Saiba o que está acontecendo nos bastidores do poder e na política lendo a coluna do jornalista Cláudio Humberto na edição desta segunda-feira (10) do jornal Correio do Estado.
Artigos e Opinião
COLUNISTA
Claudio Humberto conta sobre os bastidores do poder e da política
Saiba o que está acontecendo nos bastidores do poder e na política lendo a coluna do jornalista Cláudio Humberto na edição desta segunda-feira (10) do jornal Correio do Estado.
EDITORIAL
A retomada da UFN3 é urgente para a segurança do agronegócio nacional; depender de fertilizantes importados é um risco que o Brasil não pode seguir correndo
05/02/2026 07h15
É legítima – e até necessária – a cautela quando se fala, mais uma vez, na retomada da fábrica de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas. Afinal, trata-se de uma obra que, por mais de uma década, existiu muito mais no discurso do que na realidade. Ainda assim, a expectativa agora é de que, desta vez, o investimento seja para valer.
Conforme divulgado em reportagem publicada nesta edição, a Petrobras incluiu em seu plano de investimentos para este ano o aporte de R$ 1,5 bilhão para a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas.
O anúncio reacende a esperança de que um projeto estratégico, abandonado no passado, finalmente saia do papel e cumpra sua função econômica e social.
Não se trata apenas de um investimento regional ou de geração de empregos locais, embora esses efeitos sejam relevantes. A retomada da UFN3 é urgente para a segurança do agronegócio brasileiro, setor que sustenta grande parte da economia nacional.
Em um mundo cada vez mais instável, marcado por conflitos geopolíticos e tensões comerciais, depender excessivamente de fertilizantes importados é um risco que o Brasil não pode continuar correndo.
Hoje, países como Rússia e Irã figuram entre os maiores produtores globais desses insumos. Qualquer instabilidade nessas regiões – como já ocorreu recentemente – tem reflexo imediato nos preços e no abastecimento.
Mitigar essa dependência externa não é opção ideológica, mas uma decisão estratégica de soberania econômica e alimentar.
Nesse contexto, o papel do governo federal é essencial. Cabe ao Estado assegurar que a Petrobras cumpra também sua função estratégica, para além da lógica imediata de mercado.
Evidentemente, a empresa precisa apresentar bons resultados, gerar caixa e distribuir lucros e dividendos – algo que, aliás, tem feito com eficiência. No entanto, nenhuma companhia que pensa em sua sobrevivência de longo prazo pode prescindir de investir em sua própria atividade-fim.
Foi justamente esse equilíbrio que se perdeu na metade final da última década e no início desta, quando a Petrobras reduziu drasticamente investimentos estruturantes, priorizando quase exclusivamente a remuneração dos acionistas.
O resultado foi a estagnação de projetos relevantes e o aumento da vulnerabilidade do País em áreas sensíveis, como a dos fertilizantes.
Por isso, é fundamental que a obra de Três Lagoas, parada por mais de 10 anos, finalmente avance. Que deixe de ser promessa e se transforme em realidade concreta. Para o Brasil, será um passo importante rumo à segurança produtiva.
Para Mato Grosso do Sul, um ganho ainda maior, com desenvolvimento, empregos e protagonismo estratégico. Desta vez, o País espera – e precisa – que o investimento seja definitivo.
ARTIGOS
O papel da IA não é substituir profissionais, mas ampliar a capacidade humana de análise, antecipação de cenários e tomada de decisões mais conscientes, eficientes e sustentáveis
04/02/2026 07h45
A partir de 2026, a inteligência artificial (IA) tende a deixar de ocupar um papel periférico para assumir, de forma progressiva, uma função cada vez mais estrutural no setor imobiliário e na construção civil.
Mais do que uma solução pontual, esse avanço aponta para a consolidação de uma camada estratégica capaz de conectar dados, decisões e pessoas ao longo de todo o ciclo de um empreendimento – do estudo de viabilidade à experiência cotidiana de quem vive e trabalha nos espaços construídos.
Nesse cenário em construção, o papel da IA não é substituir profissionais, mas ampliar a capacidade humana de análise, antecipação de cenários e tomada de decisões mais conscientes, eficientes e sustentáveis.
Hoje, o setor ainda vive uma fase de transição entre experimentação e amadurecimento. Muitas aplicações seguem em estágio inicial, sendo testadas e ajustadas conforme a realidade dos projetos e das empresas.
