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Sônia Puxian:
Separação - Dois é melhor do que um

Sônia Puxian é jornalista

Redação

04/09/2016 - 01h00
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Pois é! O tema separação é muito abrangente e tem um tom de difícil colocação, uma vez que são vários motivos que ocasionam uma separação, nem sempre compreensíveis. Estar ao lado de uma pessoa para sempre, requer dedicação, amor, respeito e por vezes muita abnegação, ou seja, é preciso abrir mão de alguma coisa para não se criar problema, mas será que o casal está disposto a agir dessa maneira?

Abrir mão de algo nem sempre é a solução, porque o desgaste da relação por si só já é motivo de sobra para que o casal repense na situação em que vive. Amar é entregar-se de corpo e alma, mas muitas vezes só o corpo está na jogada, e outras vezes só a alma. Ah, e em outras só o dinheiro. Ops!

Correto é a sintonia afinada do casal em várias etapas da caminhada e em vários passos da longa jornada. Casamento não é só uns meses, alguns anos, ou uma curta experiência para ver se os dois vão dar certo.

Matrimônio é algo sério que vai colocar na convivência diária duas pessoas que se amam, mas será que se conhecem bem?

Entrar na relação é fácil, mas sair é que são elas. Sair da relação envolve tantos obstáculos e dificuldades que os jovens estão atentos a esses detalhes e preferem namorar...  Namorar por quanto tempo? Ninguém sabe ao certo. Será que o tempo é o anfitrião certo e o mestre de cerimônias ideal da relação, afinal namorar muito tempo também não é garantia de se conhecer bem a outra pessoa.  

É certo que nem sempre é fácil abrir mão de desejos, de pontos de vista e modo de agir para agradar o outro. E também é pouco provável que isso sustente uma relação, porque em determinado momento o lado perdedor vai se cansar de tanta renúncia.

Em tudo há que se ter equilíbrio. Notícia recente veiculada pelas redes sociais abalou a sociedade e os internautas: “a separação de Fátima Bernardes e William Bonner”, um casal admirado e querido, tido pela maioria como exemplo de casal perfeito e matrimônio duradouro.

Muito embora não exista relação impecável e união segura e duradoura, existem casais que são exemplo de relação ideal, como a de Fátima e Bonner, uma vez que estavam casados há 26 anos.     

Realmente foi um choque e uma surpresa que pegou a todos desprevenidos, uma vez que não havia suspeita de que algo pudesse romper essa relação bonita, considerada como modelo pelos jovens.

Os motivos de cada um são assunto de cada um e é impossível analisar ou julgar as causas, quando o assunto é separação. Cada qual deve saber o que levou o outro a tomar tal decisão. Dificilmente a relação termina só para um, geralmente os dois lados têm seus motivos.

É claro que ninguém se casa para separar, mas chega um determinado ponto do convívio em que a situação fica insustentável o que força um dos dois a sair de casa, aí o assunto fica sério.

Muitos já experimentaram o gostinho amargo de uma separação, seja no namoro, noivado, casamento ou até mesmo numa sociedade entre amigos. A palavra separação em si já gera um mal-estar e tristeza, afinal foram anos de convivência e entrosamento que de repente escoam como água pelas mãos.

Uma palavra que também se enquadra nessa situação em que ocorre a separação e´ ”superação”. Se a questão já está consolidada e o casal entendeu que o melhor a fazer é se separar, o correto a partir de então é seguir adiante, mudar o roteiro e utilizar-se da palavra “superação” para recomeçar e arrumar os erros do passado.

O que não deu certo no passado agora pode servir de alerta para detectar os mesmos erros na nova relação e emitir um sinal vermelho para brecar e corrigir a falha. O que outrora saiu errado agora vai servir de alerta para não se repetir. Digamos que seria uma espécie de vestibular onde as questões foram bem estudadas e a resposta é fácil de ser encontrada devido ao estudo dedicado às matérias da prova. Dica: “Estude mais! ”.

Por hoje é só, ótimos dias a todos, muitas alegrias e bom relacionamento a dois, afinal dois é melhor do que um, hehehe...

EDITORIAL

Água tratada leva dignidade às aldeias

Pela dimensão do impacto social, este certamente figura entre os maiores e mais relevantes investimentos em infraestrutura já realizados em Mato Grosso do Sul

03/04/2026 08h15

Arquivo

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O investimento superior a R$ 50 milhões para levar água tratada às aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, representa um passo civilizatório que merece ser reconhecido. Trata-se de uma iniciativa que vai além da infraestrutura básica: é uma ação que dialoga diretamente com a dignidade humana, com a saúde pública e com o respeito a uma população que, por décadas, viveu à margem de serviços essenciais. A decisão de implantar um sistema estruturado de abastecimento atende a uma demanda histórica e corrige uma lacuna que não deveria ter persistido por tanto tempo.

A direção da Sanesul e os parlamentares federais que destinaram recursos de emendas para viabilizar a obra estão de parabéns. A articulação institucional demonstrou que, quando há vontade política e coordenação entre diferentes esferas, é possível avançar em soluções concretas. Mais do que anunciar programas ou intenções, a aplicação efetiva dos recursos públicos em obras estruturantes é o que transforma realidades. E, nesse caso, o impacto será direto na vida de milhares de pessoas.

