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Avanço da inteligência artificial beneficia diretamente a ciência

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A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma ficção científica para se tornar uma ferramenta essencial no avanço de diversas áreas do conhecimento, em especial na ciência. O impacto dela no campo científico tem sido profundo, trazendo avanços significativos em áreas como medicina, astronomia, biofísica e até mesmo na análise de dados em pesquisas sociais. O uso de algoritmos de aprendizado de máquina, redes neurais e outras abordagens têm acelerado descobertas, permitindo aos cientistas resolverem problemas que antes eram considerados demorados.

A medicina é um dos setores que ela tem impactado positivamente. Essa tecnologia tem se mostrado uma aliada poderosa na análise de imagens médicas, e os algoritmos de aprendizado profundo já demonstraram serem capazes de identificar patologias em exames de imagem com uma precisão comparável ou até superior à dos radiologistas humanos. Um exemplo disso é que um grupo de pesquisadores da Universidade de Lübeck, na Alemanha, desenvolveu uma ferramenta para detectar tumores de mama e a testaram pela primeira vez em um ambiente real. Já o estudo publicado na revista Nature Medicine, em janeiro, revelou que o software teve uma taxa de detecção 17,6% maior que as que não contaram com a ajuda da IA.

A solução também tem permitido acelerar os estudos sobre doenças genéticas e tratamentos personalizados e ajudado a prever alterações no DNA que podem levar ao desenvolvimento de patologias, possibilitando tratamentos mais rápidos e eficazes.

O fenômeno da Big Data é uma realidade em praticamente todas as áreas da ciência, e a tecnologia tem desempenhado um papel crucial na organização, no processamento e na interpretação dessas informações. A capacidade de identificar padrões em grandes bases de dados, prever tendências e até fornecer novas hipóteses para experimentação tem ampliado significativamente os horizontes da pesquisa científica.

Em áreas como a Sociologia, por exemplo, os algoritmos de IA têm sido usados para analisar o comportamento humano, prever crises econômicas e mapear a dinâmica social. Isso se traduz em uma maior compreensão dos fenômenos sociais e a criação de políticas públicas mais assertivas.

Apesar de todos os avanços, a ciência não está isenta de desafios. Questões éticas relacionadas à inteligência artificial, à privacidade de dados e ao viés em sistemas ainda são questões que exigem discussão e regulamentação. Isso porque o fato de a IA aprender com os dados disponíveis significa que ela pode reproduzir preconceitos existentes, prejudicando a equidade nas descobertas científicas e na aplicação de tratamentos médicos.

Enquanto isso, com o crescimento da computação quântica e a melhoria constante dos algoritmos de aprendizado de máquina, a IA pode revolucionar áreas como a Física de Partículas, a Meteorologia, e a compreensão dos processos biológicos em nível molecular. Além disso, ela pode, futuramente, ajudar a resolver problemas globais como mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e até mesmo pandemias por meio da modelagem preditiva e da otimização de soluções.

Por fim, é possível concluir que o impacto da IA na ciência é inegável, uma vez que ela tem acelerado o progresso em várias frentes e se mostrado uma aliada crucial na resolução de problemas complexos. Mas a chave para potencializar os seus benefícios é garantir que a tecnologia seja usada de forma ética, responsável e transparente, para que os avanços científicos possam ser acessíveis e benéficos para toda a sociedade.

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O atacarejo nas eleições brasileiras

Nesse ambiente de privatização da política, sociedades ocidentais intensificaram a personalização dos partidos e das ideias

26/02/2026 07h30

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As relações entre cidadania e consumo transformaram profundamente a maneira de pensar e fazer política a partir de meados do século 20.

utores como Jean Baudrillard, Zygmunt Bauman e Milton Friedman – partindo de horizontes distintos – analisaram como a experiência humana passou a ser progressivamente mediada pela lógica de mercado.

A res publica, nesse contexto, cede espaço à res privata no plano eleitoral, seja pela força dos lobbies, seja pela crescente individualização de interesses antes concebidos como coletivos.

Nesse ambiente de privatização da política, sociedades ocidentais – com destaque para países do continente americano – intensificaram a personalização dos partidos e das ideias.

No Brasil, a cada eleição esse processo se amplia, corroendo a dimensão programática das políticas públicas e aprofundando uma polarização que se reflete tanto nas pesquisas presidenciais quanto nas disputas estaduais.

No campo da esquerda, o eleitor-consumidor demonstra resistência em substituir seu “produto” principal, presente nas urnas desde 1989.

