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Como a IA generativa influencia o futuro do trabalho

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As ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa estão evoluindo rapidamente, assim como sua adoção em organizações de todos os setores. Consideramos necessário discutir como as empresas implementam a IA generativa e os riscos que seus líderes precisam mitigar ao longo do caminho, tendo em vista as principais tendências que afetam o trabalho hoje, amanhã e no futuro.

Não há dúvidas de que a IA generativa pode oferecer várias vantagens no ambiente de trabalho e que as organizações estão constantemente descobrindo novos casos de uso para essa tecnologia em desenvolvimento. A seguir estão algumas das principais vantagens potenciais.

(1) Velocidade e eficiência. Ferramentas de IA generativa oferecem maneiras de simplificar processos, reduzir o trabalho administrativo e obter insights baseados em dados mais rapidamente do que nunca. Economizar tempo e esforço pode ajudar equipes a fazerem mais com menos,  o que tende a liberar colaboradores para outras tarefas que exigem conhecimento específico, criatividade e inovação.

(2) Coleta e análise de dados. A IA generativa pode ajudar líderes a obter insights que vão desde o que motiva os colaboradores até o que provoca engajamento. 

Empresas também estão explorando como as ferramentas de IA generativa podem melhorar o processo de recrutamento, classificando grandes volumes de currículos. A tecnologia também pode ajudar a resumir e organizar feedbacks das entrevistas dos que estão deixando a empresa.

Entretanto, o uso da IA generativa não substitui o toque humano, sendo cada vez mais necessário manter conversas frequentes com colaboradores. A IA pode ajudar o profissional de RH a direcionar melhor o diálogo, por exemplo.

(3) Processos simplificados e redução de tarefas repetitivas. Essas ferramentas podem executar tarefas manuais e deixar as pessoas livres para investir tempo e energia em criatividade e inovação.

Com um assistente virtual cuidando da rotina, fornecendo relatórios e lembretes, o colaborador pode se dedicar a temas mais complexos.

Digamos que o sistema alerte que um funcionário atingiu um marco que merece reconhecimento. O profissional de RH tem a capacidade de ser mais criativo ao dar o mérito ao colaborador.

Ou seja, pode deixar de cuidar de processos para colocar mais energia em conectar pessoas, impulsionar o engajamento e promover uma cultura de trabalho mais vibrante.

Embora a velocidade de implementação da IA generativa possa ser parcialmente atribuída ao entusiasmo em torno da nova tecnologia, alimentado pela atenção da mídia, as organizações ainda precisam reconhecer as responsabilidades únicas que acompanham a adoção precoce.

As empresas estão tentando descobrir como criar valor tangível para seus clientes e organizações por meio da IA. Para isso, priorizam webinars educativos e treinamentos, executando programas piloto e explorando novas relações com fornecedores.

Introduzir a IA sem salvaguardas pode trazer alguns riscos, então é necessário criar frameworks de políticas que garantam o uso apropriado da nova tecnologia, protegendo marcas, clientes e associados.

Há alguns questionamentos que podem guiar os líderes das empresas: em quais casos a IA realmente pode ajudar a tornar os processos mais eficientes? Ou a gerar conteúdo? Ou ainda peneirar dados e fornecer uma experiência humana mais personalizada?

Eficiência e experiência do cliente, no entanto, não são as únicas prioridades. É necessário garantir a confidencialidade dos dados críticos da empresa, a privacidade dos indivíduos e a propriedade intelectual, além de implementar uma estrutura de governança que permita tirar vantagem dos benefícios da IA, mantendo as proteções apropriadas.

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O Judiciário brasileiro para além de suas crises

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa

21/09/2026 07h30

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A afirmação do ministro Flávio Dino de que vivemos “o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário” é grave e merece reflexão.

Pronunciada por um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) durante uma sessão marcada por discussões intensas e acusações relacionadas a fatos igualmente graves, a declaração naturalmente alcançou grande repercussão.

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa. Se existem indícios de ilícitos praticados por magistrados, servidores, advogados ou quaisquer outros agentes do sistema de Justiça, tais indícios demandam investigação independente, transparente e rigorosa.

Comprovadas as irregularidades, seus responsáveis devem ser punidos nos termos da lei, independentemente do cargo que ocupem.

As instituições não se fortalecem pela ocultação de seus problemas, mas pela capacidade de enfrentá-los. Também por isso, a crítica formulada pelo ministro Flávio Dino não pode ser simplesmente ignorada.

É preciso, entretanto, fazer uma distinção indispensável. O Poder Judiciário brasileiro não se resume aos episódios atualmente discutidos em Brasília, tampouco às condutas atribuídas a algumas pessoas.

