Após três anos, nesta semana, a ONU anunciou que o Brasil saiu do chamado Mapa Mundial da Fome, já que menos de 2,5% da sua população estaria em risco de subalimentação, situação em que uma pessoa consome, de forma habitual, menos calorias do que o necessário para manter uma vida ativa e saudável. O Mapa da Fome é elaborado pela FAO, agência da ONU especializada em Alimentação e Agricultura.
Numa primeira e superficial análise, o que se pensa de imediato é que isso tenha ocorrido por conta de programas típicos de assistência social, como o Bolsa Família. Em nota, porém, o governo federal afirmou que a “saída do Brasil do Mapa da Fome é resultado de decisões políticas do governo brasileiro que priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego e renda, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável”.
Ou seja, mais do que assistência social, o fim da fome depende diretamente da geração de empregos. É evidente que, em sã consciêcia, nenhum político ou empresário, seja ele de direita ou de esquerda, teria coragem de defender o fim de determinados programas sociais que garantem renda mínima a milhares de famílias para que tenham acesso a uma alimentação minimamente saudável. Quer dizer, os programas de assistência social são fundamentais em uma sociedade como a brasileira, mas precisam ter cunho transitório.
Porém, normalmente os políticos se recusam a destacar ou até a admitir que, a partir de determinada situação econômica, eles podem e devem ser extintos. Em vez de explicitar que determinado programa pretende ensinar a pescar, certas lideranças políticas dão a entender que vão distribuir peixes pelo resto da vida.
Programas sociais normalmente são atribuídos aos governos de esquerda. O estado de Mato Grosso do Sul reconhecidamente é administrado por políticos que se declaram conservadores e de direita, porém, aparece em um levantamento nacional como o estado que mais destina recursos a programas de assistência social.
Isso evidencia, mais uma vez, que a decisão de investir no combate tem relação mínima com canhotos ou destros. Trata-se, isto sim, de decisões maduras e sensatas capazes de priorizar aquilo que realmente é fudamental para destinar os recursos públicos àquilo que realmente é fundamental.
E tão importante quanto acabar com a fome é a necessidade de direcionar estes programas sociais num rumo que obrigatoriamente tenha porta de saída. Esta porta, necessariamente, precisa ser de entrada ao mercado de trabalho, uma vez que somente a capacidade de ter a própria renda consegue levar uma sociedade a subir degraus na escada do desenvolvimento verdadeiro. Este mercado de trabalho (leia-se empregador), por sua vez, precisa entender também que, na realidade atual, em que menos gente está na linha de pobreza, automaticamente as exigências sobre o valor de salário passam para outro patamar. Ou que, em uma sociedade com menos gente desesperada por emprego, melhores precisam ser os salários.