Artigos e Opinião

Editorial

Quando investir vira desenvolvimento

Quando uma economia investe em máquinas, tecnologia e qualificação de seus processos produtivos, o aumento de produtividade se torna mais provável

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Nem todo desembolso feito por empresas e indústrias pode ser tratado simplesmente como gasto. Em muitos casos, trata-se de investimento, e investimento é aquilo que prepara o presente para gerar resultados no futuro.

Essa distinção é essencial para compreender determinados movimentos da economia, sobretudo em regiões que vivem ciclos de expansão industrial e modernização produtiva.

Nesta semana, mostramos que as compras de maquinário feitas pela empresa chilena Arauco para sua unidade em construção em Inocência atingiram um patamar expressivo.

O volume financeiro dessas aquisições foi tão elevado que, em determinado momento, superou as importações de gás natural da Bolívia, tradicionalmente um dos principais itens da pauta de compras externas de Mato Grosso do Sul. Trata-se de um dado simbólico e revelador da dimensão dos investimentos em curso.

É claro que esse cenário pode ser momentâneo. Muito provavelmente, ao longo deste mês, as importações de gás natural voltarão a ocupar a primeira posição na balança comercial estadual.

O consumo energético da indústria e da economia regional tende a manter essa commodity como item relevante nas estatísticas do comércio exterior.

Ainda assim, o fato de equipamentos industriais terem momentaneamente ultrapassado o gás natural revela algo importante sobre o momento econômico vivido pelo Estado.

Quando uma empresa importa máquinas e equipamentos, ela não está apenas realizando uma compra. Está modernizando sua estrutura produtiva, ampliando sua capacidade industrial e incorporando tecnologia.

Em outras palavras, está elevando o patamar de produtividade da economia. Investimentos desse tipo agregam valor ao Produto Interno Bruto (PIB) e criam condições para que a atividade econômica se torne mais eficiente e competitiva.

A unidade que a Arauco está construindo em Inocência, aliás, promete ser a maior planta processadora de celulose em linha única do mundo, o que exige uma estrutura industrial altamente sofisticada.

Equipamentos modernos não apenas ampliam a escala de produção, como também tornam os processos mais precisos, mais eficientes e, muitas vezes, menos dependentes de tarefas repetitivas e braçais.

Esse é um dos caminhos clássicos do desenvolvimento econômico. Quando uma economia investe em máquinas, tecnologia e qualificação de seus processos produtivos, o aumento de produtividade se torna mais provável.

E produtividade maior significa produzir mais e melhor com os mesmos recursos – ou até com menos. É assim que sociedades conseguem elevar renda, gerar empregos mais qualificados e reduzir a dependência de atividades de baixo valor agregado.

Por isso, é importante olhar para números como esses com a perspectiva correta. O que aparece nas estatísticas como importação de equipamentos industriais não deve ser visto apenas como saída de recursos, mas como sinal de confiança no futuro da produção.

Neste caso específico, o movimento também mostra a capacidade de Mato Grosso do Sul de atrair investimentos industriais de grande escala.

A presença de projetos dessa magnitude transforma cadeias produtivas, movimenta fornecedores, cria oportunidades e amplia o peso da indústria na economia regional.

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ARTIGOS

A "caneta da vez" deve ser a consciência

Dia Mundial da Obesidade, no dia 4, traz um alerta importante de que estamos diante de um problema crescente de saúde pública

14/03/2026 07h45

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A recente passagem do Dia Mundial da Obesidade, no dia 4, traz um alerta importante: estamos diante de um problema crescente de saúde pública. Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, e mais de 50% apresentam excesso de peso.

Não se trata de uma questão estética, mas de uma doença crônica, complexa e multifatorial, associada a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.

Nesse cenário, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam destaque. Medicamentos como os análogos de GLP-1 e a tirzepatida atuam no controle do apetite, aumentam a saciedade e melhoram a resposta metabólica à glicose. São ferramentas modernas e eficazes, mas não são mágicas e nem indicadas para todos.

Essas medicações têm critérios claros de indicação: geralmente para pessoas com IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² associadas a comorbidades, sempre com avaliação médica. Usá-las apenas por motivação estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro.

Náuseas, vômitos, desidratação e alterações metabólicas são efeitos possíveis. Mais grave ainda é o risco de medicamentos falsificados.

Produtos sem controle de qualidade podem conter doses incorretas, contaminantes ou substâncias desconhecidas, levando a reações alérgicas severas, infecções, hipoglicemia, coma e até risco de morte.

É fundamental reforçar: todo procedimento ou medicamento para perda de peso aumenta a chance de emagrecimento, mas nenhum garante a manutenção do peso a longo prazo. Nem mesmo a cirurgia bariátrica impede o reganho se não houver mudança consistente no estilo de vida.

