Artigos e Opinião

Editorial

Contrabando, crime, saúde e arrecadação

Avanço do cigarro clandestino fortalece organizações criminosas, alimenta outras rotas do tráfico, reduz a arrecadação pública e amplia os prejuízos à saúde da população

O aumento das apreensões de cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul, mostrado em reportagem publicada nesta edição, revela duas realidades que caminham lado a lado.

A primeira é positiva: as forças de segurança seguem atuando e conseguindo interceptar cargas ilegais que atravessam as fronteiras do Estado.

A segunda, no entanto, é preocupante: o volume crescente de apreensões também evidencia a força, a organização e a capacidade financeira das redes criminosas que operam no contrabando de cigarros.

É justamente por isso que MS precisa avançar para uma nova etapa no combate a esse tipo de crime. Não basta apenas apreender caminhões, fechar depósitos ou prender pequenos transportadores, é preciso atingir o coração financeiro da engrenagem clandestina que sustenta o contrabando e que conecta organizações criminosas no Brasil e no Paraguai, país que se consolidou como um dos principais polos produtores de cigarros ilegais destinados ao mercado brasileiro.

O enfrentamento precisa ser mais incisivo e profundo, e isso inclui investigar toda a cadeia criminosa que dá suporte ao contrabando.

O histórico de operações policiais e investigações já demonstrou que essas redes não sobrevivem apenas da ousadia dos criminosos.

Em muitos casos, contam também com proteção e colaboração de agentes públicos, inclusive integrantes das próprias forças de segurança estaduais. 

Combater o contrabando de cigarros também significa combater o tráfico de drogas. Nas rotas clandestinas da fronteira, a lógica é simples e conhecida por qualquer autoridade policial: onde passa uma mercadoria ilegal, passam outras.

As mesmas estradas vicinais, os mesmos atravessadores, os mesmos esquemas de corrupção e logística utilizados para transportar cigarros também servem para abastecer o narcotráfico, o tráfico de armas e outros crimes transnacionais.

Portanto, sufocar financeiramente as quadrilhas de cigarro clandestino representa um golpe em toda a estrutura do crime organizado que atua na região de fronteira.

Não se trata apenas de uma questão tributária ou comercial, trata-se de segurança pública e de fortalecimento institucional.

Há ainda um impacto direto sobre as contas públicas e sobre a saúde da população. A política tributária aplicada aos cigarros no Brasil existe justamente para desencorajar o consumo de produtos que comprovadamente causam doenças graves e elevam os gastos do sistema público de saúde.

Quando o contrabando coloca no mercado cigarros mais baratos, livres de impostos e sem controle adequado, cria-se um ambiente propício para o aumento do consumo, especialmente entre a população mais pobre.

O resultado é perverso: reduz-se a arrecadação do Estado ao mesmo tempo em que aumentam os custos futuros com tratamentos médicos, internações e doenças relacionadas ao tabagismo. O cigarro clandestino enfraquece as instituições em diversas frentes.

Por isso, combater o contrabando não pode ser tratado apenas como uma ação de rotina nas fronteiras, é uma estratégia essencial para proteger a economia formal, fortalecer as forças de segurança, reduzir o poder do crime organizado e preservar a saúde pública.

Assine o Correio do Estado

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).