Artigos e Opinião

ARTIGOS

A Rota Bioceânica e o barão do Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão, foi um diplomata brasileiro que atuou na defesa dos interesses do Brasil em questões fronteiriças e de integração com países vizinhos

Continue lendo...

A ideia de uma ferrovia ligando o Brasil à Bolívia foi um projeto antigo, e o barão do Rio Branco teve papel importante na concepção desse projeto.

A Ferrovia Brasil–Bolívia, também conhecida como Ferrovia do Pantanal, foi um projeto que visava ligar o Porto de Santos, no Brasil, à cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, passando pelo Pantanal. O objetivo era facilitar o comércio e a integração entre os dois países.

O barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior, foi um diplomata brasileiro que atuou na defesa dos interesses do Brasil em questões fronteiriças e de integração com países vizinhos.

Ele teve papel-chave nas negociações que envolviam a construção dessa ferrovia, especialmente no Tratado de Petrópolis (1903), quando era ministro das Relações Exteriores. Durante sua gestão, fortaleceu a imagem internacional do Brasil e consolidou a tradição diplomática baseada na solução pacífica de conflitos.

O barão do Rio Branco foi um estadista na concepção da palavra, até porque ser um estadista é mais do que ocupar um cargo público.

É ter visão, liderança e habilidade de tomar decisões que beneficiem o bem comum, pensando no longo prazo e no futuro da nação. É ter visão estratégica e conseguir articular um projeto de país.

É ter a capacidade de unir pessoas e construir consensos em torno de objetivos comuns, além de tomar decisões difíceis, mas necessárias, para o bem da coletividade; é ser ético, transparente e responsável em suas ações.

A Rota Bioceânica, uma obra em andamento, quando terminada, bem poderia ser batizada como “Rota Bioceânica Barão do Rio Branco”, em homenagem a esse grande estadista brasileiro, hoje pouco lembrado, mas que teve a visão de um verdadeiro estadista na construção de uma importante ferrovia internacional que ligaria o Brasil ao resto do mundo por meio do Oceano Pacífico.

Quem diria que essa obra teve sua concepção há 120 anos?

O presidente da Bolívia, no momento em que anunciou o interesse de seu país em integrar a Rota Bioceânica, teve um papel de estadista, porque entendeu que essa integração beneficiará seu país, seu povo e os países com os quais a Bolívia faz fronteira, e que, unidos, poderão formar um bloco muito forte economicamente falando, tendo como liderança o nosso Brasil.

Felizes mesmo estamos nós, os sul-mato-grossenses, que teremos duas vias para exportar nossas riquezas: via Paraguai e, agora, via Bolívia.

As expectativas são altamente positivas para o Brasil, mas, particularmente, para a economia de Mato Grosso do Sul, com geração de milhares de empregos e aquecimento de todos os setores da economia.

Porém, isso exigirá dos gestores públicos a imediata melhoria das vias de acesso, tanto terrestres quanto das hidrovias, formando uma verdadeira rede logística que consolidará de vez a economia regional. Viva o barão do Rio Branco, o estadista!

ARTIGOS

O Judiciário brasileiro para além de suas crises

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa

21/09/2026 07h30

Continue Lendo...

A afirmação do ministro Flávio Dino de que vivemos “o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário” é grave e merece reflexão.

Pronunciada por um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) durante uma sessão marcada por discussões intensas e acusações relacionadas a fatos igualmente graves, a declaração naturalmente alcançou grande repercussão.

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa. Se existem indícios de ilícitos praticados por magistrados, servidores, advogados ou quaisquer outros agentes do sistema de Justiça, tais indícios demandam investigação independente, transparente e rigorosa.

Comprovadas as irregularidades, seus responsáveis devem ser punidos nos termos da lei, independentemente do cargo que ocupem.

As instituições não se fortalecem pela ocultação de seus problemas, mas pela capacidade de enfrentá-los. Também por isso, a crítica formulada pelo ministro Flávio Dino não pode ser simplesmente ignorada.

É preciso, entretanto, fazer uma distinção indispensável. O Poder Judiciário brasileiro não se resume aos episódios atualmente discutidos em Brasília, tampouco às condutas atribuídas a algumas pessoas.

Ele é formado por milhares de magistradas e magistrados, além de servidoras e servidores, que trabalham diariamente em todas as regiões do País.

São profissionais que realizam inúmeras audiências, proferem milhares de atos processuais e enfrentam o maior acervo processual do mundo. Na imensa maioria dos casos, desempenham esse trabalho com honestidade, dedicação, independência e profundo senso de responsabilidade.

