A natureza tem seus mistérios. Mistérios que desafiam a inteligência humana a desvendá-los. Sabemos que existem pessoas com deficiências. Gostariam de poder contemplar um pôr do sol. Gostariam de admirar o brilho das estrelas em noite de céu límpido. Apenas poderão imaginar, embora com as descobertas atuais possam ter acesso mais facilitado.
Existem seres humanos que gostariam de contemplar o colorido das flores, mas têm de se contentar com seu perfume. Gostariam de se extasiar com a imensidão das florestas e o infinito do universo. Neste momento, entra em ação a fertilidade da imaginação e a criatividade da inteligência. É possível serem felizes apesar das limitações que a natureza lhes impõe.
Penso agora em tantas pessoas que têm tudo para serem felizes, mas se fazem prisioneiras de suas frágeis limitações. Não limitações físicas, mas limitações espirituais. A ansiedade de poder celebrar pelo menos alguns momentos de paz, de contentamento e de esperança. Isso dói ao coração. São seres humanos prejudicados pela falta de serenidade ao dar de frente com a realidade.
São jovens que se veem envolvidos em nuvens negras de solidão, de tristeza e de angústia. Não se dão conta de que, por trás dessas nuvens, existe um sol disponível para iluminar e aquecer seus passos e seus sentimentos. Sofrem a solidão por não repararem o tanto de mãos estendidas para reerguê-los e reconduzi-los ao caminho da alegria e da paz.
São jovens envelhecendo prematuramente em seus sonhos, em seus projetos e em seus sentimentos. Pararam no tempo. Desistiram de sorrir, de amar e de acreditar. Passaram a não confiar mais em seus planos e nem nas propostas de quem quer lhes ajudar. Entraram em um labirinto estranho e perigoso.
São jovens e adultos que perderam o endereço da alegria, do amor e da fé em Deus. Afastaram-se Dele alegando que Ele teria se afastado deles. Sabemos que de forma alguma isso aconteceria. Em sã consciência, é preciso saber que Deus caminha no mesmo caminho. Respeita o modo de ser e de fazer de quem quer que seja. Não interfere e nem se omite.
Mas uma coisa é certa: ele não concederá tudo o lhe for pedido. É bem verdade também que sempre concederá o que realmente necessitar. Ele está sempre oferecendo luzes e graças para garantir o caminhar pelo caminho certo. Se sair desse caminho, não o abandonará. Aguardará um novo contato e nova oportunidade.
Na Bíblia Sagrada há um fato, entre tantos, que me chama a atenção. O fato de um homem chamado Simeão, que aguardava ansiosamente ver e ter em seus braços o Salvador da humanidade. Nessa ansiedade foi ao Templo acreditando ser atendido. E isso aconteceu.
Esse homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel, contemplou e abraçou essa criança. E, em um gesto feliz, louvou a Deus dizendo: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz. Porque meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todo o povo” (Lc. 2,29-30). Essa foi a recompensa para quem abraçou a fé em Deus. E jamais desistiu.