Artigos e Opinião

EDITORIAL

Mais uma etapa de uma nova era logística

A concessão da Rota da Celulose, conjunto de rodovias que liga Mato Grosso do Sul ao estado de São Paulo, tem potencial para transformar a logística regional

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Com a transferência da conservação das rodovias BR-262, BR-267, MS-040 e MS-338 para o consórcio liderado pela XP Investimentos prevista para o fim deste mês, Mato Grosso do Sul dá mais um passo decisivo em direção a uma nova era de infraestrutura e logística.

Não se trata apenas de uma mudança na gestão das estradas, mas da consolidação de um modelo que aposta na melhoria da eficiência, na ampliação da capacidade de escoamento da produção e no fortalecimento da competitividade do Estado.

A concessão desse conjunto de rodovias que liga Mato Grosso do Sul ao estado de São Paulo tem potencial para transformar a logística regional.

Ao melhorar as condições de tráfego, reduzir gargalos históricos e trazer um padrão mais elevado de manutenção e sinalização, a expectativa é de que o transporte de cargas se torne mais ágil e previsível.

Em um estado cuja economia depende fortemente do agronegócio e da indústria de base florestal, logística eficiente não é luxo, é necessidade.

A consolidação da chamada Rota da Celulose representa mais um salto estrutural para Mato Grosso do Sul. Ao facilitar a integração com o maior mercado consumidor do País e com importantes polos industriais, o Estado se posiciona de forma ainda mais estratégica no mapa econômico nacional.

Estradas melhores significam maior capacidade de atrair investimentos, seja para ampliar plantas industriais já existentes, seja para seduzir novos empreendimentos interessados em custos logísticos mais baixos e maior segurança no transporte.

No médio prazo, os reflexos tendem a ser sentidos de forma concreta. Prazos de entrega mais curtos, fretes mais baratos e maior eficiência na circulação de mercadorias ampliam a inserção de Mato Grosso do Sul no comércio interestadual e até internacional.

A competitividade dos produtos locais aumenta, beneficiando produtores, indústrias e, por consequência, a arrecadação e a geração de empregos.

Mas os ganhos não se restringem à economia. Há também um aspecto fundamental de segurança viária. Mais sinalização, melhor qualidade do pavimento, maior clareza para quem dirige, além da implantação de terceiras faixas e de trechos de duplicação, tendem a reduzir acidentes e salvar vidas.

Esse é um ponto que não pode ser tratado como secundário, sobretudo em rodovias de intenso fluxo de veículos pesados.

Diante desse cenário, a expectativa é clara: que o consórcio responsável pela administração das rodovias cumpra rigorosamente todas as obrigações previstas em contrato. A consolidação da Rota da Celulose é um divisor de águas para Mato Grosso do Sul.

Seu sucesso pode estabelecer um novo padrão para concessões futuras; seu fracasso, por outro lado, representaria uma oportunidade desperdiçada em um momento crucial para o desenvolvimento do Estado.

Editorial

Hidrovia exige equilíbrio e fiscalização

Não se pode desconsiderar a necessidade de desenvolvimento econômico do Pantanal, que enfrenta desafios históricos de infraestrutura, logística e de oportunidades

25/03/2026 07h15

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O debate sobre a hidrovia do Rio Paraguai expõe, mais uma vez, um dilema recorrente no Brasil: como conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

No caso específico da região Pantaneira, essa equação é ainda mais sensível. O avanço de um projeto dessa magnitude exige cautela, planejamento e, sobretudo, transparência.

Mas é preciso deixar claro: desenvolvimento e proteção ambiental não são objetivos incompatíveis. Com regras bem definidas e fiscalização efetiva, é possível avançar de forma responsável.

Nesta edição, mostramos que a COP15 tem sido utilizada como palco para questionamentos à concessão da hidrovia à iniciativa privada. Trata-se de uma manifestação pública legítima e pertinente.

Grandes projetos de infraestrutura, especialmente em áreas ambientalmente sensíveis, precisam ser amplamente discutidos.

O escrutínio da sociedade civil, da comunidade científica e de organizações ambientais é parte essencial de qualquer processo democrático.

Esse debate é, inclusive, saudável. Em uma concessão desse porte, é fundamental que o edital de licitação não deixe brechas que possam comprometer o meio ambiente ou a segurança da operação. Da mesma forma, a fiscalização precisa ocorrer de fato, e não apenas no papel.

Sem mecanismos rigorosos de controle, qualquer promessa de equilíbrio entre crescimento e preservação perde credibilidade. A transparência, nesse contexto, é tão importante quanto o projeto.

