A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) merece destaque e reconhecimento público pela maneira como atuou no caso que envolve suspeitas de desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Selvíria.
Num país em que tantas vezes a corrupção se instala de forma silenciosa, sem que haja mecanismos de controle eficientes, é alentador ver uma secretaria identificar irregularidades dentro de sua própria estrutura e tomar a iniciativa de comunicar as autoridades competentes.
Foi graças a uma auditoria conduzida pela SES que surgiram os indícios de desvio, posteriormente entregues à Polícia Federal, que passou a conduzir as investigações formais.
Esse episódio deixa claro o quanto a ação técnica e responsável dos servidores públicos pode fazer diferença no combate às más práticas. Não se trata apenas de identificar falhas administrativas, mas de assumir a responsabilidade de impedir que o dinheiro do contribuinte seja mal utilizado.
O relatório da SES mostrou que a auditoria, quando bem-feita, não é mera burocracia, mas sim uma ferramenta poderosa para resguardar os recursos destinados à Saúde, uma das áreas mais sensíveis e mais carentes de atenção.
Neste aspecto, o governo de Mato Grosso do Sul, por meio da SES, merece parabéns. O trabalho de controle realizado demonstra maturidade institucional e, acima de tudo, disposição para enfrentar um dos maiores problemas do serviço público brasileiro: o desvio de recursos que deveriam chegar até a ponta, em que estão os cidadãos que dependem exclusivamente do SUS.
Cada real desviado significa menos medicamentos, menos consultas, menos estrutura para hospitais e unidades básicas. Combater essa prática é, em última análise, proteger vidas.
Mais do que uma ação pontual, o episódio de Selvíria precisa ser encarado como exemplo e referência para toda a administração estadual. Outras secretarias deveriam adotar o mesmo espírito de vigilância permanente e de compromisso com a integridade da gestão.
A auditoria não pode ser vista como um ato eventual ou emergencial, mas sim como parte do cotidiano da administração pública. Fiscalizar contratos, conferir documentos, cruzar informações e, sobretudo, agir com transparência são atitudes que previnem prejuízos e elevam a confiança da sociedade nos gestores.
Nesse ponto, é válido olhar para práticas já consolidadas no âmbito federal. A Controladoria-Geral da União (CGU) se tornou uma referência ao publicar seus relatórios de auditorias em um portal acessível a qualquer cidadão.
Trata-se de uma política de transparência que não apenas expõe falhas, mas fortalece o controle social, permitindo que todos acompanhem o destino dos recursos públicos. O governo estadual, que também dispõe de uma Controladoria própria, poderia avançar nesse caminho, ampliando a publicidade de seus relatórios e transformando a transparência em política permanente.
A investigação do cumprimento de contratos e a busca por eficiência devem andar de mãos dadas com o combate à corrupção. Não basta exigir que uma obra seja entregue no prazo ou que um serviço funcione regularmente.
É preciso garantir que cada centavo seja aplicado de acordo com a lei, sem desvios que beneficiem grupos ou indivíduos em detrimento do interesse coletivo. Esse compromisso precisa ser contínuo.
O combate à corrupção não se encerra em uma operação da Polícia Federal ou em um relatório de auditoria. Ele deve ser um processo constante, que se renova a cada contrato assinado, a cada serviço prestado.