Até que enfim o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) tomou uma atitude concreta em relação às balanças rodoviárias. A reativação de uma balança móvel para fiscalizar o fluxo de caminhões com excesso de peso nas rodovias federais, medida anunciada nesta semana, é um gesto que precisa ser reconhecido. Afinal, trata-se de um passo essencial para a preservação do asfalto, para a segurança viária e para a eficiência da infraestrutura de transportes no País.
Nesta edição, mostramos que a BR-262 é a prioridade dessa fiscalização, sobretudo porque concentra um grande fluxo de caminhões carregados de minério de ferro extraído do Maciço do Urucum, em Corumbá. Trata-se de uma rota estratégica não apenas para Mato Grosso do Sul, mas para todo o corredor logístico que conecta o Centro-Oeste aos portos do Sudeste. A sobrecarga constante nessa rodovia tem acelerado a deterioração do pavimento e colocado em risco a segurança de motoristas que dependem da via diariamente.
É inegável que a decisão do Dnit merece aplausos. Mas seria ingênuo ignorar a demora em agir. Há anos, especialistas, transportadores conscientes e a própria sociedade civil cobram maior rigor na fiscalização de peso nas estradas federais. O excesso de carga é um dos maiores inimigos do asfalto: reduz drasticamente sua vida útil, multiplica os custos de manutenção e, de quebra, compromete a segurança, aumentando as chances de acidentes graves. O que vemos agora, portanto, não é um avanço inovador, mas o cumprimento tardio de uma obrigação básica.
A preservação da malha rodoviária depende, sim, de obras de manutenção e de investimentos em duplicações, recapeamentos e novos trechos. Mas depende, igualmente, de algo mais simples e barato: o uso correto das estradas. Um caminhão que trafega com peso muito acima do permitido compromete o asfalto em proporção muito maior do que 10 veículos regulares juntos.
Ao fiscalizar o excesso de peso, o poder público não apenas protege a infraestrutura já existente, mas também garante que os investimentos feitos com recursos do contribuinte tenham maior durabilidade e eficiência.
Por isso, o retorno da balança móvel é positivo, mas precisa ser apenas o começo. Não basta fiscalizar em pontos isolados ou em operações pontuais. É necessário criar uma rotina de vigilância permanente, com uso de tecnologia, integração com outros órgãos e aplicação efetiva de penalidades. Só assim será possível desestimular a prática irregular que, no fim das contas, penaliza todos os cidadãos.
Os motoristas de caminhões que respeitam a lei, as transportadoras que operam dentro dos limites e os usuários comuns das rodovias têm muito a ganhar com essa fiscalização. Rodovias mais preservadas significam viagens mais seguras, menor risco de acidentes, menores custos de frete e mais competitividade para a economia nacional. O cidadão comum, que hoje sofre com estradas esburacadas, agradece.
Que a medida não seja apenas um ato isolado, mas o início de uma política contínua e responsável. Afinal, a boa infraestrutura não nasce apenas de grandes obras: nasce também da disciplina e do respeito às regras que garantem sua longevidade.