É do Lula, em entrevista, à Folha de São Paulo e ao jornal El País, que o Brasil está sendo governado por “um bando de malucos”, acreditando, ainda, que a sua prisão foi motivada pelo lado podre do Ministério Público, pelo lado podre da Receita Federal, pelo lado podre da Polícia Federal, enfim, pelo lado podre do Estado brasileiro; ainda, reportando-se ao líder mundial Sergio Moro, não deixou por menos: “Só tem valor se enfiá-lo e batê-lo no liquidificador”.
Entretanto, pelo laureado jornalista J.R. GUZZO, o ex-juiz, hoje ministro, Sergio Moro não é assim considerado. Ao contrário, diz GUZZO: “Desde que Moro assumiu o papel de protagonista, levou à cadeia dois ex-presidentes da República (Lula e Temer), processou outros dois (Dilma e Collor) e praticamente dizimou a carreira de mais de uma centena de outros políticos, entre ministros, governadores, deputados, senadores e dirigentes partidários ao desvendar o maior esquema de corrupção do planeta. O trabalho dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato, com Moro à frente, resgatou um pedaço do Estado que havia sido tomado por criminosos de colarinho branco e também condenou poderosos empresários tidos como intocáveis”.
Entre umas e outras, em uma cerimonia realizada no dia 25/07/2019, em Curitiba, a força-tarefa da Operação Lava Jato devolveu R$ 424,9 milhões à Petrobras. O Ministério Público Federal estima ainda que foram devolvidos para a Petrobras mais de R$ 3 bilhões ao longo da operação. Além disso, houve a devolução de outros R$ 800 milhões, sendo metade para a União, conforme a Lava Jato.
Mais recentemente, a Polícia Federal, em Curitiba, indiciou o ex-presidente lula e Marcelo Odebrecht pelo pagamento de R$ 4 milhões da empreiteira ao INSTITUTO LULA, entre dezembro/2013 e março/2014. Ambos foram indiciados por lavagem de dinheiro no inquérito da Operação Lava Jato.
A grande e boa verdade é que Lula nunca se vergou às tentações. Hoje, embora solto, trava uma batalha constrangedora para não levar ainda uns cem (100) anos de prisão, uma vez que ainda responde por 5 (cinco) ações que tramitam na Justiça Federal de Brasília, por corrupção e lavagem de dinheiro.
Embora escolhido pela revista Fortune como 13º maior líder mundial, nela incluindo o papa Francisco e a líder alemã Ângela Merkel, Sergio Moro é alvo de divulgação de diálogos a ele atribuídos com o procurador Deltan Dallagnol, pelo The Intercept. Entretanto, Moro nega tal conluio, afirmando com Dallagnol não reconhecer de forma alguma a autenticidade da conversa.
Sempre refleti sobre a importância do papel que homem com caráter independente e energia cívica pode desempenhar em nosso país, quando então, o trapaceiro, trampolineiro e achacador Walter Delgatti Neto, mais conhecido como Vermelho e, sobretudo, identificado como o chefão da quadrilha de hackers, livrou Sergio Moro de participar de diálogos; ao contrário, Vermelho confessou à Polícia Federal que hackeou o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol e que, ao invadir os telefones celulares, copiou e divulgou as mensagens das referidas autoridades.
Então, caro leitor(a), o que estamos constatando é o retorno de Lula às atividades políticas, com o mais elevado despudor e, segundo as suas próprias palavras, sentindo-se um jovem equilibrado, chegando ao ponto de declarar para a sua militância em Curitiba e em São Bernardo do Campo que se encontra ainda com “tesão de 20 anos” e que, por essa razão, está apto a retornar às lides políticas e, assim, enfrentar uma candidatura à Presidência da República. (Revista Veja de 20/11/19).
Afinal, agora vem a pergunta: o sentenciado Lula só esperneia?