Via de regra, e de acordo com Lei da Oferta e Demanda o estabelecimento do preço de um produto ou serviço é função do equilíbrio entre a quantidade ofertada pelos produtores e a quantidade procurada pelos consumidores. Assim o economista Adam Smith no Sec.. XVII explicava de acordo com os princípios capitalistas o principal motivo a ser observado para a estabilização dos preços.
De lá para cá, outras variáveis, segundo os economistas, passaram a justificar a alta dos preços, inclusive a melhora do ambiente econômico (o mercado), capaz de pressionar os preços para cima. Outro argumento foca o alto valor do combustível que afeta as “commodities”, e os demais derivados do petróleo causando o aumento dos preços, como um efeito mundial, repassado ao consumidor final.
Um motivo atual toma importância na escalada dos preços dos bens e serviços no mundo, os efeitos climáticos, principalmente sobre a queda da produção de alimentos, levando a diminuição da oferta e a consequente majoração dos valores.
Quando não é a seca, as enchentes e outras intempéries interferem na economia, via produção, abastecimento, custos de energia, transporte, e os consequentes gastos governamentais, para manter os estoques reguladores, para recuperar os danos das catástrofes, para subsidiar os créditos necessários para reerguer as atividades econômicas que vierem a ser prejudicadas ambientalmente. Aí podemos citar os efeitos deletérios da pandemia, não só na saúde, como no social, extensivos a economia mundial.
Além desses argumentos, algumas ferramentas da economia para o controle inflacionário, como o aumento das taxas de juros; e com tal objetivo as autoridades monetárias tentam equilibrar o cambio, que tem taxa flutuante, que oscila novamente com a oferta e procura de divisas estrangeiras, que depende por sua vez dos investidores e das incertezas do mercado frente aos conflitos armados e o aumento do petróleo, que levam ao aumento no custo de produção, e refletem nos preços na economia doméstica.
Outros fatores podem ser considerados e colaboram com a majoração dos preços domésticos como o desabastecimento, o ajuste de preços das concessões, os gastos governamentais e a emissão de moeda, e as expectativas da retomada de crescimento após as adversidades climáticas e a pandemia.
Entre nós podemos citar produtos que passaram de itens corriqueiros para os consumidores a espécies de luxo, dois dentre muitos citamos o azeite e as bananas. O primeiro cuja produção global (Europa) é insuficiente para atender o consumo, como benefícios à saúde e resultado da seca e das altas temperaturas (Espanha) prejudicando a colheita e a queda da safra em Portugal, e Itália.
Temos como explicação também base nos efeitos da economia mundial de que o aumento dos preços do azeite é resultado das guerras em curso entre Israel e Palestina assim como Ucrânia e Rússia. Os países da Europa Oriental são produtores de “azeite de girassol” incomum no consumo brasileiro, os do Oriente Médio são de oliveiras, com uma produção aquém dos nossos vizinhos Chile e Argentina.
O Brasil fica somente atrás da Índia, China e Indonésia como o quarto maior produtor na produção de bananas no mundo e, no entanto por conta da entre- safra, dos custos de transporte, das alterações climáticas, insumos, e a inflação (40%) o preço atingiu às alturas, equiparando aos altos preços do azeite importado resultante das guerras.
Apesar da argumentação econômica, sabemos que os monopólios tem o mando no estabelecimento de preços, e as empresas dominantes aumentam os preços indiscriminadamente numa forma de “ganancia por lucros” na intenção de garantir seus ganhos, usando empréstimos, desonerações e subvenções governamentais enquanto demitem colaboradores e aviltam salários. Essa concentração determina a não só quantidade ofertada de produtos que carteliza a economia, limita as opções de compra. O problema não é exclusividade da inflação, mas a falta de concorrência, e a usura nas transações comerciais.
Esqueçamos as causas do aumento dos preços exorbitantes, e procuremos a forma de combatê-los, como fazem alguns consumidores conscientes pelo mundo, em países economicamente desenvolvidos, e que evitam adquirir produtos cujos preços são abusivos, focando apenas no preço justo (fair market value), comprando produtos de qualidade, na época das safras, deixando por conta do vendedor a percepção que os valores cobrados estão fora da capacidade de compra da maioria da população.
Deixemos de comprar bananas à preço de azeite importado e azeites aos atuais preços das bananas nacionais, e assim daremos valor as “nossas” economias.