Artigos e Opinião

EDITORIAL

Proibição sob pressão dos vizinhos

Nem as promessas comerciais da indústria do tabaco devem ser aceitas sem questionamento nem a proibição pode ser considerada eficaz apenas por existir

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A abertura dos mercados da Argentina e do Paraguai a alternativas ao cigarro convencional impõe ao Brasil um desafio que já não pode ser tratado apenas sob a ótica da proibição. Como mostramos nesta edição, os países vizinhos passaram a permitir produtos como cigarros eletrônicos, dispositivos de tabaco aquecido e bolsas de nicotina. Embora alguns contenham nicotina, essas alternativas buscam eliminar ou reduzir a combustão, responsável pela produção de diversas substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro tradicional.

A decisão dos vizinhos representa um xeque-mate para a política brasileira? Talvez ainda não, mas torna mais difícil sustentar uma estratégia que convive com a oferta clandestina e a ausência de um mercado legal regulado. Se mantiver as restrições, o Brasil corre o risco de ampliar o espaço para o contrabando e a comercialização de produtos sem controle adequado de procedência, composição e qualidade, afinal, a proibição não impede que mercadorias atravessem as fronteiras.

Quando existe demanda por produtos proibidos, o comércio ilegal encontra meios de atender os consumidores. Isso não significa que a liberação acabará com o contrabando, mas evidencia que proibir não elimina o consumo nem garante, por si só, a proteção da população.

A regulamentação precisa, portanto, entrar no debate sem preconceitos ou conclusões antecipadas. Os defensores dessas alternativas argumentam que a ausência de combustão pode reduzir a exposição a determinadas substâncias tóxicas. A indústria, naturalmente, tem interesse comercial na expansão desse mercado e suas alegações precisam ser avaliadas com rigor científico e independência.

Também é necessário reconhecer que esses produtos não são inofensivos. A nicotina causa dependência, e os riscos variam conforme a tecnologia, a composição e a forma de consumo. Reduzir a exposição a algumas substâncias não significa comprovar segurança, tampouco justifica recomendar esses produtos a quem não fuma. Proteger crianças, adolescentes e não fumantes deve continuar sendo prioridade.

Ainda assim, tratar todas as formas de consumo de nicotina como se fossem idênticas não contribui para uma política pública eficiente. Uma eventual regulamentação poderia estabelecer padrões de fabricação, rastreabilidade, tributação, restrições à publicidade, controle de acesso e fiscalização. Poderia também gerar arrecadação e oferecer instrumentos para combater o comércio clandestino.

O Brasil precisa superar os vieses que contaminam essa discussão. Nem as promessas comerciais da indústria devem ser aceitas sem questionamento nem a proibição pode ser considerada eficaz apenas por existir. As decisões precisam se apoiar em evidências científicas independentes.

A pergunta que se impõe é objetiva: vale a pena proibir produtos cuja procura persiste e cuja oferta já encontra espaço nos países vizinhos? A resposta exige avaliar riscos, custos e benefícios, sem confundir regulamentação com incentivo ao consumo. O compromisso do poder público deve ser com a saúde da população, e isso exige políticas capazes de enfrentar a realidade, em vez de simplesmente ignorá-la.

ARTIGOS

Reforma tributária imporá a Mato Grosso do Sul uma nova estratégia de desenvolvimento

Uma transformação será necessária caso o Estado queira manter a exitosa trajetória de crescimento econômico das últimas décadas

10/10/2026 07h25

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Durante décadas, Mato Grosso do Sul, assim como outros estados brasileiros, utilizou os incentivos fiscais como instrumento central para a atração de investimentos. Reduzir tributos se tornou o caminho mais acelerado para atrair indústrias, centros de distribuição e novos empreendimentos.

Esse modelo ajudou a impulsionar setores importantes da economia sul-mato-grossense, gerando empregos, interiorizando oportunidades e, ainda que de forma aparentemente contraditória, ampliando, por vezes, a arrecadação. No entanto, esse arranjo está com os dias contados.

Uma transformação profunda na estratégia de atração de investimentos será necessária caso o Estado queira manter a exitosa trajetória de crescimento econômico das últimas décadas.

Com a reforma tributária em curso, a lógica da competição entre os estados será alterada.

A transição para um sistema baseado na tributação no destino, e não na origem, bem como, a vedação de novos incentivos e benefícios fiscais, reduz significativamente o espaço para concessões fiscais como ferramenta central de desenvolvimento regional.

Isto é, MS, assim como outros estados que souberam utilizar bem esse instrumento, precisará reinventar sua estratégia de crescimento. É importante ressaltar que isso não significa uma perda inevitável, mas sim uma transição de modelo.