Algumas organizações já começam a compreender que o verdadeiro potencial dessa tecnologia está menos em soluções isoladas e mais na sua incorporação gradual desde as etapas iniciais de concepção, como apoio à estratégia do negócio.
Essa mudança de mentalidade sinaliza um divisor de águas: a IA deixa de ser vista apenas como ferramenta operacional e passa a contribuir, de forma crescente, para decisões estruturais.
Nesse contexto, temos utilizado recursos de inteligência artificial como apoio inicial ao desenvolvimento de produtos, sobretudo na organização de conceitos e na estruturação de ideias.
Nosso uso ainda se encontra em uma etapa inicial e estratégica, voltada para estruturar conceitos de produto e posicionamento, apoiar o raciocínio na definição de premissas e organizar informações complexas de forma mais clara.
Entendo a IA como uma ferramenta de suporte, que acelera etapas de reflexão e estruturação, sem substituir a análise técnica, o olhar crítico ou a tomada de decisão, que permanecem humanos e alinhados à estratégia da empresa.
Olhando para a frente, a expectativa é de que essas soluções passem a desempenhar um papel cada vez mais relevante na organização e na interpretação de grandes volumes de dados – como informações de mercado, comportamento do consumidor, tendências urbanas e indicadores econômicos.
Dados que hoje ainda são dispersos ou difíceis de cruzar poderão gerar inteligência aplicada, apoiando escolhas como definição de mix de unidades, metragens, padrão de acabamento, público-alvo, posicionamento de produto e estratégias de precificação.
O setor caminha para um cenário em que as decisões deixam de ser exclusivamente intuitivas e passam a ser orientadas por dados, sem abrir mão da sensibilidade arquitetônica, do repertório técnico e da visão urbana.
Na etapa de obras, a contribuição da inteligência artificial também aponta para ganhos relevantes, especialmente em previsibilidade. Algoritmos tendem a evoluir na identificação antecipada de riscos de atraso, desperdício de materiais, conflitos de projeto e falhas de planejamento.
A expectativa é de canteiros mais eficientes, com menos retrabalho, melhor controle de custos e prazos mais confiáveis – um avanço significativo em um setor historicamente marcado por imprevistos.
Após a entrega dos empreendimentos, a IA deve se consolidar como aliada da operação e da gestão predial. Sistemas inteligentes poderão otimizar o consumo de energia, orientar manutenções preventivas, reforçar a segurança e qualificar o uso das áreas comuns.
O edifício deixa de ser apenas uma estrutura estática e passa a operar de forma mais inteligente, reduzindo custos e ampliando a experiência de quem utiliza o espaço.
Dentro das residências, a tendência é de expansão de soluções integradas de automação, controle de climatização e iluminação, além de sistemas de segurança e assistentes domésticos cada vez mais personalizados.
Quando aplicada de forma estratégica, a computação cognitiva também desponta como aliada importante da sustentabilidade. Essas ferramentas têm potencial para contribuir para a redução de impactos ambientais, para a otimização de recursos naturais e para a diminuição de custos ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos.
A noção de qualidade de vida tende a evoluir, incorporando atributos como eficiência, conforto térmico e acústico, segurança e bem-estar cotidiano, além de estética e localização.
Mesmo diante desse avanço tecnológico projetado, a experiência humana permanece central. Nenhuma IA substitui repertório, visão, sensibilidade ou conhecimento técnico. Ela atua como apoio à decisão, ampliando o olhar dos profissionais e tornando os processos mais estruturados e conscientes.
As decisões estratégicas seguem sendo humanas, agora, potencialmente fortalecidas por dados, simulações e análises mais qualificadas.
Em um futuro próximo, a inteligência artificial tende a influenciar, ainda que de forma indireta, a escolha de imóveis. O consumidor dificilmente buscará um empreendimento apenas por ele utilizar IA, mas perceberá seus efeitos em produtos mais eficientes, confortáveis, seguros e econômicos.
Esses atributos decorrem da tecnologia aplicada ao projeto, à obra e à gestão. A principal transformação está na relação entre as pessoas e seus espaços: o imóvel passa a compreender melhor quem vive nele, adaptando-se às rotinas e elevando a experiência de morar. Esse é o impacto mais profundo da inteligência artificial na construção civil do futuro.
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