Artigos e Opinião

ARTIGOS

Acordo UE-Mercosul: impacto, alerta à pecuária leiteira e oportunidades

Enquanto algumas cadeias enxergam potencial de ampliação de mercados, a pecuária leiteira surge como a mais apreensiva

Continue lendo...

A recente assinatura do acordo de parceria entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, oficializada no Paraguai, marca um novo capítulo nas relações comerciais internacionais do Brasil.

Após mais de duas décadas de negociações, o tratado avança do campo político para o prático, reascendendo um debate que envolve expectativas, oportunidades e, sobretudo, preocupações legítimas do setor agropecuário nacional.

No cenário brasileiro, o acordo gera reações distintas entre os segmentos do agro. Enquanto algumas cadeias enxergam potencial de ampliação de mercados, a pecuária leiteira surge como a mais apreensiva.

O setor teme o aumento da concorrência com produtos europeus fortemente subsidiados, que podem entrar no mercado brasileiro com preços mais competitivos, pressionando margens, afetando a renda do produtor e ampliando desigualdades em uma atividade já marcada por altos custos de produção e forte dependência de políticas públicas.

Essa preocupação precisa ser tratada com seriedade, diálogo e medidas de proteção adequadas.

Quando olhamos para a pecuária de corte, aves e suínos, o acordo prevê cotas específicas de exportação com tarifas reduzidas, e não uma abertura ampla e irrestrita do mercado europeu.

No caso da carne bovina, por exemplo, a cota estimada é de aproximadamente 99 mil toneladas para todo o Mercosul, volume modesto diante da produção brasileira.

Isso evidencia que o acesso ao mercado europeu será limitado, competitivo e focado em produtos de maior valor agregado, e não uma solução imediata para o escoamento da produção nacional.

No entanto, é impossível discutir esse acordo sem aprofundar o debate ambiental e, principalmente, a questão da rastreabilidade.

As exigências que vêm sendo colocadas não se limitam apenas aos produtores que pretendem exportar para a União Europeia, elas tendem a se tornar obrigatórias para toda a cadeia produtiva, criando um ambiente de burocracia crescente, aumento de custos e riscos de exclusão produtiva.

A rastreabilidade, da forma como está sendo desenhada, pode gerar um impacto gigantesco sobre a pecuária extensiva, realidade predominante em Mato Grosso do Sul e, de maneira ainda mais sensível, no Pantanal.

Trata-se de uma pecuária complexa, baseada em grandes áreas, manejo tradicional, desafios logísticos e ambientais próprios de um bioma único.

Imposições padronizadas, pensadas a partir de realidades completamente distintas, acabam desconsiderando essas especificidades e podem, na prática, tirar produtores do mercado, mesmo aqueles que produzem de forma sustentável e legal.

É justamente nesse ponto que surge o alerta: exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade precisam ser construídas com critérios técnicos, prazos viáveis e políticas de transição.

Essas exigências devem ficar restritas aos produtores que desejarem participar do processo, sendo essa a única forma de poder criar benefício à ponta final da cadeia, ou seja, o produtor.

Caso contrário, o acordo pode se transformar em um instrumento de exclusão produtiva, penalizando sistemas extensivos sustentáveis e comprometendo a competitividade da pecuária brasileira.

Ainda assim, Mato Grosso do Sul reúne condições estratégicas importantes. O Estado tem avançado em sanidade animal, bem-estar, boas práticas produtivas e programas de sustentabilidade, o que pode abrir oportunidades para produtores que conseguirem se adaptar às exigências de mercados premium.

Mas isso só será possível com apoio institucional, assistência técnica, segurança jurídica e investimentos em tecnologia acessíveis também aos pequenos e médios produtores. É fundamental manter os pés no chão.

A União Europeia não flexibilizará suas exigências e o acordo prevê mecanismos de salvaguarda que permitem a suspensão de importações caso haja risco ao mercado interno europeu, ou seja, o acesso existe, mas será rigorosamente fiscalizado, técnico e condicionado ao cumprimento de regras claras, muitas delas ainda em construção, que impactarão toda a cadeia.

Em síntese, o acordo UE–Mercosul, agora formalmente assinado, representa uma oportunidade seletiva, mas também um grande desafio. Ele exige cautela, especialmente para a pecuária leiteira, e atenção redobrada quanto às exigências ambientais e de rastreabilidade que podem comprometer sistemas produtivos tradicionais, como a pecuária extensiva do Pantanal.

Cabe às lideranças do agro, às entidades representativas e ao poder público garantir que esse novo cenário não resulte em exclusão, mas sim em desenvolvimento, competitividade e valorização da produção brasileira, respeitando a realidade do campo e a soberania produtiva do País.

EDITORIAL

Desonestidade paira sobre as bombas

Distribuidoras e postos precisam agir com mais transparência e responsabilidade. Cabe ao poder público fortalecer a fiscalização e evitar que irregularidades sejam aceitas

18/03/2026 07h15

Continue Lendo...