Lula, único candidato com potencial de disputar uma quarta vitória presidencial, aposta em uma estratégia de varejo político, ancorada em quadros consolidados da centro-esquerda e em alianças amplas – como a articulação que envolve Geraldo Alckmin, Marina Silva, Simone Tebet e Fernando Haddad.

Na tentativa de conter o avanço conservador observado nas eleições legislativas desde 2018, o presidente também amplia pontes com forças antes adversárias, como o MDB, buscando preservar espaço diante da perspectiva de um Senado mais à direita a partir de 2027.

À direita, o cenário assemelha-se a um grande atacado de lideranças, especialmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O leque de nomes inclui figuras com trajetória consolidada, como Ronaldo Caiado; herdeiros diretos do bolsonarismo, como Flávio e Michelle Bolsonaro; e governadores que emergem como alternativas competitivas, caso de Romeu Zema, Ratinho Jr., Eduardo Leite e Tarcísio de Freitas.

A oferta é ampla, mas carrega o risco de fragmentação. Tensões recentes envolvendo uma divisão no clã Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira indicam que a disputa pelo capital político do ex-presidente pode ocorrer de forma conflituosa, comprometendo a coesão do campo conservador.

Nesse ambiente, o resultado dependerá do comportamento de um eleitorado cada vez mais exausto da polarização. Os cerca de 30% que rejeitam tanto Lula quanto o sobrenome Bolsonaro tendem a exercer papel decisivo na definição de qual modelo – varejo ou atacado – prevalecerá no próximo ciclo eleitoral.

EDITORIAL

Prisões não dão voto, mas dão segurança

Construir presídios não mobiliza o senso comum, não rende aplausos fáceis nem se converte, de imediato, em capital político. É obra que não costuma dar voto

26/02/2026 07h15

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Entre 2019 e 2023, Mato Grosso do Sul executou menos de 7% dos recursos federais disponibilizados para o sistema prisional. O dado, já exposto neste espaço, é mais do que um número constrangedor: é o retrato de uma ineficiência grave em um setor que não admite improvisos.

Fala-se de um dos pilares da segurança pública, justamente em um Estado cuja condição geográfica – fronteira extensa, rota do tráfico internacional – impõe pressão permanente sobre presídios, servidores e orçamento.

O índice é baixíssimo para qualquer área. Para o sistema prisional, é alarmante. A superlotação, as rebeliões, a dificuldade de separar presos por periculosidade e a presença crescente de facções são problemas conhecidos. Ainda assim, a verba ficou parada.

E ficou parada enquanto o Estado, em outro momento, recorria ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cobrar maior apoio financeiro da União no custeio de detentos – pleito legítimo, registre-se, sobretudo porque muitos dos flagrados com drogas no território sul-mato-grossense têm residência em outras unidades da Federação.

A contradição salta aos olhos. Se a ajuda é necessária, e ela é, também é indispensável demonstrar capacidade de execução.

Não se trata apenas de reclamar mais recursos, mas de aplicar com eficiência aqueles que já existem. Segurança pública não se faz apenas com discurso firme ou operações pontuais. Faz-se com estrutura, planejamento e continuidade administrativa.

O episódio ilumina um debate que tende a ganhar força nas eleições deste ano: o investimento em prisões. Construir presídios não mobiliza o senso comum. Não rende aplausos fáceis nem se converte, de imediato, em capital político.

É obra que não costuma dar voto. Mas é política pública essencial. Sem vagas adequadas, não há cumprimento efetivo de pena. Sem cumprimento de pena, não há Justiça. E sem Justiça, a sensação de impunidade corrói a confiança da população.

É compreensível que a sociedade, à primeira vista, resista à ideia de investir em muros e celas. No entanto, prisões seguras, com gestão eficiente e tratamento digno aos internos, são parte da engrenagem que garante ordem e previsibilidade.

Quanto mais estruturado o sistema, maior a capacidade de separar lideranças criminosas, evitar que pequenos infratores sejam cooptados e assegurar que a punição seja efetivamente cumprida.

Mais presídios, quando bem planejados e administrados, significam menos improviso, menos superlotação e mais segurança nas ruas.

Significam, também, reforço concreto à mensagem de que delinquir tem consequência. Ignorar essa realidade por cálculo eleitoral é adiar um enfrentamento que Mato Grosso do Sul, por sua posição estratégica no mapa do crime, não pode se dar ao luxo de postergar.

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