Há pelo menos uma década Mato Grosso do Sul discute infraestrutura como um dos pilares de seu desenvolvimento econômico.
O tema não saiu da pauta porque deixou de ser importante, ao contrário, ganhou ainda mais relevância à medida que o Estado passou a atrair bilhões de reais em investimentos privados, especialmente nas cadeias da celulose, da mineração, da agroindústria e da logística.
Crescer exige estradas, ferrovias, pontes, portos secos e sistemas de transporte capazes de acompanhar esse novo ciclo econômico.
É verdade que infraestrutura não se constrói da noite para o dia. Grandes obras exigem estudos técnicos, licenciamentos ambientais, projetos executivos, fontes de financiamento e processos licitatórios complexos.
São empreendimentos de longo prazo e de elevado custo, muitas vezes dependentes da participação de diferentes entes federativos e da iniciativa privada. A lentidão, em certa medida, faz parte desse processo.
Entretanto, uma coisa é reconhecer a complexidade das obras. Outra, bastante diferente, é aceitar que discussões permaneçam por anos sem produzir resultados concretos.
Quando um debate atravessa uma década inteira, é legítimo esperar que parte significativa das intervenções já esteja concluída ou, ao menos, em estágio avançado de execução.
A Rota Bioceânica é um bom exemplo. Há mais de 10 anos ela ocupa espaço no planejamento estratégico de Mato Grosso do Sul. Nesse período, inúmeros seminários, estudos e acordos internacionais foram realizados.
Somente agora, porém, os principais empreendimentos caminham para um desfecho capaz de transformar o projeto em realidade. O potencial é enorme, mas o tempo consumido demonstra o tamanho dos desafios envolvidos.
O mesmo raciocínio vale para outras obras estruturantes. A duplicação da BR-163 continua avançando de forma gradual, enquanto a BR-262 ainda depende de etapas importantes para se tornar plenamente compatível com a demanda logística do Estado.
Já a reativação da Malha Oeste permanece cercada por indefinições, sucessivos adiamentos e entraves que impedem o aproveitamento de uma ferrovia estratégica para a competitividade regional e nacional.
É evidente que nem todos os projetos têm o mesmo modelo de financiamento. Há investimentos que despertam o interesse da iniciativa privada porque oferecem retorno econômico suficiente para justificar concessões e parcerias.
Outros, entretanto, dificilmente sairão do papel sem participação direta do poder público. A Malha Oeste talvez seja o exemplo mais claro dessa realidade. Seu elevado custo e sua importância estratégica justificam uma presença mais efetiva da União na viabilização do empreendimento.
Por isso, mais importante do que discutir obras isoladamente é fortalecer o planejamento.
Definir prioridades, estabelecer cronogramas realistas, assegurar fontes de recursos e acompanhar permanentemente a execução dos projetos são medidas indispensáveis para evitar que investimentos essenciais permaneçam indefinidamente no campo das intenções.
Mato Grosso do Sul vive um momento singular de expansão econômica. O setor produtivo faz sua parte, amplia investimentos e gera empregos. Cabe agora ao poder público oferecer a infraestrutura necessária para sustentar esse crescimento.
O desenvolvimento não pode ficar restrito aos anúncios. Ele precisa chegar às rodovias, às ferrovias, às pontes e aos corredores logísticos. Planejamento é indispensável, mas execução é o que transforma potencial em prosperidade.