Esse cotidiano raramente ocupa as manchetes. A atividade regular e silenciosa de quem cumpre corretamente o seu dever não costuma produzir notícia.

Casos de desvio, ao contrário, despertam atenção imediata, o que não necessariamente nos incomoda, porque todo ato de corrupção praticado no sistema de Justiça é especialmente grave. Quem tem a missão de aplicar a lei deve estar submetido a elevados padrões éticos.

O perigo surge quando fatos individualizados, ainda que graves, passam a alimentar uma suspeita indiscriminada sobre toda uma instituição. A generalização não contribui para o aperfeiçoamento do Judiciário.

Além de ser injusta com milhares de profissionais honestos, ela pode enfraquecer a confiança da sociedade justamente na instituição à qual os cidadãos recorrem quando seus direitos são violados.

A confiança pública não se preserva por meio do silêncio ou da complacência. Preserva-se com investigação responsável, devido processo legal, transparência e responsabilização individual.

É necessário identificar com clareza os fatos e seus possíveis autores, evitando que acusações genéricas lancem uma sombra sobre todos aqueles que integram o sistema de Justiça.

Reconhecer a existência de problemas não significa condenar toda a instituição. Da mesma forma, defender o Judiciário não significa proteger eventuais desvios.

A verdadeira defesa institucional consiste precisamente em separar as condutas individuais da atuação da imensa maioria, enfrentar os erros com coragem e preservar aquilo que continua funcionando com seriedade.

O Judiciário brasileiro certamente tem falhas e enfrenta uma crise de confiança que não pode ser desprezada. Mas continua sendo composto, em sua grande maioria, por pessoas honestas e trabalhadoras, comprometidas com a Constituição da República e com a realização da Justiça. Essa realidade também precisa ser dita.

ARTIGOS

Porque carreira não é sorte; é estratégia

Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial

21/09/2026 07h20

Continue Lendo...

Há alguns anos, quando fui a primeira mulher a assumir a gestão da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), muita gente perguntou como eu tinha chegado lá. A resposta que dou hoje é diferente da que eu mesma teria dado no começo da minha trajetória.

Eu não venho de uma família de advogados. Estudei em escola pública e trabalhei para pagar minha faculdade. Não tinha uma rede pronta me esperando. Por muito tempo, acreditei que bastava trabalhar duro.

Foi só quando percebi que trabalho duro sem direção não constrói caminho, mas apenas cansaço, que as coisas começaram a mudar. O que mudou minha trajetória não foi um golpe de sorte. Foi estratégia.

Compartilho isso porque sei que não sou a única a se perguntar, em algum momento: quero uma carreira de sucesso, mas não sei por onde começar. Quero viver da advocacia, mas ainda estou longe de fechar um bom contrato.

Quero passar num concurso, mas não sei como organizar meus estudos. Se essa é a sua pergunta, este texto é para você.

O ponto de partida é você. Carreira é uma sucessão de escolhas.

Costumamos achar que tudo vai se decidir num grande evento: o concurso, o cliente importante, a oportunidade única.

Mas quando esse momento chega, esquecemos que, na verdade, a carreira já estava sendo construída há muito tempo: no estágio escolhido, no evento em que se fez presente, no trabalho bem-feito quando ninguém estava olhando.

E tudo isso acontece hoje em meio a uma disrupção tecnológica que já atravessa a advocacia e muitas outras áreas. Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial. Isso é base.

Por isso, defendo que toda carreira deveria ser tratada como se fosse uma empresa: com objetivos claros, planejamento, metas, acompanhamento de resultado e correção de rota.

Mas como planejar? O processo, na minha experiência, não precisa ser complicado. Primeiro, um diagnóstico honesto do ponto de partida – pergunte a si mesmo: quem sou eu hoje? Qual é o meu objetivo? O que estou fazendo me levará até ele? Depois, metas claras que devem ser executadas com compromisso e rotina.

Em seguida, pergunte-se: quantas horas vou dedicar a melhorar as competências (conhecimento, habilidade e atitude) que preciso desenvolver?

Por fim, execute e monitore. Funcionou? Continue. Não funcionou? Ajuste. Seu plano é um guia, não uma camisa de força.

Carreira não é o que acontece com você. Carreira é o que você constrói. Estratégia não é adivinhar o futuro. É dar o próximo passo com consciência. E, se existe um bom momento para começar a traçar o seu caminho, esse momento é agora.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).