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As mulheres que carregam vaga-lumes no estômago iluminam a história

A coragem de iluminar caminhos em meio à escuridão em histórias de mulheres, que tem necessidade de resistir

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Todas as mulheres carregam vaga-lumes no estômago, segundo um antigo ditado galego. Em algumas, estes vaga-lumes estão adormecidos, mas podem acordar a qualquer momento, em outras, por vezes cansados da luta, deitam-se para repousar.

E há aquelas movidas por uma inquietação que não se apaga, por uma luz interior que insiste em brilhar mesmo quando o mundo lhes pede discrição. Não se acomodam diante das injustiças, desafiam convenções e transformam a realidade.

Os vaga-lumes simbolizam a coragem de iluminar caminhos em meio à escuridão. Na história das mulheres, essa luz frequentemente nasce da necessidade de resistir. Durante séculos, elas foram privadas da educação, da participação política, da autonomia sobre o próprio corpo e sobre o próprio destino.

A história costuma destacar generais, presidentes e grandes conquistadores. Entretanto, junto a cada transformação social existem mulheres que desafiaram o medo. Algumas tiveram seus nomes registrados nos livros. Outras permaneceram anônimas, mas foram igualmente decisivas.

Eram mães que protegeram seus filhos em tempos de guerra, professoras que ensinaram quando educar era um ato de resistência, cientistas que precisaram assinar pesquisas com nomes masculinos, escritoras que romperam o silêncio, enfermeiras e médicas que apostaram pela vida em meio a guerras e epidemias, e ativistas que enfrentaram regimes autoritários, muitas vezes lado a lado com os homens nas trincheiras, para defender direitos.

Essas mulheres tinham algo em comum: recusavam-se a aceitar que o impossível fosse definitivo. Seus vaga-lumes não eram feitos de ingenuidade, mas de convicção. Sabiam que toda mudança começa como uma pequena centelha, quase invisível, até que sua luz encontre outras capazes de multiplicá-la.

Na literatura, encontramos inúmeras personagens movidas por essa mesma chama. São heroínas imperfeitas, que sentem medo, fracassam e duvidam de si mesmas, mas continuam caminhando.

Elas nos lembram que coragem não significa ausência de medo, e sim a decisão de seguir apesar dele, desvelando uma verdade profundamente humana.

Também na vida cotidiana existem mulheres com vaga-lumes no estômago.

São empreendedoras que recomeçam depois de uma derrota, pesquisadoras que dedicam anos à busca de respostas, voluntárias que acolhem desconhecidos, artistas que transformam dor em beleza, mulheres que insistem em dançar mesmo obrigadas a usar véus. Infelizmente, nem todas aparecerão nas manchetes.

A sociedade precisa da sensibilidade destas mulheres, da sua inteligência e da sua coragem de imaginar futuros diferentes, pois quem carrega vaga-lumes no estômago continua lembrando que a esperança não é um sentimento passivo. Ela exige ação, compromisso e perseverança.

Cada mulher que decide romper barreiras acende um novo vaga-lume, tornando o caminho menos escuro para quem virá depois.

A história não é movida apenas pelos grandes acontecimentos. Ela também avança pelas pequenas luzes que se recusam a se apagar. E são as mulheres com seus vaga-lumes no estômago que, geração após geração, continuam iluminando essa aventura terrestre.

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Quem responde quando a IA erra?

A inteligência artificial faz parte de hospitais com organização de filas, triagem, e alterações em exames de imagem

04/08/2026 07h15

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Os sistemas de inteligência artificial (IA) já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Em hospitais, organizam filas, fazem triagem, apontam alterações em exames de imagem, transcrevem consultas e auxiliam a decisão clínica.

Afinal, vamos confiar num sistema que promete acurácia ou num médico cansado, que precisa olhar uma radiografia de tórax às 3h e decidir se aquela tosse é um simples resfriado, uma pneumonia ou até um câncer de pulmão?

Mas e quando falham? Quem vamos culpar quando a IA definir um nódulo como benigno e meses depois o paciente retornar com um câncer metastático, sem possibilidade de cura? O médico que confiou no laudo? A instituição que adotou o sistema? A empresa que o vende? Ou o programador que criou a lógica a partir de dados falhos?

A legislação brasileira ainda é falha a respeito do tema. Na área médica, o Conselho Federal de Medicina liberou uma resolução no início deste ano normatizando o uso da IA na medicina, deixando a responsabilidade final sobre o médico. Faz sentido, porque a decisão clínica precisa de alguém que a assuma.

O human-in-the-loop, ou seja, manter um humano ativo na decisão, ainda é o preferido pelos mais cautelosos. O sistema processa, calcula, recomenda, mas a palavra final fica sempre com uma pessoa, que pode confirmar ou descartar. O problema é o viés de automação.

