Artigos e Opinião

OPINIÃO

Maria Angela Mirault: Dia da Mulher? Façam-me o favor...

Maria Angela Mirault é Mulher, mãe, avó, professora

Redação

09/03/2015 - 00h00
Continue lendo...

Não pode ser. Tanta luta, tantos imbróglios, suor e canseira muitos anos depois das feministas (Deus nos livre) revogarem a condição ecológica-biológica-feminina e nos igualarem aos machos da espécie humana, pra gente comemorar o dia da mulher? O mês da mulher? Faça-me o favor...

Os gêneros não são gêneros por acaso. Embora, iguais em espécime, macho e fêmea traçam diferenças irreconciliáveis, em todas as espécies; um pare, outro, não; um gesta, outro, não, só pra ficar por aí. Homem e mulher não são iguais, ponto, entendeu, ou quer que desenhe? Em raríssimas exceções da natureza (cavalo-marinho, p.ex.), cabe à fêmea gestar, parir e cuidar da sua cria, dela se afastando, quando a natureza propõe outras demandas para o ser que ajudou a trazer à luz.

Quando a luta das feministas saiu das ruas e entrou em nossas casas, só nos faltou uma coisa: bom senso. Abdicar da condição feminina pra assumir papéis e funções masculinas, relegando a terceiros sua obrigação de guardar, cuidar, proteger, educar seus rebentos, deu no que deu. Nossa geração deixou ao léu sua progenitura, delegando a sei lá quem sua obrigação; por isso, tanto filho da ... por aí. Essa reflexão a mulherzinha bem-sucedida não faz e vai deixando marcas da sua omissão pelas esquinas do mundo. Quem foi professor, quem é professor tem se deparado com essa lacuna na formação da criança, do jovem e do adulto. Quem é docente de universidades, pode bem distinguir quem teve mãe e quem foi deixado à beira do caminho, sem qualquer formação e princípios que só cabem (e só) ao núcleo familiar fornecer.

Tudo bem, fomos pras ruas, pros escritórios, pros tribunais; saímos da cozinha. Exigimos nossos direitos, subimos no salto e exigimos respeito, mas, quando a coisa aperta, apelamos para nossa condição de fragilidade (vide ex-ministra e senadora do PT-maria-do-rosário versus Bolsonaro).

Esquizofrênicas, adoramos e consumimos milhares de exemplares dos “50 tons de cinza”, cumpliciadas com o sadomasoquismo explícito e indecoroso, mas, quando vitimadas pelo homem, o filho da..., que não teve mãe, e nos assedia, valemo-nos, como vestais, da “maria-da-penha”. Valha-me Deus! Não comemoro o dia da mulher, abomino essa  “conquista” capital de mercado.

Envergonho-me dessas mensagens ridículas das redes sociais, das publicidades, do telemarketing.

O dia da mulher não é simplesmente o dia 8, nem o mês da mulher o mês de março. São todos os dias; ela reina soberana pelo reino e em todo o tempo, para o bem e para o mal. Porque há, sim, minha gente, mulherezinhas de doer, “pior” do que muito macho alfa. Trazemos no DNA da condição de ser mulher, junto com as curvas, a TPM, o nhe-nhe-nhê, o mimimi, o balaco-baco, a ardilosidade, a sedução, a ambiguidade e a maldade. Quem nunca esteve nas mãos de um tipo desses, que levante a mão. Como mulher, conheço de todo o tipo, pior, identifico-os.

Os homens, (coitados?), são e sempre agirão com o repertório adquirido das mulheres que enxamearam sua vida: mãe, vó, irmã, tia, vizinha, namorada, esposa, colega... De novo, para o bem e para o mal. Veja bem, atrás de um apenado da “maria-da-penha” tem uma mulher que lhe treinou pra violência; uma mulher que o abandonou, lhe espancou - aquela que apanhou calada (ou, não), ensinando ao seu rebento que é assim que se deve tratar todas as mulheres -; uma mulher que não lhe deu atenção, amor, cuidados e forjou com lágrimas, com o fogo do inferno  e uma infância violada, o adulto em que se transformou. Não há poder maior do que o que procede do vínculo maternal. Se as mulheres usassem esse poder pelo bem da espécie, se fossem amparadas para o bom cumprimento desse papel (cadê as creches de qualidade em que o Estado tem o dever de garantir?), talvez nossos presídios estivessem mais vazios, nossas ruas mais seguras, nossas escolas menos violentas. Uma boa e uma má mãe fazem toda a diferença para o equilíbrio do meio ambiente planetário.

