Artigos e Opinião

Editorial

A reforma que precisa entrar no debate

A criação do Imposto sobre Bens e Serviços, que unificará tributos estaduais, municipais e parte dos tributos federais, representa uma mudança inédita no pacto federativo

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A campanha eleitoral começa a ganhar espaço no debate público, mas um dos temas mais importantes para o futuro da administração pública segue praticamente ausente das discussões: a reforma tributária.

Trata-se de uma mudança estrutural que alterará profundamente a forma como os impostos serão arrecadados e distribuídos no Brasil, com reflexos diretos sobre estados, municípios, empresas e cidadãos. Apesar disso, o assunto ainda ocupa um espaço tímido no discurso dos pré-candidatos.

Há uma explicação para esse silêncio. A aprovação da reforma, no Congresso Nacional, ocorreu com amplo apoio político.

Partidos de diferentes orientações ideológicas votaram favoravelmente às mudanças e muitos dos atuais pré-candidatos integravam as legendas que defenderam sua aprovação.

Diante desse consenso, o tema acabou perdendo espaço na disputa eleitoral. Mas o fato de existir convergência política não elimina a necessidade de discutir seus efeitos práticos.

A partir do próximo ano, a reforma começará a produzir impactos cada vez mais perceptíveis. Parte da legislação já foi regulamentada e o cronograma de implantação avança gradualmente, e é justamente por isso que o debate precisa deixar o campo das abstrações e passar para a realidade administrativa.

Uma das principais dúvidas diz respeito à arrecadação. A criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que unificará tributos estaduais, municipais e parte dos tributos federais, representa uma mudança inédita no pacto federativo, pois ainda há incertezas sobre os efeitos dessa transição para estados como Mato Grosso do Sul.

Embora tenham sido criados mecanismos de compensação e regras de transição, permanece um grau significativo de imprevisibilidade quanto ao comportamento futuro das receitas públicas.
Essa incerteza impõe responsabilidade adicional aos candidatos que disputarão os próximos mandatos.

Promessas de ampliação de investimentos, criação de programas ou expansão da máquina pública precisarão ser compatíveis com um cenário em transformação. A prudência fiscal deixa de ser apenas uma virtude administrativa e passa a ser uma exigência, diante de um novo modelo tributário cujos resultados ainda serão testados na prática.

Por outro lado, a reforma traz perspectivas positivas para o setor produtivo. Ao simplificar regras, reduzir a cumulatividade e tornar a tributação mais uniforme, tende a oferecer maior previsibilidade aos empresários.

Um ambiente tributário mais claro favorece investimentos, melhora o planejamento das empresas e pode ampliar a competitividade da economia brasileira.

Por tudo isso, a reforma tributária merece ocupar lugar de destaque nesta campanha eleitoral. Não se trata de revisitar a discussão sobre sua aprovação, mas de compreender como ela influenciará a capacidade de governos futuros cumprirem seus compromissos.

O eleitor tem o direito de saber como os candidatos pretendem administrar essa transição, afinal, nenhuma promessa de governo faz sentido sem que exista clareza sobre os recursos que a tornarão possível.

Artigo

O que são as convenções partidárias?

Embora a Justiça Eleitoral não intervenha diretamente na realização das convenções em respeito ao princípio constitucional da autonomia partidária, exerce controle de legalidade sobre os atos praticados

30/07/2026 07h30

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Entre os dias 20 deste mês e 5 de agosto serão realizadas as convenções partidárias, que são atos internos às agremiações destinados à escolha de candidaturas e definição de coligações (apenas aos cargos majoritários).

As coligações poderão ser realizadas de forma presencial, virtual ou híbrida, desde que observadas as disposições estatutárias e as regras dispostas na Resolução TSE nº 23.609/2019, alterada pela Resolução nº 23.754/2026. A convenção deve ser formalizada por meio de ata, contendo o registro das deliberações.

Embora a Justiça Eleitoral não intervenha diretamente na realização das convenções em respeito ao princípio constitucional da autonomia partidária, exerce controle de legalidade sobre os atos praticados, especialmente no momento do registro.