A recente fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em Mato Grosso do Sul joga luz sobre um problema que há muito tempo paira sobre o mercado de combustíveis: a fragilidade na garantia de qualidade e transparência ao consumidor.

Nesta edição, mostramos que alguns postos em Campo Grande foram autuados por irregularidades que vão desde a venda de combustível fora das especificações técnicas até a ausência de informações básicas, como a identificação das distribuidoras responsáveis pelos produtos comercializados.

Trata-se de um trabalho louvável por parte da ANP, que, mesmo com limitações evidentes de pessoal e estrutura, segue cumprindo seu papel de fiscalizar um setor sensível da economia.

É preciso reconhecer o esforço da agência reguladora, sobretudo em um momento de alta nos preços dos combustíveis, em especial do óleo diesel, que impacta diretamente toda a cadeia produtiva e o custo de vida da população.

Ainda assim, é impossível ignorar que a atuação poderia ser mais abrangente caso houvesse reforço institucional. A participação de órgãos estaduais, como o Procon, e do Inmetro em ações conjuntas ampliaria o alcance das fiscalizações e aumentaria a segurança de quem depende diariamente desses produtos.

O cenário revelado pelas autuações também expõe uma face preocupante do setor. Nos últimos dois anos, enquanto oscilações internacionais e políticas internas influenciaram os preços, muitos postos e distribuidoras ampliaram suas margens sem repassar integralmente ao consumidor as eventuais quedas de custo.

Agora, a constatação de que parte desses estabelecimentos pode estar, além disso, comercializando combustível fora das especificações levanta suspeitas ainda mais graves sobre práticas que ferem não apenas o bolso, mas também a confiança do consumidor.

A venda de combustível irregular não é uma infração menor. Trata-se de uma conduta que pode causar danos mecânicos, aumentar a emissão de poluentes e comprometer a segurança. Mais do que isso, revela desrespeito com o cliente, que paga caro por um produto que deveria seguir padrões rigorosos de qualidade.

Diante desse quadro, é urgente que o setor reveja suas práticas. Distribuidoras e postos precisam agir com mais transparência e responsabilidade em todos os aspectos de sua atividade.

Ao mesmo tempo, cabe ao poder público fortalecer a fiscalização e garantir que irregularidades não sejam tratadas como exceção tolerável, mas como desvios inaceitáveis. Afinal, em um mercado tão essencial, honestidade não deveria ser diferencial, deveria ser regra.

Artigo

A ficção científica salvará a humanidade

Entre esses exemplos, "Star Trek" e "Tron" mostraram muitas inovações a frente do seu tempo e que estão no dia a dia da sociedade

17/03/2026 07h42

Arquivo

Continue Lendo...

A ficção científica sempre brinca sobre novas ciências, tecnologias e equipamentos. Não existe nada que possa impedir a imaginação humana de criar e de pensar em como será a sociedade humana daqui a séculos, seja esse futuro otimista ou pessimista. 

A ficção sempre imaginou como seria a evolução científica e tecnológica da sociedade e, em alguns momentos, até acertou. Temos vários exemplos de livros, séries e filmes que mostram um equipamento futurista que, anos depois, foi criado e virou parte do dia a dia. Mas também temos vários que não acertaram nada, nem de perto. 

Entre esses exemplos, “Star Trek” e “Tron” mostraram muitas inovações a frente do seu tempo e que estão no dia a dia da sociedade. Já “De volta para o Futuro” apresentou algumas inovações no ano de 2015, que até hoje o humano não tem ideia de como criar.

Os filmes “2001 – Uma Odisseia no Espaço” e “Exterminador do Futuro” mostravam inteligências artificias que todos viam como algo quase impossível e que hoje, nas devidas proporções, são usadas até por crianças. 

O importante é que essa imaginação pode, às vezes, criar um impulso, um despertar e uma nova forma de ver o problema, fazendo cientistas e até inventores tentarem criá-las e desenvolvê-las, ajudando na evolução humana.

Porém, a ficção, muitas vezes, mostra o resultado e as consequências dessas inovações, de forma extrapolada, supernegativa e até catastrófica, mas tenta conscientizar que, mesmo que a humanidade chegue nesse desenvolvimento, é preciso ter precauções. 

A literatura utiliza dessa imaginação para entreter, instigar e aguçar a curiosidade e o interesse, mas de modo proposital também tenta profetizar, pois, se acerta, a obra será lembrada para sempre. 

Por pura imaginação, por ego ou outro motivo qualquer, as criações da ficção científica podem, “sem querer”, ajudar, e por que não, até salvar a espécie humana. Quem sabe até o planeta, mostrando o que poderá vir e o que poderá acontecer, para que todos se preparem para o melhor ou para o pior. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).