Diante de um sistema que acerta muito, o humano tende a aceitar sem questionar. É algo parecido com um segurança que faz revista na entrada de um estádio e, depois de centenas de revistas negativas, começa a deixar os torcedores entrarem de forma desleixada.

Nem as empresas por trás dos principais modelos entendem o passo a passo de como seus sistemas chegam àquelas decisões. Exigir que um radiologista audite linha por linha um modelo de aprendizado profundo seria o mesmo que pedir para ele desmontar e remontar um tomógrafo antes de cada laudo.

Precisamos de um meio-termo entre proibir a tecnologia e usá-la sem freio. Na Europa, as IAs médicas são regulamentadas como produto de alto risco. O Brasil precisa de regras parecidas, discutidas e desenhadas por profissionais de diversas áreas.

O algoritmo deve ser tratado como um estudante de medicina brilhante, mas apressado: ele ajuda muito, às vezes falha e nunca substitui o médico experiente que conhece o paciente como pessoa. Quando a máquina falha, quem recebe a conta é gente de carne e osso. Já passou da hora de decidir quem mais deveria recebê-la.

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Riscos psicossociais: quanto custa não prevenir?

O problema não começa quando o trabalhador se afasta, antes disso, muitas pessoas continuam trabalhando sem condições emocionais e cognitivas para desempenhar suas funções

04/08/2026 07h10

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Em 2025, o Brasil registrou 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, aumento de 15,6% em relação ao ano anterior. Outro levantamento, realizado pela VR e divulgado pelo Valor Econômico, identificou crescimento de 143% na média mensal de afastamentos por saúde mental em sua base de empresas.

Mas o problema não começa quando o trabalhador se afasta. Antes disso, muitas pessoas continuam trabalhando sem condições emocionais e cognitivas para desempenhar suas funções. É o presenteísmo: o empregado está presente, mas sua capacidade de concentração, decisão e entrega já foi comprometida.

O Censo de Saúde Mental da Vittude, com respostas de mais de 174 mil colaboradores de 35 grande empresas, reforça esse cenário. Em 2025, 37,8% dos participantes apresentaram sofrimento psíquico moderado ou severo.

O Índice Vittude de Saúde Mental também caiu de 76 para 74 pontos, levando as organizações avaliadas para a zona de atenção.

É nesse contexto que a NR-1 ganha relevância. A norma passou a exigir que as empresas incluam os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho em seu gerenciamento de riscos ocupacionais. Ela não criou a crise, criou a obrigação de enxergá-la, avaliá-la e enfrentá-la.

Esse avanço desloca a discussão. Saúde mental não pode continuar restrita à oferta de terapia, palestras motivacionais ou aplicativos de meditação. Essas iniciativas não corrigem, sozinhas, metas inalcançáveis, sobrecarga, baixa autonomia, assédio, falta de reconhecimento ou lideranças despreparadas.

Também não se trata apenas de uma agenda humana ou regulatória, trata-se também de proteção financeira. Quando o adoecimento é relacionado ao trabalho, os custos podem ir muito além do afastamento.

A empresa pode enfrentar aumento de despesas previdenciárias, ações trabalhistas, indenizações, reintegrações, fiscalizações e gastos com tratamento, readaptação e substituição de profissionais. Os efeitos podem durar anos e comprometer produtividade, reputação e resultado financeiro.

Negligenciar riscos psicossociais custa caro e custa mais do que preveni-los. Grande parte desses custos pode ser reduzida quando a empresa mede os riscos, capacita as lideranças, corrige falhas na organização do trabalho e acompanha os resultados.

Mas prevenção não significa apenas aplicar um questionário e produzir uma matriz colorida, exige identificar áreas críticas, revisar processos e cargas, fortalecer canais de denúncia, formar lideranças e acompanhar indicadores. Diagnósticos sem planos de ação são apenas documentos.

Quais características da organização e da gestão do trabalho estão contribuindo para o sofrimento das pessoas? Responder pode exigir mudanças em metas, jornadas, autonomia, reconhecimento e práticas de liderança.

É mais complexo do que oferecer benefícios individuais. Também é mais eficaz para reduzir afastamentos, rotatividade, erros, conflitos e perda de produtividade.

A NR-1 pode representar uma mudança histórica na forma como as empresas brasileiras lidam com a saúde mental. Mas sua contribuição não será medida pelo número de relatórios produzidos, será medida pela capacidade de transformar ambientes que adoecem, reduzir sofrimento e proteger o caixa.

No fim, a questão não é apenas quanto custa cumprir a NR-, é quanto custa continuar ignorando o problema.

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