Artigos e Opinião

OPINIÃO

Benedito Rodrigues da Costa: "Praças e jardins: um dever de todos"

Economista

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Cuidar de praças e jardins deveria ser um dever de toda a coletividade, pois, seria a maneira ideal para uma melhor qualidade de vida à toda a população, principalmente às crianças e aos idosos. Entretanto, nossa cultura nunca esteve voltada para essa realidade, deixando que  as providências fossem tomadas  pelo Poder Executivo municipal. Contudo, reconhecemos que o orçamento anual tem se mostrado insuficiente no atendimento às demandas da coletividade.

Campo Grande é a capital de estado que vem apresentando um  nível de crescimento acima da média do País, situação que dificulta as ações de planejamento urbanístico como também orçamentário e, por isso,  as previsões para as dotações destinadas às mais diversas áreas inerentes às responsabilidades da prefeitura se apresentem deficitárias e, com isso, as improvisações do dia a dia se tornam recorrentes, como é o caso, por exemplo, da iluminação pública, cuja manutenção é realizada  a conta-gotas, penalizando os bairros mais distantes.

A tecnologia da informação, no tocante às publicidades,  evolui com uma rapidez impressionante e cada vez mais inteligente e, possivelmente, com uma campanha voltada à concepção e manutenção de praças e jardins e que tenha por foco a participação do cidadão, envolvendo as  famílias, com ênfase na juventude, pudéssemos dar início a uma nova cultura,  capaz de conscientizar a sociedade de que as praças e jardins são de propriedade de todos e que as cuidar seria saudável às crianças, aos jovens, aos idosos, por meio de uma convivência mais humanizada.

A título de sugestão, três ou quatro bairros das diversas regiões poderiam ser escolhidos como um plano-piloto para o programa, capitaneado pela prefeitura, previamente divulgado de forma inteligente aos moradores, dirigentes de  bairros, lideranças religiosas, comércio, etc., motivando-os a colaborar para o bem comum. Também, a elaboração de uma pequena cartilha pudesse ajudar nesse sentido. Com a demarcação da área, bem como o serviço de terraplanagem sendo executado a cargo da prefeitura, e a elaboração da jardinagem a cargo da comunidade, já motivada em relação ao projeto, seria uma questão de tempo.

Sempre que quisermos obter bons resultados em termos de consciência para usos e costumes deveremos utilizar as crianças e suas escolas, pois, se trata de plantar uma nova mentalidade com propósitos de focar não apenas uma esperança, como também melhorar a qualidade de vida das pessoas, tão carentes de atenção e de sensibilidade, e com isso também se consegue formar bons cidadãos. Talvez um projeto dessa natureza se multiplique, para o bem-estar de todos e satisfação aos nossos gestores.

Editorial

Doação que virou caso de polícia

Sem analisar o caso, Câmara aprovou a cedência, supostamente ilegal, de área da União a condomínio de luxo e, agora, todo o empreendimento pode ficar parado

30/04/2026 07h15

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A prática de aprovar no afogadilho uma infinidade de projetos no fim do ano faz parte da tradição do Legislativo, seja ele municipal, estadual ou federal. É tradicional, também, a inclusão dos chamados “jabutis” em meio a esses projetos.

Pelo menos é esta a justificativa dos legisladores depois que descobrem que aprovaram algo estranho ou que provoca algum tipo de repercussão. Isso porque é mais cômodo dizer que foram enganados do que admitir que segundas intenções estavam em jogo. 

Esta vergonhosa tradição não pode ser jogada somente no colo dos legisladores. Os chefes do Executivo têm parte desta culpa. Mas, levando em consideração que são todos farinha do mesmo saco e que em determinado momento um deles têm mais poder que os demais, o fato é que esta tradição revela que a classe política trata a coisa pública com total desdém.

A liberação que os vereadores de Campo Grande deram no fim de 2024 para que uma incorporadora usasse uma área pública federal para construir o acesso a um condomínio de luxo é somente mais um exemplo de que existe explícita irresponsabilidade na hora de aprovar determinados projetos.

Enquanto eles brincavam de legislar, empresários apostaram milhões de reais em um projeto imobiliário de alto padrão, e esta mesma falta de seriedade fez com que centenas de investidores apostassem parte de suas economias em algo que estava sendo feito com o aval das autoridades municipais.

