Política

PÓS-ELEIÇÃO 2026

Marquinhos Trad, Picarelli e outros veteranos são derrotados nas urnas em MS

Ex-prefeito da Capital, ex-deputados e nomes com décadas de vida pública não conseguiram conquistar os cargos disputados nas Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul.

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As urnas deste domingo (4) não significaram apenas a chegada de novos nomes e a permanência de lideranças tradicionais no poder em Mato Grosso do Sul. O resultado das Eleições 2026 também impôs derrotas a políticos conhecidos há décadas pelo eleitorado sul-mato-grossense e que buscavam ampliar, recuperar ou preservar espaço na vida pública.

Entre os nomes que ficaram fora dos cargos disputados estão o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PV), o ex-deputado estadual Maurício Picarelli (PRD), o ex-secretário estadual e ex-deputado Eduardo Rocha (PSDB) e os deputados federais Geraldo Resende (União Brasil) e Dr. Luiz Ovando (PP).

Também entra nesse grupo o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), que tentou retornar ao primeiro plano da política estadual concorrendo ao Governo de Mato Grosso do Sul, mas terminou distante dos primeiros colocados.

São trajetórias diferentes, mas que têm um ponto em comum: todos chegaram às urnas de 2026 carregando um histórico de participação relevante na política estadual e não conseguiram transformar o peso acumulado ao longo dos anos em vitória eleitoral.

Marquinhos tenta chegar a Brasília

Um dos nomes de maior projeção entre os derrotados foi Marquinhos Trad, que concorreu a uma das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.

O ex-prefeito recebeu 31.382 votos, equivalentes a 2,21% dos votos válidos para deputado federal, terminou na 14ª posição da votação nominal e ficou como suplente.

A derrota interrompe, pelo menos neste momento, o projeto de Marquinhos de retornar a um cargo de maior projeção estadual e nacional.

Ela, porém, não deixa o político sem mandato. Ele permanece vereador de Campo Grande, cargo para o qual foi eleito em 2024 como o candidato mais votado da Capital.

A trajetória de Marquinhos atravessa diferentes espaços da política sul-mato-grossense. Advogado, iniciou sua carreira eleitoral na Câmara Municipal, posteriormente cumpriu três mandatos como deputado estadual e chegou à Prefeitura de Campo Grande, onde foi eleito em 2016 e reeleito em 2020. Deixou o Executivo em 2022 para disputar o Governo do Estado.

Na eleição estadual daquele ano, não conseguiu chegar ao segundo turno. Dois anos depois, voltou às origens ao disputar uma vaga de vereador e conquistou novamente espaço na Câmara Municipal. Em 2026, a tentativa era dar um novo salto, desta vez para Brasília.

As urnas, entretanto, mantiveram Marquinhos no Legislativo municipal.

Picarelli e o peso de oito mandatos

Se Marquinhos representa um dos nomes mais conhecidos da política recente de Campo Grande, Maurício Picarelli carrega uma das trajetórias legislativas mais longevas de Mato Grosso do Sul.

Picarelli ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa durante oito mandatos consecutivos, somando aproximadamente 32 anos no Parlamento estadual. Ele foi eleito pela primeira vez na década de 1980 e permaneceu na Casa até 2019.

Neste ano, tentou chegar à Câmara dos Deputados, mas o resultado ficou muito distante das votações que marcaram o auge de sua carreira política.

Picarelli recebeu 1.475 votos, ou 0,10% dos válidos para deputado federal, e terminou na 47ª posição da disputa. Não foi eleito.

O desempenho chama atenção justamente pelo contraste com seu passado eleitoral. Picarelli chegou a ser o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul em eleições anteriores e construiu sua imagem pública paralelamente à carreira como apresentador de rádio e televisão.

Em 2026, no entanto, a popularidade acumulada durante décadas não foi suficiente para recolocá-lo em um mandato eletivo.

A derrota prolonga o período de Picarelli fora de cargos conquistados pelo voto, situação que começou após o fim de seu último mandato na Assembleia, em 2019.