Ele é formado por milhares de magistradas e magistrados, além de servidoras e servidores, que trabalham diariamente em todas as regiões do País.

São profissionais que realizam inúmeras audiências, proferem milhares de atos processuais e enfrentam o maior acervo processual do mundo. Na imensa maioria dos casos, desempenham esse trabalho com honestidade, dedicação, independência e profundo senso de responsabilidade.

Esse cotidiano raramente ocupa as manchetes. A atividade regular e silenciosa de quem cumpre corretamente o seu dever não costuma produzir notícia.

Casos de desvio, ao contrário, despertam atenção imediata, o que não necessariamente nos incomoda, porque todo ato de corrupção praticado no sistema de Justiça é especialmente grave. Quem tem a missão de aplicar a lei deve estar submetido a elevados padrões éticos.

O perigo surge quando fatos individualizados, ainda que graves, passam a alimentar uma suspeita indiscriminada sobre toda uma instituição. A generalização não contribui para o aperfeiçoamento do Judiciário.

Além de ser injusta com milhares de profissionais honestos, ela pode enfraquecer a confiança da sociedade justamente na instituição à qual os cidadãos recorrem quando seus direitos são violados.

A confiança pública não se preserva por meio do silêncio ou da complacência. Preserva-se com investigação responsável, devido processo legal, transparência e responsabilização individual.

É necessário identificar com clareza os fatos e seus possíveis autores, evitando que acusações genéricas lancem uma sombra sobre todos aqueles que integram o sistema de Justiça.

Reconhecer a existência de problemas não significa condenar toda a instituição. Da mesma forma, defender o Judiciário não significa proteger eventuais desvios.

A verdadeira defesa institucional consiste precisamente em separar as condutas individuais da atuação da imensa maioria, enfrentar os erros com coragem e preservar aquilo que continua funcionando com seriedade.

O Judiciário brasileiro certamente tem falhas e enfrenta uma crise de confiança que não pode ser desprezada. Mas continua sendo composto, em sua grande maioria, por pessoas honestas e trabalhadoras, comprometidas com a Constituição da República e com a realização da Justiça. Essa realidade também precisa ser dita.

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Porque carreira não é sorte; é estratégia

Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial

21/09/2026 07h20

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Há alguns anos, quando fui a primeira mulher a assumir a gestão da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), muita gente perguntou como eu tinha chegado lá. A resposta que dou hoje é diferente da que eu mesma teria dado no começo da minha trajetória.

Eu não venho de uma família de advogados. Estudei em escola pública e trabalhei para pagar minha faculdade. Não tinha uma rede pronta me esperando. Por muito tempo, acreditei que bastava trabalhar duro.

Foi só quando percebi que trabalho duro sem direção não constrói caminho, mas apenas cansaço, que as coisas começaram a mudar. O que mudou minha trajetória não foi um golpe de sorte. Foi estratégia.

Compartilho isso porque sei que não sou a única a se perguntar, em algum momento: quero uma carreira de sucesso, mas não sei por onde começar. Quero viver da advocacia, mas ainda estou longe de fechar um bom contrato.

Quero passar num concurso, mas não sei como organizar meus estudos. Se essa é a sua pergunta, este texto é para você.

O ponto de partida é você. Carreira é uma sucessão de escolhas.

Costumamos achar que tudo vai se decidir num grande evento: o concurso, o cliente importante, a oportunidade única.

Mas quando esse momento chega, esquecemos que, na verdade, a carreira já estava sendo construída há muito tempo: no estágio escolhido, no evento em que se fez presente, no trabalho bem-feito quando ninguém estava olhando.

E tudo isso acontece hoje em meio a uma disrupção tecnológica que já atravessa a advocacia e muitas outras áreas. Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial. Isso é base.

Por isso, defendo que toda carreira deveria ser tratada como se fosse uma empresa: com objetivos claros, planejamento, metas, acompanhamento de resultado e correção de rota.

Mas como planejar? O processo, na minha experiência, não precisa ser complicado. Primeiro, um diagnóstico honesto do ponto de partida – pergunte a si mesmo: quem sou eu hoje? Qual é o meu objetivo? O que estou fazendo me levará até ele? Depois, metas claras que devem ser executadas com compromisso e rotina.

Em seguida, pergunte-se: quantas horas vou dedicar a melhorar as competências (conhecimento, habilidade e atitude) que preciso desenvolver?

Por fim, execute e monitore. Funcionou? Continue. Não funcionou? Ajuste. Seu plano é um guia, não uma camisa de força.

Carreira não é o que acontece com você. Carreira é o que você constrói. Estratégia não é adivinhar o futuro. É dar o próximo passo com consciência. E, se existe um bom momento para começar a traçar o seu caminho, esse momento é agora.

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