Ao que tudo indica, nem Executivo nem Legislativo se aprofundaram no assunto e simplesmente cederam em torno de 1,7 quilômetro de ferrovia, o que equivale a cerca de 51 mil metros quadrados, em uma região onde terrenos nos condomínios são vendidos por cerca de 2,5 mil por m².

Por mais que esta área tenha ficado na parte externa do novo condomínio de luxo, a investigação do Ministério Público Federal, que questiona a competência para que a área fosse cedida, tende a provocar um imbróglio legal que pode ser arrastar por anos.

Enquanto isso, o empreendimento corre o risco de ficar paralisado e todo o projeto ter de ser refeito. 

O trecho de trilho invadido e retirado com autorização dos vereadores e da prefeita de Campo Grande faz parte do antigo traçado da ferrovia.

Depois da construção do contorno ferroviário, ativado no fim de 2006, o traçado da ferrovia efetivamente utilizável passou a ficar longe da área urbana de Campo Grande.

Mesmo assim, as terras nas quais estão os antigos trilhos continuam nas mãos da empresa responsável pela concessão, a Rumo, e pertencem ao governo federal, verdadeiro proprietário do imóvel. A Rumo foi à Polícia para exigir a devolução da área. 

Caso a Justiça entenda que aquele trecho de ferrovia tenha de ser reconstruído, como agora deseja a Rumo, uma vez que dá acesso a uma antiga estação ferroviária, os custos serão bancados por quem?

Os vereadores certamente não vão querer colocar a mão no bolso e a incorporadora responsável pelo condomínio, também não. Ou seja, quem terá de pagar a conta será o contribuinte de Campo Grande. 

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Artigo

Por que trocar o prazer das telas do celular pelo prazer da leitura

Este apego moderno tem substituído hábitos antigos mais saudáveis, como o da leitura

29/04/2026 07h45

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Minha desconfiança com o entretenimento instantâneo começou numa manhã de sexta-feira, a caminho do trabalho. A situação trivial, naquele vagão de metrô, teria sido há muito esquecida, salvo por um detalhe curioso: todas as pessoas sentadas, dentro do meu campo visual, tinham a cabeça inclinada e os olhos pregados em seus respectivos celulares.

Havia, entre elas, rostos curiosos e concentrados; alguns pareciam divertidos e outros, tristes. O único traço comum a todos era o isolamento social.

Vivenciamos, com o advento dos modernos aparelhos celulares, uma era de conforto, comunicação e acesso à informação sem precedentes.

Informação no sentido mais amplo possível: da singela música infantil ao esquema de funcionamento de um artefato bélico nuclear, passando por toda a sorte de conteúdo pensado para capturar a atenção do usuário pelo maior período de tempo possível.

Onipresentes na rede, algoritmos eficientes identificam preferências individuais, realimentando o usuário em um interminável carrossel de novidades afins.

É sabido que o cérebro humano tende a repetir ações que ativem o sistema de recompensa baseado nos chamados “hormônios do prazer”, cuja finalidade é o reforço de comportamentos favoráveis à sobrevivência do indivíduo, como o estresse da caça, a concentração do aprendizado ou o esforço físico produtivo.

Como não há dilemas de sobrevivência envolvidos na interminável rolagem da telinha, temos, nesse caso, o reforço de um hábito que leva o usuário a consumir horas do seu tempo numa atividade absolutamente estéril, tudo pelas endorfinas “baratas” e instantâneas proporcionadas pelo celular.

Este apego moderno tem substituído hábitos antigos mais saudáveis, como o da leitura. Ler exige, contrariamente ao entretenimento instantâneo, investimento de longo prazo.

Adiando a recompensa, comunicamos ao nosso cérebro que coisas boas exigem esforço, investimento e participação. Ler demanda esforço intelectual, disciplina e comprometimento. É treino mental.

Treino que abre portas para a satisfação da tarefa cumprida, do trabalho bem-feito, do aprendizado e da realização pessoal.

Se o usuário compulsivo das telas tende à preguiça e à procrastinação – pois está viciado em recompensas imediatas –, o leitor assíduo treina sua mente para as demandas da vida e para a ação.

E aí, de qual lado você quer ficar?

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