Eduardo Rocha tenta voltar à Assembleia

Outro nome conhecido que não conseguiu retornar ao Legislativo estadual foi Eduardo Rocha. Ex-deputado estadual por três mandatos, Rocha também ocupou posições estratégicas no Governo de Mato Grosso do Sul, entre elas a Secretaria de Governo durante a administração de Reinaldo Azambuja e, posteriormente, a Casa Civil.

Na eleição deste domingo, concorreu novamente a deputado estadual pelo PSDB. Recebeu 15.782 votos, equivalentes a 1,11% dos válidos, terminou na 33ª colocação e ficou na condição de suplente.

A tentativa de retorno à Assembleia ocorreu depois de anos de atuação tanto no Legislativo quanto no núcleo político do Executivo estadual. Rocha apostava justamente nessa experiência como uma de suas principais credenciais na campanha.

O resultado, porém, mostrou que o histórico de três mandatos e a passagem por secretarias importantes não foram suficientes para colocá-lo entre os 24 eleitos para a próxima legislatura.

Dois deputados federais perdem a cadeira

As urnas também produziram baixas entre parlamentares que atualmente representam Mato Grosso do Sul em Brasília.

Dr. Luiz Ovando e Geraldo Resende, ambos candidatos à reeleição, não conseguiram permanecer entre os oito deputados federais escolhidos pelo eleitorado sul-mato-grossense.

Ovando recebeu 34.679 votos, enquanto Geraldo Resende terminou com 31.714 votos. Apesar das votações superiores às registradas por Marquinhos Trad, nenhum dos dois obteve cadeira na distribuição das vagas da Câmara Federal.

No caso de Ovando, a derrota encerra uma sequência iniciada em 2018, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez. Ele conseguiu renovar o mandato em 2022, mas não repetiu o resultado quatro anos depois.

Geraldo Resende, por sua vez, é um dos políticos com maior tempo de atuação federal entre os nomes derrotados neste ano.

Antes de chegar à Câmara dos Deputados, passou pela Câmara Municipal de Dourados, Assembleia Legislativa e Secretaria Estadual de Saúde. Ao longo da carreira, acumulou 16 anos de mandatos como deputado federal e também comandou a Saúde estadual em diferentes períodos.

A partir de 2027, portanto, a bancada sul-mato-grossense em Brasília terá renovação também provocada pela saída de dois parlamentares que atualmente ocupam cadeiras.

Delcídio tem votação distante dos líderes

A lista de figuras tradicionais que não tiveram sucesso nas urnas chega também à disputa pelo cargo mais importante do Estado.

Ex-senador e personagem de destaque da política sul-mato-grossense durante anos, Delcídio do Amaral tentou voltar ao protagonismo concorrendo ao Governo pelo PRD.

Terminou, contudo, apenas na quarta colocação, com 14.431 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos.

O resultado ficou distante do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), que resolveu a eleição no primeiro turno, e também de Fábio Trad (PT) e João Henrique Catan (Novo), segundo e terceiro colocados, respectivamente.

Para Delcídio, a votação de 2026 também contrasta com o espaço que ocupou no passado. O político já representou Mato Grosso do Sul no Senado e disputou anteriormente o próprio Governo do Estado.

Urnas redesenham espaço dos veteranos

As derrotas não significam necessariamente o fim das carreiras políticas desses nomes. Marquinhos Trad, por exemplo, segue com mandato na Câmara Municipal de Campo Grande, enquanto outros derrotados podem permanecer em posições partidárias, assumir suplências ou voltar às urnas nos próximos pleitos.

O resultado, no entanto, revela uma das faces das Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul: o reconhecimento acumulado durante anos ou mesmo décadas de vida pública não garantiu passagem automática para um novo mandato.

Enquanto nomes como Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel mostraram força para continuar ocupando espaços de poder, outros personagens conhecidos encontraram nas urnas uma barreira para os projetos apresentados neste ano.

