Artigos e Opinião

EDITORIAL

Clima: prevenção é o melhor caminho

Ser previdente é se preparar para o pior sem desejar que ele aconteça. Se as previsões mais severas não se confirmarem, será motivo para comemorar

Muito se tem falado sobre o El Niño nos últimos meses. Há uma razão para isso: a expectativa é de que o fenômeno climático tenha forte intensidade, o que aumenta a preocupação com as consequências que ele poderá provocar em diferentes regiões do País.

É compreensível que parte da população já esteja cansada de ouvir sobre o assunto. Afinal, as projeções são repetidas e, em certa medida, as consequências já são conhecidas: possibilidade de seca em áreas do Brasil central e excesso de chuvas na região meridional.

Ainda assim, insistir na informação não é exagero. Quando se trata de fenômenos climáticos, conhecimento também é uma ferramenta de prevenção.

Mato Grosso do Sul, como o Correio do Estado já mostrou, está exposto às duas projeções. O Estado pode enfrentar estiagem e forte calor, ao mesmo tempo em que determinadas áreas podem registrar volumes elevados de chuva. Essa condição exige atenção de governos, produtores rurais, empresas e população.

É importante que todos saibam, com antecedência, o que pode acontecer. Uma população informada tem melhores condições de se organizar, tomar decisões e reduzir os impactos de eventos extremos.

Quem conhece os riscos consegue se preparar, seja reforçando estruturas, planejando atividades, protegendo a produção ou adotando cuidados capazes de evitar prejuízos.

Há, evidentemente, uma margem de incerteza em toda previsão climática. Os fenômenos podem não se manifestar exatamente da maneira ou com a intensidade projetada. E isso seria uma excelente notícia. O fato de uma previsão não se confirmar, porém, não significa que tenha sido errado se preparar para ela.

O Pantanal é um exemplo claro dessa lógica. O que todos desejamos é que não ocorram grandes incêndios na região. Se os fenômenos climáticos não forem tão intensos quanto o previsto e as condições não favorecerem uma temporada severa de queimadas, melhor.

Mas, diante da possibilidade de um cenário adverso, é fundamental que o poder público e os setores envolvidos estejam preparados para agir rapidamente.

Prevenção não significa afirmar que uma tragédia necessariamente acontecerá. Significa reconhecer a possibilidade e adotar medidas para reduzir seus efeitos. Se nada ocorrer, tanto melhor. O investimento feito em preparação terá cumprido sua função justamente porque a sociedade estará mais segura e organizada.

Em questões climáticas, esperar a confirmação do problema para começar a agir pode custar caro. É necessário acompanhar as previsões, atualizar os cenários e adaptar as estratégias conforme novas informações surgirem.

Pode haver quem considere repetitivo ouvir sobre o El Niño. Mas a repetição também cumpre uma função. Quanto mais pessoas estiverem conscientes dos riscos, maior será a capacidade coletiva de enfrentá-los.

Ser previdente é se preparar para o pior sem desejar que ele aconteça. Se as previsões mais severas não se confirmarem, será motivo para comemorar. Mas ninguém deverá se arrepender de ter se preparado.

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