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Valmir Bolan: "Aumenta a tensão no Irã"

Doutor em Sociologia e professor da Unisa

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O ano de 2020 começa sob tensão, com o agravamento da crise entre Estados Unidos e Irã, não apenas após a morte do general iraniano Qasem Soleimani, mas pelo ataque (por engano) de um míssil iraniano que causou a queda de um avião civil, matando 176 pessoas. Depois de negar por três dias que tivesse sido por uma falha humana, o Irã confirmou tratar-se de um “erro imperdoável” a queda do avião, o que levou milhares de pessoas a saírem às ruas, em protesto, exigindo a renúncia do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. A tragédia foi visto pela comunidade internacional como um sinal de despreparo técnico para um país dominado por uma ideologia teocrática, cujo temor é que venha a adquirir a bomba atômica. A pergunta que se faz é: se o Irã tivesse hoje a bomba atômica, poderia fazer por engano um ataque de proporções catastróficas, vitimando civis?

Khamenei é o sucessor do aiatolá Ruhollah Khomeini e se diz descendente do profeta Maomé. Foi também o 3º presidente do Irã após a Revolução Iraniana de 1979 e, atualmente com 80 anos, é considerado pela revista Forbes a 17ª pessoa mais poderosa do mundo. Entre suas declarações públicas está a negação do holocausto. Para ele, o holocausto é um evento cuja realidade é incerta e, “se aconteceu, é incerto como isso aconteceu”. O Irã tem como inimigo não apenas os Estados Unidos, mas Israel, daí a instabilidade na região que causa o regime dos aiatolás. O presidente Donald Trump mantém duras sanções econômicas contra o país, que se vê agora em protestos contra o seu líder supremo. Desde a Revolução Iraniana de 1979, Khomeini impôs um regime teocrático de poder, com severas restrições nos costumes ocidentalizados. Quarenta anos depois, o Irã se vê acuado e principalmente os jovens saem às ruas questionando os aiatolás xiitas. A falha humana que provocou o acidente de avião que matou 176 pessoas – sendo a maioria dos passageiros iranianos e canadenses – expôs a vulnerabilidade do atual regime no Irã. 

O maior temor desde o início do atual conflito é o de desencadear uma nova guerra mundial. Mas é improvável que isso ocorra. O que o mundo viu foi o despreparo do Irã, cuja queda do avião ucraniano trouxe mais problemas internos do que externos no momento. O fato é que muitos iranianos passaram a questionar publicamente o atual regime iraniano, e não sabemos ainda os desdobramentos dessa grave crise. Rezemos pela paz no Oriente Médio.

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