O tratamento da obesidade se sustenta em um tripé: atividade física regular (no mínimo de 150 minutos por semana), acompanhamento nutricional individualizado e seguimento médico contínuo, com ou sem medicamentos ou cirurgia.

Há ainda um pilar muitas vezes negligenciado: a saúde mental. Comer envolve emoções, rotina, estresse e relações. Sem cuidar da mente, qualquer intervenção tende a ser temporária.

No meu livro “Mente e Movimento”, abordo justamente essa conexão entre corpo, exaustão emocional e escolhas diárias.

A obesidade não é falta de força de vontade. É um reflexo de múltiplos fatores biológicos, sociais e psicológicos. Informação de qualidade, acompanhamento responsável e mudança de mentalidade são caminhos mais seguros do que soluções rápidas.

ARTIGOS

E o Oscar vai para?

Premiação campeã em cometer injustiças, seja com atores, diretores ou com filmes em geral

14/03/2026 07h30

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Enquanto Jorge Luís Borges, sempre imaginou que o paraíso fosse como uma espécie de biblioteca; para mim, desde tenra idade, imaginei que o Cinema também deveria ter cadeira cativa neste tão sonhado paraíso do poeta Argentino.

Sempre fui admirador confesso (e quase incondicional) da Sétima Arte, a ponto de nunca ter conseguido esconder (embora tenha tentado), que um dia contribuiria para um dos maiores espetáculos da Terra, nem que fosse atrás das câmeras.

Pretensões audazes ou quimeras à parte, ainda sou um entusiasta e cinéfilo de carteirinha e tal, mas com direito “a dar uma queixazinha”, tanto quanto Raul, quando questionou na clássica “Eu também vou reclamar”, por que “ Pra se fazer sucesso/Pra vender disco de protesto/Todo mundo tem que reclamar?”

É que dos anos 1980 para cá, mudou muita coisa, em matéria de Cinema, principalmente em relação a mais “badalada” das premiações, que não é a única no Mundo, mas continua sendo superestimada.

Entretanto, uma conclusão é fatal: chegando a 98ª edição, o Oscar é uma premiação campeã em cometer injustiças, seja com atores, diretores ou com filmes em geral.

Quem nunca questionou no dia seguinte à premiação, porque determinada indicação dada não foi contemplada com a cobiçada estatueta, que levante o braço.

Esse sentimento é “na real” (prosaicamente falando), um dos que mais contribuiu para retirar do evento aquele antigo sabor que ele tinha, de criar expectativas esfuziantes, em torno do favorito de cada um.

Claro que nem todas as produções podem concorrer e, mais óbvio ainda, é que nem todas as indicações poderão ser contempladas com o prêmio principal em cada categoria, mas já houve tanta indicação ou premiação absurdamente injusta, que a cerimônia acaba servindo, presentemente, apenas para se matar a saudade de alguns grandes nomes que por lá aparecem.

Para este ano, apesar da criação de categoria nova, não temos assim uma “superprodução” no páreo, capaz de suscitar a possibilidade de “humilhar” outras, no número de premiações, como por exemplo, um “Ben Hur”, de 1959; ou até mesmo um “Titanic”, de 1997.

Esses “filmaços” se destacaram não só pelas indicações, mas pelo custo e artesanato da produção, que hoje acaba sendo “ofuscada pelos recursos tecnológicos, em que o talento e outros elementos antes essenciais, ficam relegados a um segundo (ou último) plano.

Ainda assim, “para não dizer que não falei das flores” (feito Vandré), temos produções, digamos assim, razoáveis no mercado (em que se tornou o Cinema).

Se fosse por predileção, escolheria o trabalho norueguês “Valor sentimental”, em que Joachim Trier captura muito bem o drama vivido por um diretor de cinema e suas filhas Nora e Agnes, com todas as nuanças dos conflitos humanos.

Não deixaria de fora, também, os oníricos efeitos que “Sonhos de Trem” nos deixa, ao percorrer trilhas e trilhos imagéticos, que levam as digitais do competente brasileiro, Adolpho Veloso.

Entretanto, como minha predileção certamente não impera em detrimento da escolha dos jurados, deixo aqui, ao menos, a torcida para que trabalhos como esses não fiquem totalmente de fora da premiação, já que os tão falados “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra” tendem a confirmar as especulações de premiações.

O Oscar não está para o Cinema na essência, como um título de campeão está para um clube de futebol, pois a finalidade de se fazer filme não deve ser a de obter premiação, mas a de criar um trabalho artístico.

Tampouco deve o Cinema servir como espaço para militância político-ideológica, pois isso retira a beleza artística.

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