Em qualquer país sério, as fronteiras são consideradas áreas de segurança nacional. Já passou da hora de o Brasil aumentar a segurança e a estrutura na região.
Desde domingo (19), quando a fuga em massa de dezenas de presidiários da penitenciária de Pedro Juan Caballero levou apreensão aos dois lados da fronteira entre Brasil e Paraguai, praticamente não se fala de outra coisa nos dois países. Do lado de lá, por causa da proporção do evento em relação ao tamanho do país, uma crise de governo se instalou, com autoridades demitidas e dezenas de agentes penitenciários presos por suposta facilitação.
Do lado brasileiro, o trabalho das heroicas e cada vez mais escassas forças de segurança, pelo menos em termos de efetivo, foi redobrado. O leitor poderá perceber nesta edição uma análise mais profunda não somente sobre o evento, que por si só já merece destaque, mas também pelos motivos que deram origem a ele: a pequena, para dizer quase nula, presença do poder público na região.
Há décadas que este veículo denuncia o descaso das autoridades federais na fronteira. Quem mora em Mato Grosso do Sul e, mais precisamente, na faixa de fronteira seca com o Paraguai sabe do que estamos falando. A região, que sempre foi um corredor do tráfico de maconha e do contrabando de produtos para o território brasileiro, agora consolidou-se como uma das principais rotas de escoamento de cocaína não somente para o Brasil, mas também para países da África e da Europa.
Não é de hoje que brasileiros e paraguaios agem com precaução na região. Mas nos últimos quatro anos, desde a execução de Jorge Rafaat em Pedro Juan Caballero, a violência na região recrudesceu.
A lógica na fronteira está invertida. Leitores fiéis do Correio do Estado lembram que, nos dias atuais, as pessoas que têm ocupação lícita, sem ficha criminal, comportamento seguindo as leis dos dois países e vivem nas cidades de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero é que estão presas e os criminosos (não somente os que escaparam, mas também os que nunca foram pegos) é que estão soltos. “Nós é que vivemos em um regime semiaberto”, confidenciou um de nossos leitores.
Tarda o momento de o governo federal provar que, de fato, leva a sério o reforço da segurança na região de fronteira. Não fosse o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), a situação na área estaria pior e mais tensa. Policiais rodoviários federais e policiais federais fazem muito e têm bravura e coragem para combater o crime, mas são poucos e precisam de estrutura.
Em qualquer país sério, as fronteiras são consideradas áreas de segurança nacional. Já passou da hora de o Brasil provar esse tipo de seriedade e aumentar os investimentos em infraestrutura, tropas e efetivos na região. O brasileiro de Mato Grosso do Sul agradece.