Entre oito mandatos estaduais de Picarelli, dois períodos de Marquinhos Trad na Prefeitura de Campo Grande, três legislaturas de Eduardo Rocha na Assembleia e anos de Geraldo Resende e Luiz Ovando em Brasília, a eleição deste domingo deixou um recado que atravessa gerações da política sul-mato-grossense: trajetória e lembrança do eleitor ajudam a chegar competitivo à disputa, mas não são suficientes, por si só, para garantir uma cadeira.

Poder Político

De Zeca a Riedel, todos os governadores de MS desde 1999 vencem nas urnas

Resultado das Eleições 2026 mantém no poder os quatro políticos que comandaram Mato Grosso do Sul nas últimas quase três décadas; dois estarão na Assembleia, um no Senado e outro seguirá no Governo.

05/10/2026 16h02

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Zeca do PT, Eduardo Riedel, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja: os quatro governadores que comandaram Mato Grosso do Sul desde 1999 venceram nas urnas em 2026.

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Zeca do PT, Eduardo Riedel, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja: os quatro governadores que comandaram Mato Grosso do Sul desde 1999 venceram nas urnas em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/Alems/Montagem: Correio do Estado

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As urnas deste domingo (4) produziram uma fotografia incomum da política de Mato Grosso do Sul. Os quatro políticos que ocuparam, de forma consecutiva, o comando do Estado desde 1999 saíram vitoriosos das Eleições 2026 e continuarão ocupando cargos eletivos a partir do próximo ano.

Zeca do PT, André Puccinelli (MDB), Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP) representam, juntos, praticamente três décadas da história recente do Governo de Mato Grosso do Sul. Agora, estarão distribuídos entre Assembleia Legislativa, Senado Federal e o próprio Executivo estadual.

O resultado evidencia a capacidade de sobrevivência eleitoral de nomes que atravessaram diferentes momentos políticos, mudanças partidárias, disputas acirradas e transformações no eleitorado sul-mato-grossense.

Mesmo depois de deixarem o Parque dos Poderes, os ex-governadores mantiveram força suficiente para voltar, ou permanecer, no centro das decisões políticas do Estado.

Quatro governadores, quatro vitórias

O primeiro dessa sequência é José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre 1999 e 2006.

Neste domingo, ele garantiu novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa ao receber 42.714 votos, ficando entre os deputados estaduais mais votados do Estado.

Zeca chegou ao Governo após construir trajetória iniciada no Legislativo. Antes de assumir o Executivo, foi vereador em Campo Grande, deputado estadual e deputado federal.

Depois de deixar o governo, também voltou a ocupar cargos legislativos e, em 2026, assegurou a continuidade de sua presença na Assembleia.

Quem sucedeu Zeca no comando estadual também venceu nas urnas. André Puccinelli (MDB), governador entre 2007 e 2014, foi eleito deputado estadual com 40.602 votos e retornará à Assembleia Legislativa a partir de 2027.

Médico, Puccinelli construiu uma das trajetórias políticas mais extensas do Estado. Foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Campo Grande por dois mandatos e, posteriormente, governador de Mato Grosso do Sul por oito anos.

A eleição deste domingo recoloca o emedebista em um cargo eletivo estadual depois de anos em que seu nome continuou presente nas articulações e disputas políticas.

Com Zeca e Puccinelli eleitos, a Assembleia Legislativa terá, portanto, dois ex-governadores dividindo o plenário durante a próxima legislatura, dois políticos que estiveram em lados diferentes de importantes disputas estaduais e que, juntos, comandaram Mato Grosso do Sul durante 16 anos consecutivos.

Azambuja troca Governo pelo Senado

O terceiro nome da sequência é Reinaldo Azambuja (PL). Sucessor de Puccinelli, ele governou Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022 e voltou às urnas neste ano para disputar uma das duas vagas destinadas ao Estado no Senado Federal.

