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Cortes orçamentários ao ensino e pesquisa públicos em 2026

Restrições ao financiamento da pesquisa pública devem prejudicar os avanços científicos, fundamentais para o desenvolvimento econômico e a justiça social

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A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, aprovada pelo Congresso Nacional ao fim de 2025, é extremamente preocupante para o futuro do Brasil, que precisa de mais investimentos em ciência, tecnologia e educação para aprimorar sua soberania e desenvolvimento.

A LOA de 2026 aprofunda um quadro de restrição estrutural à educação profissional, científica e tecnológica das instituições federais num período em que se discute o Plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação.

As restrições ao financiamento da pesquisa pública devem prejudicar os avanços científicos, fundamentais para o desenvolvimento econômico e a justiça social.

As universidades federais sofrerão um corte de quase 7% (R$ 500 milhões) em custeio e investimentos, podendo comprometer atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O setor de ciência, tecnologia e comunicações terá orçamento 5% inferior ao valor de 2025, com cortes de cerca de R$ 400 milhões, afetando instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Os cortes agravam a situação já crítica no Brasil, que precisa de inovações para se consolidar como um país capaz de responder a desafios estratégicos.

Diversas entidades de defesa da ciência, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA), divulgaram posicionamentos de alerta para os prejuízos à formação de pesquisadores e a possível interrupção de pesquisas científicas.

Estes cortes poderão, inclusive, afetar as bolsas para estudantes de mestrado e doutorado.

De acordo com a ABC e a SBPC, o orçamento do CNPq aprovado para 2026 representa uma redução real da capacidade de fomento, com impacto direto sobre bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e modalidades estratégicas, inclusive aquelas voltadas à inovação e ao empreendedorismo.

Esse orçamento é insuficiente para compensar o recuo expressivo nas bolsas, que constituem o eixo estruturante da formação científica no País.

A situação da Capes é particularmente grave. O orçamento aprovado implica perda real da capacidade de financiamento da pós-graduação brasileira, afetando tanto o Ensino Superior quanto a formação de professores da Educação Básica.

Em um contexto de expansão das demandas científicas e tecnológicas do País, a compressão do orçamento compromete a formação de recursos humanos altamente qualificados e fragiliza a inserção internacional da ciência, elemento fundamental para o Brasil.

De acordo com a ABCA, nas ciências agronômicas, a pesquisa científica é essencial para a segurança alimentar, a sustentabilidade dos agrossistemas, o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas, a biossegurança e a competitividade do agronegócio.

O desenvolvimento de sistemas agrícolas sustentáveis e que possam mitigar efeitos negativos de eventos climáticos extremos, com preservação de ecossistemas naturais e de recursos como o solo e a água, exige suporte à pesquisa científica.

Estes cortes fragilizam a produção de conhecimento e desestimulam jovens pesquisadores, promovendo, inclusive, a saída de talentos para realizarem atividades em outros países. Importante ressaltar que conhecimento é essencial para o desenvolvimento do Brasil!

EDITORIAL

Mais uma etapa de uma nova era logística

A concessão da Rota da Celulose, conjunto de rodovias que liga Mato Grosso do Sul ao estado de São Paulo, tem potencial para transformar a logística regional

23/01/2026 07h15

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Com a transferência da conservação das rodovias BR-262, BR-267, MS-040 e MS-338 para o consórcio liderado pela XP Investimentos prevista para o fim deste mês, Mato Grosso do Sul dá mais um passo decisivo em direção a uma nova era de infraestrutura e logística.

Não se trata apenas de uma mudança na gestão das estradas, mas da consolidação de um modelo que aposta na melhoria da eficiência, na ampliação da capacidade de escoamento da produção e no fortalecimento da competitividade do Estado.

A concessão desse conjunto de rodovias que liga Mato Grosso do Sul ao estado de São Paulo tem potencial para transformar a logística regional.

Ao melhorar as condições de tráfego, reduzir gargalos históricos e trazer um padrão mais elevado de manutenção e sinalização, a expectativa é de que o transporte de cargas se torne mais ágil e previsível.

Em um estado cuja economia depende fortemente do agronegócio e da indústria de base florestal, logística eficiente não é luxo, é necessidade.

A consolidação da chamada Rota da Celulose representa mais um salto estrutural para Mato Grosso do Sul. Ao facilitar a integração com o maior mercado consumidor do País e com importantes polos industriais, o Estado se posiciona de forma ainda mais estratégica no mapa econômico nacional.

Estradas melhores significam maior capacidade de atrair investimentos, seja para ampliar plantas industriais já existentes, seja para seduzir novos empreendimentos interessados em custos logísticos mais baixos e maior segurança no transporte.