O Dia Internacional da Mulher tem sua origem nas questões de trabalho, direitos sociais e políticos, os quais deveriam, conquistados, ser  agregados aos deveres da mulher na preservação da espécie. Isso seria absolutamente ecológico. Pena que preferimos optar por isso ou aquilo e estamos fracassando, porque a vida ainda não conseguiu substituto à altura para essa tarefa; não há “dolys” que deem conta da falta, ou de uma má educação. Quando você ganhar sua florzinha, seu presentinho pela data, pense nisso.

ARTIGOS

Quando a busca por saúde coloca a vida em risco

O rótulo "100% natural" muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo

05/10/2026 07h25

Continue Lendo...

Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.

No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa.

Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.

Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o “chá seca-barriga” para emagrecer e a “fórmula mágica” para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa.

Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?

O problema é que o rótulo “100% natural” muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.

O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos.

E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como “naturais”.

Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.

A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.

Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.

Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos.

A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.

Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira “solução milagrosa” fracassa, surge a frustração.

O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a saúde em risco.

O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.

Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.

EDITORIAL

MS escolheu continuar avançando

A reeleição de Eduardo Riedel no primeiro turno confirma a aprovação ao modelo de gestão e abre caminho para mais investimentos e crescimento em MS

05/10/2026 07h15

Continue Lendo...

A população de Mato Grosso do Sul mostrou nas urnas que aprovou o projeto conduzido pelo governador Eduardo Riedel (PP). A votação expressiva que garantiu a reeleição no primeiro turno, de maneira muito mais tranquila do que há quatro anos, representa mais do que a escolha de um nome para comandar o Estado.

É também um reconhecimento ao modelo de gestão adotado nos últimos anos e uma sinalização de que a população deseja que esse caminho tenha continuidade.

Riedel recebeu das urnas uma demonstração de confiança. Em uma eleição marcada por diferentes projetos políticos, o eleitorado optou pela continuidade. O resultado não deixa dúvida de que a maioria aprovou o trabalho realizado e entende que o Estado está no caminho correto.

Somados os dois primeiros mandatos de Reinaldo Azambuja (PL), eleito senador ontem, serão 16 anos de administração conduzida pelo mesmo grupo político. É tempo suficiente para avaliar resultados. E, até aqui, os indicadores mostram avanços importantes para Mato Grosso do Sul.

Nesse período, o Estado recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos. A indústria de celulose, a bioenergia e outras atividades produtivas ajudaram a transformar a economia sul-mato-grossense, atraindo capital, ampliando a produção e criando novas oportunidades de emprego e renda.

Investimentos dessa dimensão movimentam a construção civil, o comércio, os serviços, a logística e uma extensa cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a capacidade de investimento público.

Mato Grosso do Sul ainda precisa melhorar sua infraestrutura, ampliar a qualidade dos serviços públicos, reduzir desigualdades regionais e preparar suas cidades para o crescimento. O desenvolvimento precisa transformar os ganhos econômicos em melhoria concreta da qualidade de vida.

Mas é preciso reconhecer o que foi feito. A população reconheceu nas urnas os avanços registrados pelo Estado e decidiu dar continuidade ao projeto. Essa escolha traz uma responsabilidade ainda maior para o governo reeleito: entregar mais e fazer melhor.

O resultado eleitoral deve ser interpretado como uma oportunidade para aprofundar aquilo que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. A confiança recebida precisa ser transformada em trabalho, planejamento e responsabilidade fiscal.

Mato Grosso do Sul tem condições excepcionais para continuar crescendo. Que os próximos anos sejam marcados por mais investimentos, mais empregos, melhor infraestrutura e serviços públicos eficientes. A população reconheceu os avanços. Daqui, esperamos que Mato Grosso do Sul continue avançando.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).