As aldeias Bororó e Jaguapiru, formadas majoritariamente por indígenas das etnias guarani-kaiowá, existem há mais de 40 anos. Quando foram criadas, situavam-se em área rural, distante da expansão urbana. Com o crescimento de Dourados, porém, essas comunidades foram praticamente engolidas pela cidade, tornando-se parte de seu entorno urbano. Ainda assim, permaneceram sem acesso a um serviço básico como a água tratada, um contraste que evidencia desigualdades históricas e a necessidade de políticas públicas mais inclusivas.

É difícil compreender que um espaço onde vivem mais de 14 mil pessoas – população superior à de muitos municípios de Mato Grosso do Sul – tenha permanecido por tanto tempo sem abastecimento adequado. A ausência de água tratada impacta diretamente a saúde, a alimentação e as condições mínimas de higiene. Ao longo dessas décadas, os moradores enfrentaram períodos de fome, dificuldades estruturais e, mais recentemente, lidam com um surto de febre chikungunya, que expõe ainda mais a vulnerabilidade sanitária da região.

Nesse contexto, o investimento não deve ser visto apenas como uma obra de saneamento, mas como uma medida preventiva de saúde pública. O acesso à água tratada reduz a incidência de doenças, melhora a qualidade de vida e cria condições para o desenvolvimento social. Trata-se de uma intervenção que dialoga com o presente, mas também com o futuro dessas comunidades, que passam a ter melhores condições para superar desafios históricos.

Pela dimensão do impacto social, este certamente figura entre os maiores e mais relevantes investimentos em infraestrutura já realizados em Mato Grosso do Sul. Não apenas pelo volume de recursos, mas pelo alcance humano e simbólico da iniciativa. Garantir água tratada a milhares de indígenas é promover dignidade, reduzir desigualdades e reconhecer que todos os sul-mato-grossenses têm direito aos mesmos serviços básicos.

Que essa obra seja concluída com celeridade e que sirva de exemplo. Investimentos desse porte demonstram que políticas públicas bem direcionadas podem, de fato, transformar realidades e corrigir injustiças históricas. 

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O custo invisível da IA

Em outras palavras, o retorno da IA não se mede apenas no corte de despesas, mas na vantagem competitiva construída com seu uso

02/04/2026 07h45

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Entre ganhos e perdas, o uso de inteligência artificial (IA) pelas empresas tem sido muito discutido a partir do viés financeiro. Alguns levantamentos reforçam um cenário multifacetado, como a pesquisa global da KPMG, que mostra que 57% dos líderes afirmam que o retorno sobre investimento com IA supera as expectativas, enquanto um estudo do MIT indica que 95% das implementações de IA generativa nas companhias ainda não revelam impacto mensurável no lucro e prejuízo.

Números como esses ressaltam que, mesmo com muitas organizações percebendo valor na adoção da tecnologia, a captura plena de benefícios financeiros ainda não está acontecendo.

Se por um lado a IA reduz gastos ao automatizar tarefas repetitivas, otimizar processos e aumentar a eficiência operacional, por outro também gera custos relevantes com infraestrutura tecnológica, processamento em nuvem, governança de dados, adequação regulatória e capacitação contínua das equipes.

A mensuração da sua eficácia, portanto, não pode ser feita levando em consideração as economias imediatas, sendo necessário analisar o valor estratégico gerado ao longo do tempo, seja na melhoria da qualidade das decisões, aceleração de ciclos de inovação, redução de riscos operacionais ou capacidade de escalar o negócio com maior previsibilidade.

Em outras palavras, o retorno da IA não se mede apenas no corte de despesas, mas na vantagem competitiva construída com seu uso. Por isso, os debates deveriam focar no quanto se transforma a partir dela – além de, é claro, seus custos invisíveis.

O primeiro deles ocorre antes mesmo do modelo entrar em produção, ao preparar, integrar e qualificar dados, tarefas que exigem das organizações um compromisso estratégico com governança de dados e maturidade analítica desde o início e não apenas quando surgem resultados tangíveis.

Outro impacto pouco comentado é o custo operacional contínuo dos sistemas de IA. Ao contrário de aplicações tradicionais, os modelos de IA exigem monitoramento constante, retraining para lidar com deriva de dados, ferramentas de observabilidade e atualizações de segurança.

Todas essas despesas podem corresponder a uma boa parcela do custo inicial anualmente, transformando a IA de um ativo estático em um sistema vivo que precisa de atenção contínua.

Há também gastos que surgem indiretamente, como a complexidade de governança e compliance. A ausência dessas estruturas pode comprometer confiança, exposição ao risco regulatório e até valuation corporativo, o que, paradoxalmente, pode custar mais caro do que a tecnologia em si.

Portanto, é preciso entender que governança de IA não é um “extra”, mas sim parte integrante da sustentabilidade tecnológica de longo prazo.

Ainda assim, não devemos focar apenas nos custos e ignorar as oportunidades trazidas pela tecnologia: quando bem planejada e integrada à estratégia corporativa, ela tem potencial para desbloquear valor exponencial.

Um relatório da Deloitte estima que a IA pode evitar cerca de US$ 70 bilhões em perdas anuais com desastres naturais até 2050, ao aumentar a resiliência das infraestruturas críticas.

Acredito que o verdadeiro desafio hoje é saber escolher quando vale a pena usar a inteligência artificial para ganhar vantagem competitiva. Para isso, as empresas precisam priorizar iniciativas que resolvam problemas centrais dos negócios, em vez de se deixar levar por todo novo “hype tecnológico”.

A discussão sobre o custo invisível nos leva, portanto, a uma conclusão prática: não existe IA barata, mas existe IA valiosa, e quem compreender e internalizar essa visão poderá verdadeiramente aproveitá-la de forma positiva e sustentável.

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