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Venildo Trevizan: "O amor no caminho"

Frei

Yarima Mecchi

22/02/2020 - 01h00
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Estamos em pleno Carnaval. É motivo muito nobre para a distração, para uma higiene mental, para um descanso físico e até profissional. É motivo ainda para o comércio vender e lucrar. Em alguns ambientes será também motivo de abusos amorosos, de violências sentimentais e até mortes passionais.

Sabemos que a realidade atual em nada acrescenta em suas motivações originais. Hoje notamos que a dignidade e a vida estão em constante perigo. Estão perdendo seu valor sagrado. Às vezes, por motivos fúteis, acabam ceifando vidas inocentes e matando esperanças de amor. Quantos e quantas terão de lamentar sonhos perdidos e terão de amargar esperanças ceifadas.

Felizes aqueles e aquelas que conseguirem fazer desse pequeno espaço do calendário uma oportunidade preciosa de encontros amigos, de divertimentos saudáveis, deixando saudades e planejando novos relacionamentos. Essa deveria ser uma alegria que embalasse corações amadurecidos no amor, partilhando prazeres e tendo a esperança viva de amizades sinceras e construtivas.

Tudo isso seria gerado e conduzido por aquele amor que sempre se renova com o objetivo de garantir uma felicidade constantemente vivenciada para o bem de todos. Esse seria o amor que se encontra no caminho de quem sabe para onde está se dirigindo e qual o objetivo a ser alcançado.

Esse será o amor pensado e trabalhado com o objetivo real de que os sentimentos pessoais se juntem aos demais e formem uma comunidade feliz e próspera. Essa formação se concretizará na medida em que cada um sair um pouco de si para, livremente, contribuir no bem e na felicidade de todos.

Tudo o que for humano se transformará em divino. Tudo o que for profano se tornará sagrado. E isso a partir do momento em que os ouvidos e os corações se abrirem aos ensinamentos do Mestre dos mestres. E ele nos dirá: “Vocês ouviram o que foi dito: ame o seu próximo, e odeie seu inimigo. Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, rezem por aqueles que perseguem vocês. Assim vocês se tornarão filhos do pai que está nos céus” (Mt. 5,43-46).

Os ensinamentos do Mestre sempre contrariam os ensinamentos do mundo. Para o mundo, o amor deverá ser alimentado e oferecido a quem corresponder e agradar. Para quem não comungar dos mesmos interesses, resta a indiferença e até o ódio. O respeito e a compaixão não existem, já que, pelos princípios do mundo, cada qual tem de lutar com suas próprias forças. Pois a vida é uma constante competição, uma eterna guerra. E vencem os mais fortes e mais bem armados.

E aqueles que buscarem nos Evangelhos as orientações para bem viver descobrirão que a única forma de agradar a Deus será respeitando os fracos, perdoando os que erram e orientando os que se encontram perdidos.

E, diante de quem teima em seus vícios e erros, a melhor maneira de recuperá-los será por meio da paciência em aguardar o momento e por meio da delicadeza em convencê-los a mudar. Essa é a pedagogia de Deus. E deverá ser a nossa também. Deus não tem pressa. Nós também não poderemos ter.

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