No médio prazo, os reflexos tendem a ser sentidos de forma concreta. Prazos de entrega mais curtos, fretes mais baratos e maior eficiência na circulação de mercadorias ampliam a inserção de Mato Grosso do Sul no comércio interestadual e até internacional.

A competitividade dos produtos locais aumenta, beneficiando produtores, indústrias e, por consequência, a arrecadação e a geração de empregos.

Mas os ganhos não se restringem à economia. Há também um aspecto fundamental de segurança viária. Mais sinalização, melhor qualidade do pavimento, maior clareza para quem dirige, além da implantação de terceiras faixas e de trechos de duplicação, tendem a reduzir acidentes e salvar vidas.

Esse é um ponto que não pode ser tratado como secundário, sobretudo em rodovias de intenso fluxo de veículos pesados.

Diante desse cenário, a expectativa é clara: que o consórcio responsável pela administração das rodovias cumpra rigorosamente todas as obrigações previstas em contrato. A consolidação da Rota da Celulose é um divisor de águas para Mato Grosso do Sul.

Seu sucesso pode estabelecer um novo padrão para concessões futuras; seu fracasso, por outro lado, representaria uma oportunidade desperdiçada em um momento crucial para o desenvolvimento do Estado.

ARTIGOS

Nossos inimigos não são quem imaginamos

O momento atual da humanidade realmente não é dos melhores e às vezes temos a sensação de que estamos em um caos

22/01/2026 07h45

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Eu acredito na humanidade. Com todo egoísmo e materialismo em que a consciência humana ainda está presa, precisamos admitir que estamos evoluindo.

Já tivemos várias engenhocas de torturas, já queimamos pessoas em fogueiras, já nos escravizamos, dizimamos populações nativas. Ainda somos cruéis, mas o nível de crueldade vem diminuindo. Já não toleramos mais discriminações.

A quantidade de organizações humanitárias aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Não admitimos maus-tratos a animais e uma agenda verde é consolidada globalmente.

Apesar de tantas crescentes, o momento atual da humanidade realmente não é dos melhores e às vezes temos a sensação de que estamos em um caos. Em meio a uma transição de um mundo analógico para um digital, as gerações não conseguem se entender. Pais não estão sabendo lidar com os filhos.

Falamos mal das gerações novas, mas esquecemos que são frutos da anterior. A saúde mental vai de mal a pior, com níveis de depressão, síndrome do pânico e burnout aumentando a cada ano. Colocamos a culpa no estresse do trabalho. Mas por que crianças estão tendo os mesmos sintomas, sem trabalhar?

A economia também não vai bem. Crises mundiais têm sido cada vez mais frequentes. O socialismo fracassou e o capitalismo se transformou de um sistema de produção em um de consumo. O desafio agora é criar no inconsciente coletivo a necessidade de consumir.

Ou você tem tudo que o seu entorno tem ou vai se sentir inferior. Como consumir mais se o aumento de produção para atender à demanda esbarra em uma agenda verde? Estudos dizem que se o planeta todo tivesse um nível de consumo do americano, precisaria de uma área equivalente a quatro Terras para produzir o necessário. A conta não fecha.

A visão pode parecer um caos, mas é somente mais um ciclo que precisamos atravessar para a evolução. Que as coisas vão se ajeitar é fato, mas, como não estaremos aqui para olhar da plateia, só nos resta refletir sobre soluções para começar a melhorar.

A meu ver, o primeiro ponto é parar e fazer uma avaliação da consciência humana nesse momento do mundo.

Os inimigos nós já elegemos, o carbono, os bilionários e as pessoas de esquerda ou de direita, sempre quem pensa diferente de nós. Será que eles são realmente inimigos ou somente fruto da nossa própria forma de enxergar a vida?

Temos a necessidade de apontar culpados para o que não queremos ver em nós. Queremos diminuir a emissão de carbono, mas não aceitamos reavaliar o nosso consumo pessoal. Compramos o que desejamos, e não o que precisamos.

Falamos mal dos bilionários, mas esperamos que a economia do nosso país cresça e ofereça melhores oportunidades, esquecendo que são eles que têm talento para fazer negócios prosperarem.

Reclamamos da intolerância de pessoas de partidos contrários, mas não enxergamos que estamos, assim, nos dividindo em grupos políticos e ideológicos. Se o momento que vivemos é desafiador, precisamos nos unir, e não nos dividir.

Estamos olhando para o lugar errado. O inimigo não é externo, ele está dentro de nós. Se queremos mudar o mundo em que vivemos, o primeiro passo é mudar a nós mesmos.

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