Azambuja terminou a eleição como o candidato ao Senado mais votado em Mato Grosso do Sul, com 903.554 votos, o equivalente a 34,64% dos votos válidos, e garantiu mandato de oito anos em Brasília. A segunda vaga ficou com Capitão Contar, também do PL.

Antes de chegar ao Governo, Azambuja já havia passado pela Prefeitura de Maracaju, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Agora, acrescentará o Senado à trajetória política e passará a representar Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027.

A vitória mantém Azambuja em posição de influência direta sobre a política estadual, mas agora a partir de Brasília, onde terá participação nas discussões sobre projetos nacionais, orçamento federal e articulação de recursos destinados a Mato Grosso do Sul.

Riedel completa sequência com reeleição

Atual ocupante do cargo, Eduardo Riedel (PP) fechou a sequência de vitórias ao conquistar mais quatro anos à frente do Governo estadual.

Com 100% das urnas apuradas, Riedel recebeu 914.323 votos, ou 67,07% dos votos válidos, e resolveu a disputa já no primeiro turno. Fábio Trad (PT), segundo colocado, terminou com 23,68%.

Riedel assumiu o Governo em janeiro de 2023 depois de vencer as eleições de 2022 no segundo turno. Antes disso, havia ocupado postos estratégicos na administração de Reinaldo Azambuja, entre eles as secretarias estaduais de Governo e de Infraestrutura.

A vitória deste domingo garante sua permanência no Parque dos Poderes até o fim de 2030 e completa um cenário no qual nenhum dos quatro políticos responsáveis pelo comando do Estado desde 1999 saiu derrotado das urnas em 2026.

Quase três décadas ainda presentes no poder

O resultado cria uma configuração simbólica na política de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro de 1999 e dezembro de 2026, o Governo do Estado terá sido comandado apenas por Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel.

A partir de 2027, todos eles continuarão formalmente inseridos na estrutura política: Zeca e Puccinelli na Assembleia Legislativa, Azambuja no Senado e Riedel no Governo do Estado.

Ao mesmo tempo em que as eleições renovaram parte das bancadas estadual e federal, o desempenho dos ex-governadores mostra a permanência de lideranças já conhecidas pelo eleitorado e capazes de conservar capital político mesmo depois de anos e, em alguns casos, décadas, desde a primeira chegada aos principais cargos do Estado.

A composição que sairá das urnas também deverá colocar antigos aliados e adversários em novas posições a partir do próximo ano.

Enquanto Riedel inicia um segundo mandato no Executivo, precisará se relacionar com uma Assembleia que terá dois de seus antecessores e com uma bancada federal que contará com Azambuja no Senado.

Mais do que definir os ocupantes dos cargos pelos próximos anos, portanto, a eleição de 2026 mostrou que os nomes que comandaram Mato Grosso do Sul desde o fim da década de 1990 continuam encontrando espaço nas urnas.

Mudam os cargos, as siglas e as alianças, mas os quatro últimos governadores seguem no centro do poder político sul-mato-grossense.

Raio-x das urnas

Direita leva 7 das 8 vagas de MS na Câmara, mas vota em dois blocos

Mapa dos 79 municípios mostra um eleitorado que segue Flávio Bolsonaro e Contar e outro que segue Riedel e Azambuja; PT cresce, mas perde cadeira

05/10/2026 15h58

Parlamentares eleitos por Mato Grosso do Sul

Parlamentares eleitos por Mato Grosso do Sul

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A direita de Mato Grosso do Sul saiu das urnas neste domingo (4) com o governo, as duas vagas do Senado e sete das oito cadeiras do estado na Câmara dos Deputados. O resultado, porém, não veio de um voto único de cima a baixo na cédula.

Os números são próximos. Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador com 914 mil votos. Reinaldo Azambuja (PL) chegou ao Senado com 904 mil, e Capitão Contar (PL), com 856 mil. Flávio Bolsonaro (PL) teve 873 mil para presidente no estado.

A distribuição desses votos pelo território conta outra história. Nos 79 municípios, o desempenho de Flávio praticamente repete o de Contar: onde um foi bem, o outro também foi. O mesmo ocorre entre Riedel e Azambuja.

