Artigos e Opinião

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E o Oscar vai para?

Premiação campeã em cometer injustiças, seja com atores, diretores ou com filmes em geral

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Enquanto Jorge Luís Borges, sempre imaginou que o paraíso fosse como uma espécie de biblioteca; para mim, desde tenra idade, imaginei que o Cinema também deveria ter cadeira cativa neste tão sonhado paraíso do poeta Argentino.

Sempre fui admirador confesso (e quase incondicional) da Sétima Arte, a ponto de nunca ter conseguido esconder (embora tenha tentado), que um dia contribuiria para um dos maiores espetáculos da Terra, nem que fosse atrás das câmeras.

Pretensões audazes ou quimeras à parte, ainda sou um entusiasta e cinéfilo de carteirinha e tal, mas com direito “a dar uma queixazinha”, tanto quanto Raul, quando questionou na clássica “Eu também vou reclamar”, por que “ Pra se fazer sucesso/Pra vender disco de protesto/Todo mundo tem que reclamar?”

É que dos anos 1980 para cá, mudou muita coisa, em matéria de Cinema, principalmente em relação a mais “badalada” das premiações, que não é a única no Mundo, mas continua sendo superestimada.

Entretanto, uma conclusão é fatal: chegando a 98ª edição, o Oscar é uma premiação campeã em cometer injustiças, seja com atores, diretores ou com filmes em geral.

Quem nunca questionou no dia seguinte à premiação, porque determinada indicação dada não foi contemplada com a cobiçada estatueta, que levante o braço.

Esse sentimento é “na real” (prosaicamente falando), um dos que mais contribuiu para retirar do evento aquele antigo sabor que ele tinha, de criar expectativas esfuziantes, em torno do favorito de cada um.

Claro que nem todas as produções podem concorrer e, mais óbvio ainda, é que nem todas as indicações poderão ser contempladas com o prêmio principal em cada categoria, mas já houve tanta indicação ou premiação absurdamente injusta, que a cerimônia acaba servindo, presentemente, apenas para se matar a saudade de alguns grandes nomes que por lá aparecem.

Para este ano, apesar da criação de categoria nova, não temos assim uma “superprodução” no páreo, capaz de suscitar a possibilidade de “humilhar” outras, no número de premiações, como por exemplo, um “Ben Hur”, de 1959; ou até mesmo um “Titanic”, de 1997.

Esses “filmaços” se destacaram não só pelas indicações, mas pelo custo e artesanato da produção, que hoje acaba sendo “ofuscada pelos recursos tecnológicos, em que o talento e outros elementos antes essenciais, ficam relegados a um segundo (ou último) plano.

Ainda assim, “para não dizer que não falei das flores” (feito Vandré), temos produções, digamos assim, razoáveis no mercado (em que se tornou o Cinema).

Se fosse por predileção, escolheria o trabalho norueguês “Valor sentimental”, em que Joachim Trier captura muito bem o drama vivido por um diretor de cinema e suas filhas Nora e Agnes, com todas as nuanças dos conflitos humanos.

Não deixaria de fora, também, os oníricos efeitos que “Sonhos de Trem” nos deixa, ao percorrer trilhas e trilhos imagéticos, que levam as digitais do competente brasileiro, Adolpho Veloso.

Entretanto, como minha predileção certamente não impera em detrimento da escolha dos jurados, deixo aqui, ao menos, a torcida para que trabalhos como esses não fiquem totalmente de fora da premiação, já que os tão falados “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra” tendem a confirmar as especulações de premiações.

O Oscar não está para o Cinema na essência, como um título de campeão está para um clube de futebol, pois a finalidade de se fazer filme não deve ser a de obter premiação, mas a de criar um trabalho artístico.

Tampouco deve o Cinema servir como espaço para militância político-ideológica, pois isso retira a beleza artística.

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O Judiciário brasileiro para além de suas crises

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa

21/09/2026 07h30

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A afirmação do ministro Flávio Dino de que vivemos “o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário” é grave e merece reflexão.

Pronunciada por um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) durante uma sessão marcada por discussões intensas e acusações relacionadas a fatos igualmente graves, a declaração naturalmente alcançou grande repercussão.

Não cabe minimizar suspeitas de corrupção, muito menos defender qualquer espécie de proteção corporativa. Se existem indícios de ilícitos praticados por magistrados, servidores, advogados ou quaisquer outros agentes do sistema de Justiça, tais indícios demandam investigação independente, transparente e rigorosa.

Comprovadas as irregularidades, seus responsáveis devem ser punidos nos termos da lei, independentemente do cargo que ocupem.

As instituições não se fortalecem pela ocultação de seus problemas, mas pela capacidade de enfrentá-los. Também por isso, a crítica formulada pelo ministro Flávio Dino não pode ser simplesmente ignorada.

É preciso, entretanto, fazer uma distinção indispensável. O Poder Judiciário brasileiro não se resume aos episódios atualmente discutidos em Brasília, tampouco às condutas atribuídas a algumas pessoas.