Encerrada essa fase, inaugura-se a fase de formalização das candidaturas, até o dia 15 de agosto, período em que deverão ser apresentadas à Justiça Eleitoral (respeitadas as regras de competência de seus órgãos).

Com o protocolo do pedido de Registro de Candidatura (RCan) pela agremiação, abre-se prazo para que outras candidaturas, partidos, federações ou MP Eleitoral realizem a Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRCan).

Após isso, a Justiça Eleitoral procederá à análise da documentação apresentada, podendo deferir ou indeferir as candidaturas, assegurando que apenas aqueles que atendam aos requisitos legais participem do pleito.

Ou seja, mesmo que nenhum dos legitimados impugnem a candidatura pretendida, a Justiça Eleitoral poderá indeferir o registro, caso não sejam cumpridos os requisitos constitucionais (Condições de Elegibilidade, não ocorrência das hipóteses de inelegibilidade, cumprimento das formalidades de escolha em convenção e regularidade das atividades partidárias).

A compreensão sistemática de cada etapa do calendário eleitoral mostra-se indispensável para a adequada apreensão da dinâmica jurídica das eleições e do funcionamento da democracia representativa.

Editorial

A democracia entra em campo

Quem deseja uma política melhor precisa compreender que ela não será construída só pela crítica, a participação é o caminho mais legítimo para aperfeiçoar a vida pública

30/07/2026 07h15

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O calendário eleitoral avança para um dos momentos mais importantes da democracia brasileira. O período das convenções partidárias aproxima-se do fim e, já na próxima semana, terá início a propaganda eleitoral.

É quando as disputas deixam os bastidores e passam a ocupar as ruas, os meios de comunicação e as plataformas digitais, levando ao eleitor as propostas daqueles que pretendem exercer um mandato popular pelos próximos quatro anos.

As convenções merecem atenção especial da sociedade. Embora, muitas vezes, recebam menos destaque do que o período de campanha propriamente dito, é nelas que os partidos exercem uma de suas funções mais relevantes: a escolha de seus candidatos.

Trata-se do momento em que as legendas definem quem terá a responsabilidade de representar seus projetos políticos diante do eleitorado. É, portanto, uma etapa decisiva para a qualidade da democracia.

Os partidos políticos são instituições previstas na Constituição e desempenham papel essencial no regime democrático. É por meio deles que diferentes correntes de pensamento organizam propostas, constroem programas e apresentam alternativas para a administração pública.

Nenhuma democracia consolidada prescinde de partidos fortes, capazes de reunir ideias, formar lideranças e oferecer canais legítimos de participação política.

Em uma sociedade cada vez mais dinâmica, conectada e exigente, cresce a tentação de desacreditar a política como instrumento de transformação.

Esse sentimento, compreensível diante de escândalos e decepções acumuladas ao longo dos anos, não deve servir de combustível para a antipolítica. A negação das instituições democráticas jamais produziu sociedades mais livres, transparentes ou eficientes.

Ao contrário, enfraquece os mecanismos de representação e abre espaço para soluções incompatíveis com o Estado de Direito.

Quem deseja uma política melhor precisa compreender que ela não será construída apenas pela crítica. A participação continua sendo o caminho mais legítimo para aperfeiçoar a vida pública.

Isso vale para quem decide disputar eleições, para quem atua nos partidos, para quem participa dos debates públicos e também para o cidadão que acompanha, fiscaliza e vota de forma consciente. A democracia não se fortalece com a omissão, mas com o engajamento responsável.

Com o início da campanha eleitoral, aumenta também a responsabilidade dos candidatos, dos partidos e das autoridades encarregadas de garantir a lisura do processo.

O eleitor espera uma disputa baseada em propostas, na comparação de projetos e no respeito às regras estabelecidas pela legislação.

Ataques pessoais, desinformação, notícias falsas e expedientes maliciosos apenas empobrecem o debate público e afastam o cidadão da política.

Nesse contexto, será fundamental a atuação vigilante da Justiça Eleitoral. Uma eleição limpa depende não apenas da responsabilidade dos candidatos, mas também de instituições fortes e atentas.

Que o período eleitoral seja marcado pelo respeito, pela ética e pelo compromisso com a democracia. É isso que os eleitores esperam e o País necessita.

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