É por meio da inteligência que quadrilhas são desarticuladas. Não é a toa que o termo inteligência é usado para denominar a investigação estratégica e precisa, com poucos efeitos colaterais, e devastadoras para os bandidos. Os policiais do Garras estão de parabéns, por dar o exemplo aos colegas, que investigar não só é preciso, mas também é preciso.
As equipes do Garras poderiam, caso quisessem, ter ou agido contra a quadrilha há alguns meses, desde que as investigações começaram. Mas foi necessária muita obsrvação, checagem de informação e paciência para esperar o momento exato. O uso desta estratégia não somente resultou na identificação de oito envolvidos com o crime, mas também trouxe informações sobre vários imóveis que eles alugaram e deixou pistas necessárias para que se chegue a ainda mais envolvidos. A consequência do trabalho de inteligência, será mais provas no processo criminal, e um poder maior de desarticulação dos envolvidos presos.
A repressão continua sendo necessária, e o trabalho de quem está na linha de frente continua sendo louvável. Mas o trabalho realizado pelos policiais do Garras, mostra que o caminho para se combater a criminalidade, passa pela inteligência.