Ele é formado por milhares de magistradas e magistrados, além de servidoras e servidores, que trabalham diariamente em todas as regiões do País.

São profissionais que realizam inúmeras audiências, proferem milhares de atos processuais e enfrentam o maior acervo processual do mundo. Na imensa maioria dos casos, desempenham esse trabalho com honestidade, dedicação, independência e profundo senso de responsabilidade.

Esse cotidiano raramente ocupa as manchetes. A atividade regular e silenciosa de quem cumpre corretamente o seu dever não costuma produzir notícia.

Casos de desvio, ao contrário, despertam atenção imediata, o que não necessariamente nos incomoda, porque todo ato de corrupção praticado no sistema de Justiça é especialmente grave. Quem tem a missão de aplicar a lei deve estar submetido a elevados padrões éticos.

O perigo surge quando fatos individualizados, ainda que graves, passam a alimentar uma suspeita indiscriminada sobre toda uma instituição. A generalização não contribui para o aperfeiçoamento do Judiciário.

Além de ser injusta com milhares de profissionais honestos, ela pode enfraquecer a confiança da sociedade justamente na instituição à qual os cidadãos recorrem quando seus direitos são violados.

A confiança pública não se preserva por meio do silêncio ou da complacência. Preserva-se com investigação responsável, devido processo legal, transparência e responsabilização individual.

É necessário identificar com clareza os fatos e seus possíveis autores, evitando que acusações genéricas lancem uma sombra sobre todos aqueles que integram o sistema de Justiça.

Reconhecer a existência de problemas não significa condenar toda a instituição. Da mesma forma, defender o Judiciário não significa proteger eventuais desvios.

A verdadeira defesa institucional consiste precisamente em separar as condutas individuais da atuação da imensa maioria, enfrentar os erros com coragem e preservar aquilo que continua funcionando com seriedade.

O Judiciário brasileiro certamente tem falhas e enfrenta uma crise de confiança que não pode ser desprezada. Mas continua sendo composto, em sua grande maioria, por pessoas honestas e trabalhadoras, comprometidas com a Constituição da República e com a realização da Justiça. Essa realidade também precisa ser dita.

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Porque carreira não é sorte; é estratégia

Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial

21/09/2026 07h20

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Há alguns anos, quando fui a primeira mulher a assumir a gestão da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), muita gente perguntou como eu tinha chegado lá. A resposta que dou hoje é diferente da que eu mesma teria dado no começo da minha trajetória.

Eu não venho de uma família de advogados. Estudei em escola pública e trabalhei para pagar minha faculdade. Não tinha uma rede pronta me esperando. Por muito tempo, acreditei que bastava trabalhar duro.

Foi só quando percebi que trabalho duro sem direção não constrói caminho, mas apenas cansaço, que as coisas começaram a mudar. O que mudou minha trajetória não foi um golpe de sorte. Foi estratégia.

Compartilho isso porque sei que não sou a única a se perguntar, em algum momento: quero uma carreira de sucesso, mas não sei por onde começar. Quero viver da advocacia, mas ainda estou longe de fechar um bom contrato.

Quero passar num concurso, mas não sei como organizar meus estudos. Se essa é a sua pergunta, este texto é para você.

O ponto de partida é você. Carreira é uma sucessão de escolhas.

Costumamos achar que tudo vai se decidir num grande evento: o concurso, o cliente importante, a oportunidade única.

Mas quando esse momento chega, esquecemos que, na verdade, a carreira já estava sendo construída há muito tempo: no estágio escolhido, no evento em que se fez presente, no trabalho bem-feito quando ninguém estava olhando.

E tudo isso acontece hoje em meio a uma disrupção tecnológica que já atravessa a advocacia e muitas outras áreas. Dominar tecnologia, entender inteligência artificial (IA) e estar disposto a se requalificar deixaram de ser diferencial. Isso é base.

Por isso, defendo que toda carreira deveria ser tratada como se fosse uma empresa: com objetivos claros, planejamento, metas, acompanhamento de resultado e correção de rota.

Mas como planejar? O processo, na minha experiência, não precisa ser complicado. Primeiro, um diagnóstico honesto do ponto de partida – pergunte a si mesmo: quem sou eu hoje? Qual é o meu objetivo? O que estou fazendo me levará até ele? Depois, metas claras que devem ser executadas com compromisso e rotina.

Em seguida, pergunte-se: quantas horas vou dedicar a melhorar as competências (conhecimento, habilidade e atitude) que preciso desenvolver?

Por fim, execute e monitore. Funcionou? Continue. Não funcionou? Ajuste. Seu plano é um guia, não uma camisa de força.

Carreira não é o que acontece com você. Carreira é o que você constrói. Estratégia não é adivinhar o futuro. É dar o próximo passo com consciência. E, se existe um bom momento para começar a traçar o seu caminho, esse momento é agora.

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