Entre os dois pares, a semelhança é fraca. Cidades que deram votação alta a Riedel não foram, necessariamente, as que mais votaram em Flávio. O mesmo vale para Azambuja e Contar, embora estejam no mesmo partido e tenham sido eleitos juntos.

Lula e Riedel na mesma urna

O sinal mais claro de voto dividido está nos seis municípios em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente de Flávio: Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina.

Em todos eles, Riedel venceu com folga, com 64% a 80% dos votos. Em Japorã, Lula teve 67% e o governador, 80%.

No estado, Riedel superou a votação de Flávio em 76 dos 79 municípios. Na média das cidades, a vantagem do governador sobre o candidato do PL foi de 13 pontos percentuais.

Do outro lado, a esquerda encolheu em várias urnas. Lula teve 517 mil votos em Mato Grosso do Sul. Fábio Trad (PT), candidato ao governo, ficou com 323 mil. Quase 200 mil eleitores do presidente não repetiram o voto no nome do partido para o Palácio.

Na disputa para a Câmara, o voto nas chapas de direita acompanhou mais o mapa de Riedel e Azambuja do que o de Flávio e Contar.

Somados, PL, PP, União Brasil, Republicanos e PSDB tiveram 1,11 milhão de votos para deputado federal, 78% do total de votos dos sul-mato-grossenses. Há quatro anos, as mesmas siglas haviam feito 799 mil, o equivalente a 59%.

Para a Assembleia, o grupo ficou com cerca de 72% dos votos. Nesse caso, o resultado não segue nenhum dos candidatos de cima da cédula, o que indica uma escolha mais ligada a nomes locais.

PL, berço do azambujismo 

A troca de sigla do ex-governador e senador eleito Reinaldo Azambuja trouxe efeito meramente de nomenclatura e de viés político, refletindo a politizacao atual brasileira. Deixou o partido da social democracia, fundado por intelectuais oriundos do PMDB e outras siglas no final dos anos 1980, e foi para o PL, uma agremiação por anos do Centrão brasileiro e que hoje abriga a família Bolsonaro, ícone da extrema direita. 

O PSDB, que liderava a disputa para a Câmara em 2022 com 317 mil votos e três deputados, despencou para 98 mil e ficou sem nenhum.

O PL fez o caminho inverso. Passou de 197 mil para 460 mil votos e elegeu Marcos Pollon, Mara Caseiro e Rodolfo Nogueira.

A legenda dele teve 143 mil votos a mais do que tinha quatro anos atrás, mas o número de cadeiras ficou igual: três.

Tucanos se espalham

Os três deputados federais eleitos pelo PSDB em 2022 disputaram por outros partidos. Beto Pereira foi para o Republicanos e se reelegeu com 77,485 mil votos. Dagoberto Nogueira migrou para o PP e voltou à Câmara com 56 mil. Geraldo Resende, no União Brasil, caiu de 97 mil para 32 mil e ficou como suplente.

O Republicanos saiu de 75 mil votos e nenhuma cadeira para 257 mil e duas. Além de Beto Pereira, elegeu Isa Marcondes, com 76,956 mil votos. Na federação com o PP, o União Brasil elegeu Rose Modesto, com 124 mil.

Por que o PT perdeu a vaga

A federação do PT com PC do B e PV cresceu de 205 mil para 249 mil votos, mas elegeu apenas Camila Jara. Em 2022, havia feito dois deputados.

O “preço” da última cadeira subiu. Naquele ano, ela saiu por uma média de 98 mil votos. Agora, custou 128 mil. A federação chegou a 125 mil e ficou de fora por cerca de 7.300 votos.
Pesou também a concentração. Camila Jara recebeu 154 mil votos, 62% do total da chapa. O segundo nome, Marquinhos Trad (PV), teve 31,4 mil, abaixo dos 35,5 mil exigidos para disputar a sobra.

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