Os ambientalistas têm razão ao demonstrar preocupação. O Pantanal é um dos biomas mais frágeis e valiosos do planeta, e qualquer intervenção deve considerar seus limites naturais.

Ignorar esses alertas seria irresponsável. No entanto, também não se pode desconsiderar a necessidade de desenvolvimento econômico da região, que enfrenta desafios históricos de infraestrutura, de logística e de oportunidades.

A população pantaneira merece crescer com qualidade de vida, geração de emprego e melhores condições de integração econômica. Esse desenvolvimento, porém, precisa ocorrer de forma responsável, planejada e sustentável.

O caminho não está na paralisação de projetos nem na sua execução apressada, mas no equilíbrio. Conciliar progresso e preservação não é apenas possível – é uma obrigação. Essa é a nossa posição.

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Artigo

Quebrar criptografia não é mágica: o papel da tecnologia forense em investigações

É essa combinação que permite transformar informações aparentemente inacessíveis em dados passíveis de análise

24/03/2026 07h45

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A CNN Brasil noticiou recentemente que a Polícia Federal conseguiu quebrar a criptografia e acessar os dados de um celular pertencente a Daniel Vorcaro, no contexto do caso do Master. Segundo a reportagem, o conteúdo do aparelho já foi acessado e os dados serão compartilhados com a investigação.

Notícias como essa chamam atenção porque reforçam uma percepção comum, e muitas vezes equivocada, de que dados protegidos por criptografia são, por definição, inacessíveis.

Na prática, o acesso a informações criptografadas não é simples nem trivial. Trata-se de um trabalho altamente técnico, que só se torna viável com o uso de tecnologia forense avançada, combinada a método, conhecimento especializado e procedimentos rigorosamente definidos.

É essa combinação que permite transformar informações aparentemente inacessíveis em dados passíveis de análise, preservando integridade, contexto e valor probatório.

No caso citado pela reportagem, há um ponto tecnicamente relevante: mesmo sem a colaboração do investigado no fornecimento da senha do dispositivo, a Polícia Federal conseguiu acessar os dados armazenados no aparelho e superar uma camada adicional de proteção criptográfica.

Esse cenário ilustra o nível de sofisticação das ferramentas forenses disponíveis atualmente quando aplicadas de forma adequada, com base em conhecimento técnico aprofundado e processos bem estruturados.

Ferramentas forenses especializadas, como as desenvolvidas pela empresa israelense Cellebrite, ou soluções como o Verakey, da Magnet Forensics, existem justamente para lidar com cenários complexos: dispositivos protegidos por senha, criptografia ativa, dados excluídos intencionalmente e situações em que não há cooperação do usuário para acesso ao conteúdo.

Diferentemente do imaginário popular, esse acesso não ocorre por tentativa e erro, mas por meio de técnicas avançadas de extração e análise, capazes de identificar registros internos, artefatos digitais e informações residuais que permanecem no dispositivo.

Todo esse processo precisa ser conduzido de forma documentada e tecnicamente defensável. Princípios como integridade da evidência, rastreabilidade e cadeia de custódia são fundamentais para garantir que os dados recuperados possam ser corretamente analisados, contextualizados e, quando necessário, utilizados em processos administrativos ou judiciais. Sem esse rigor, a informação perde valor técnico e jurídico.

Há, naturalmente, diferenças entre o uso dessas tecnologias no setor público e no setor privado, mas essas diferenças não estão na tecnologia em si. No âmbito público, órgãos de investigação utilizam essas ferramentas com base em autorizações judiciais e dentro de procedimentos legais específicos.

Algumas funcionalidades mais sensíveis são restritas às forças de lei, por envolverem prerrogativas próprias da atividade policial.

No setor privado, por sua vez, a tecnologia forense é amplamente utilizada em investigações internas, apurações de fraude, incidentes de segurança da informação, disputas corporativas, atividades de compliance e auditoria.

Na Protiviti, por exemplo, contamos com plataformas forenses amplamente reconhecidas e utilizadas globalmente, operadas por profissionais qualificados, para apoiar empresas na apuração de fatos, identificação de irregularidades e tomada de decisões baseadas em evidências técnicas, sempre em conformidade com os limites legais e as melhores práticas de governança.

Casos amplamente divulgados pela imprensa, como o de Vorcaro, reforçam uma realidade cada vez mais presente no ambiente corporativo: dados digitais deixam rastros. Saber lidar com esses rastros de forma responsável, técnica e estruturada é um diferencial estratégico.

A tecnologia forense digital cumpre justamente esse papel, trazer clareza, confiabilidade e sustentação técnica para decisões críticas, fortalecendo a integridade dos processos investigativos e a confiança das organizações em suas próprias respostas.

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