Uma expressão muito preciosa aparece quando declaramos: “Somos caminheiros nos caminhos da vida”. E como seria importante se conseguíssemos descobrir quais seriam os desejos e os sonhos de tantos e tantas que andam pelo mesmo caminho com os olhos fitos no horizonte e o coração pulsando de esperanças. Como seria confortador saber que à nossa frente há alguém que já passou por dificuldades e dúvidas e agora caminha seguro em seus sonhos.
São homens e mulheres cultivando atitudes espontâneas de amor e de compaixão. Amor pela beleza da vida e compaixão com aquelas pessoas que ainda não descobriram a grandeza de ideais que enobrecem o modo de partilhar sentimentos e emoções que engrandeçam nosso jeito de interpretar e vivenciar os valores da alma e da mente humana.
É importante frisar que estamos no período da Quaresma. Tempo de exercitar a acolhida e a compaixão. Somos caminheiros solidários, e não solitários. Sempre atentos ao que acontece ao nosso redor. Sempre prontos para socorrer e reanimar os corações cansados de lutar, mas com esperança de serem vitoriosos um dia.
No texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano, número 21, “na busca de transformação e santificação, a Igreja no Brasil oferece às comunidades, no tempo da Quaresma, uma realidade para ser refletida e rezada”.
Creio que nesse tempo precioso da Quaresma será importante também analisarmos com empenho e muita fé em maior profundidade o Objetivo Geral e os Objetivos Específicos do Tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”. E o Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. Para melhor entender esse tema, há a proposta de um Objetivo Geral: “Conscientizar à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa casa comum”.
Esses são alguns dos objetivos a serem alcançados. São objetivos que deveriam se tornar alicerces que sustentem as bases afetivas e efetivas na construção de uma sociedade mais justa e mais solidária, abrindo as portas da esperança de um mundo mais nobre e mais irmão.
Essas propostas acontecem todo o ano no período da Quaresma. São situações humanitárias e sociais suplicando solidariedade e compaixão. Solidariedade como atitude de compromisso fraterno. Compaixão como prolongamento das atitudes do Mestre que nos interpela em nosso dia a dia a não olhar de longe, mas fazer-se luz a dissipar as trevas do comodismo e alimentar as atitudes de compaixão.
Todas essas propostas e convites visam conscientizar sobre o plano de uma vida mais humana e mais condizente com os princípios evangélicos. Propor a compaixão. Essa é a meta fundamentada na Palavra de Deus. Propor a ternura no lugar da indiferença. Propor um cuidado especial para com os marginalizados da sociedade no lugar da frieza da alma.
Facilmente alegamos outros compromissos para não aceitar e assumir esses desafios que a fome, o desemprego e as doenças ameaçam nossa segurança. Muitos ainda são os caídos à beira do Caminho e poucos são os que veem, sentem compaixão e cuidam deles.