A volta do faturamento bilionário do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) é, sem dúvida, uma boa notícia para Mato Grosso do Sul.
Trata-se de um indicador relevante tanto para o governo do Estado quanto para o agronegócio, setor que banca o fundo e que depende diretamente da qualidade da infraestrutura rodoviária para escoar sua produção.
Depois de um 2024 marcado por frustração de receitas, o fundo recupera musculatura e volta a superar a marca de R$ 1 bilhão.
Ainda não alcança, é verdade, o patamar registrado em 2023, quando houve sobra de recursos e até rendimentos financeiros expressivos. Mas o simples fato de retomar o nível bilionário já demonstra uma reação importante.
Se o Estado tiver uma boa safra neste ano, é plausível imaginar que o Fundersul volte ao auge de arrecadação em curto prazo.
A queda verificada anteriormente não foi um fenômeno isolado da contabilidade pública. Ela refletiu a quebradeira enfrentada pelo agro em 2024, pressionado por custos elevados, crédito mais caro e oscilações de mercado.
Quando o campo sofre, a arrecadação do fundo também sente. Até o ano passado, os efeitos dessa retração estavam visíveis nos números.
Mas mais importante do que celebrar cifras é cobrar eficiência. Não basta que entre muito dinheiro. É fundamental que a gestão do fundo faça a diferença concreta para MS.
O investimento precisa se traduzir em rodovias melhores, em manutenção permanente, em obras estruturantes que mudem a realidade logística e também em intervenções urbanas capazes de transformar a face das cidades.
Estrada boa significa competitividade para o produtor, mas também segurança e qualidade de vida para quem vive nos municípios.
Criado em 1999, o Fundersul nasceu sob forte resistência de parte de quem o financiava. À época, havia desconfiança quanto à sua eficácia e ao peso da contribuição.
Passadas mais de duas décadas, o fundo resistiu ao tempo e se consolidou como instrumento estratégico de investimento. Hoje, é celebrado não apenas pelo governo, mas por grande parte da população que reconhece nas obras viárias um dos pilares do desenvolvimento estadual.
Em um cenário em que aumentar impostos é politicamente difícil e economicamente arriscado, ter um fundo robusto, vinculado à atividade produtiva, ajuda o Estado a manter investimentos e aliviar sua situação financeira.
O desafio, agora, é garantir que cada real arrecadado retorne em forma de progresso. O número é importante. A gestão é decisiva.