Nesse contexto, o novo cenário exige que MS substitua vantagens “artificiais” por vantagens estruturais. Em vez de competir oferecendo menos impostos, precisará competir oferecendo mais eficiência, um ambiente de negócios sólido, capital humano qualificado, logística moderna e capacidade de inovação.

Essa mudança, se bem conduzida, pode inclusive fortalecer o estado a longo prazo.

Mato Grosso do Sul possui ativos valiosos, localização estratégica no centro da América do Sul, forte base agroindustrial, fronteira internacional, potencial energético, segurança relativa e vocação para integrar cadeias produtivas do agronegócio, da indústria e da bioeconomia.

O desafio, agora, será transformar essas qualidades em políticas consistentes e continuadas.

Portanto, a Reforma Tributária não precisa ser encarada como um freio ao desenvolvimento do Estado, mas como o catalisador de um novo ciclo de desafios.

Talvez, a chave para o sucesso dessa transição dependerá da capacidade do setor público e privado de atuarem em sintonia, convertendo planejamento estratégico e fomento a inovação em entregas concretas.

A construção e fortalecimento desse ambiente moderno inovativo garantirá não apenas a atração de novos investimentos, mas um crescimento robusto e sustentável para as próximas gerações.

EDITORIAL

MS: 49 anos e um futuro promissor

Estado completa 49 anos com perspectivas positivas e o desafio de transformar crescimento econômico em desenvolvimento humano

10/10/2026 07h20

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Mato Grosso do Sul completa 49 anos de criação com motivos para olhar para o futuro com otimismo. Desde a virada do milênio, o Estado passou por transformações profundas, que ganharam força na última década, especialmente com o avanço da industrialização e a diversificação de sua economia.

O aniversário é uma oportunidade não apenas de reconhecer o caminho percorrido, mas também de refletir sobre os desafios e as oportunidades que se apresentam para os próximos anos.

A transformação econômica é inegável. Os indicadores macroeconômicos traduzem o crescimento da produção, a atração de investimentos e a ampliação da atividade industrial. Mas o desenvolvimento não se resume a números, gráficos e estatísticas.

Ele também pode ser percebido na realidade das cidades, nas mudanças da paisagem urbana, na expansão de atividades produtivas e nas oportunidades que surgem em diferentes regiões sul-mato-grossenses.

O Estado que chega aos 49 anos é muito diferente daquele que atravessou as últimas décadas do século passado. A força do agronegócio continua sendo um dos pilares de sua economia, mas a industrialização passou a ocupar espaço cada vez maior.

Os investimentos em cadeias produtivas, especialmente na celulose, ampliam a perspectiva de crescimento e ajudam a consolidar Mato Grosso do Sul como destino de grandes empreendimentos.

O mais importante, contudo, é que as perspectivas para os próximos anos permanecem positivas. Há bilhões de reais em investimentos contratados, com potencial para movimentar a economia, gerar empregos, ampliar a arrecadação e estimular novos negócios.

Esse cenário oferece uma base concreta para o planejamento do futuro, mas também exige responsabilidade e capacidade de transformar crescimento econômico em benefícios duradouros para a população.

É justamente nesse ponto que Mato Grosso do Sul precisa avançar. Se o desenvolvimento econômico já está em curso, o próximo passo deve ser fortalecer o desenvolvimento humano.

Isso significa ampliar a qualidade da educação, qualificar trabalhadores, melhorar os serviços de saúde, investir em ciência e tecnologia e criar condições para que a população participe das oportunidades abertas pela expansão produtiva.

O crescimento, afinal, não pode ser medido apenas pelo volume de recursos investidos ou pelo tamanho das empresas que se instalam no Estado.

É necessário observar em que medida essa riqueza contribui para melhorar a vida das pessoas, reduzir desigualdades e ampliar as possibilidades de realização profissional e pessoal. Quanto mais preparado estiver o capital humano, maior será a capacidade de Mato Grosso do Sul de sustentar o seu desenvolvimento.

A tarefa não cabe exclusivamente ao poder público ou à iniciativa privada. Depende também do empenho de cada sul-mato-grossense, seja no trabalho, nos estudos, na pesquisa ou na produção de conhecimento.

Aos 49 anos, Mato Grosso do Sul tem uma trajetória de conquistas a reconhecer e oportunidades a aproveitar.

O otimismo se justifica pelas perspectivas que se abrem, mas precisa caminhar unido ao compromisso de construir uma sociedade mais desenvolvida e preparada.

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