Artigos e Opinião

ARTIGO

"Treinamento físico: mais prós do que contras"

Octavio Luis Franco - Cordenador do S-Inova e professor em Biotecnologia

Redação

06/05/2015 - 00h00
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Definitivamente o mundo mudou para os seres humanos no último século. Há apenas 100 anos atrás não existiam aviões comerciais e a quantidade de carros era infinitamente menor ao que são encontrados nas ruas hoje em dia. Desta forma o transporte populacional era restrito a animais ou a nossas próprias pernas, fazendo com que tivéssemos uma vida mais ativa e menos sedentária. 

Nos dias de hoje, a maioria das pessoas restringe sua prática esportiva em academias e clubes.

Com o celular ao alcance das mãos, o carro na garagem e a tecnologia a nosso favor, o gasto energético se limitou enormemente e o exercício físico dos menos sedentários se restringe há apenas uma hora diária. Entretanto esta quantidade de atividade física despendida ainda é limitada uma vez que o exercício não está mais completamente integrado à vida cotidiana da maioria das pessoas. Esta mudança tem ocasionado também a geração de problemas como obesidade, hipertensão ou síndromes metabólicas que podem congregar múltiplos problemas. 

Mas, seria o exercício tão essencial? A resposta imediata é sim. Entretanto, como colocado por qualquer educador físico, o exercício pode ser maravilhoso, mas na medida correta. O exercício físico quando bem trabalhado individualmente ou coletivamente, levando em conta a limitação de cada pessoa, traz inúmeros benefícios como maior tônus muscular, redução dos níveis de colesterol e glicemia e também um maior controle sobre a pressão arterial. 

Embora apenas uma hora de caminhada por dia não seja muito, esta atividade ainda faz uma enorme diferença a um corpo acostumado a ser desafiado dia a dia nos últimos milhares de anos.

Entretanto, novos estudos têm demonstrado que estes são apenas alguns dos poucos efeitos benéficos do exercício. Sabe-se ainda que o treinamento físico pode estimular a multiplicação de neurônios limitadamente e também auxiliar em suas conexões, facilitando o melhor estudo e aprendizagem. O exercício também modula a resposta imune, ampliando o sistema de defesa do organismo a múltiplas infecções. Além disso um trabalho pioneiro de um grupo brasileiro utilizando modelos animais mostrou que o treinamento físico pode alterar a composição de microrganismos intestinais também conhecida por microbiota. Sabe-se que que a microbiota pode estar diretamente envolvida em inúmeras doenças como a obesidade. Assim o exercício, ao modular a microbiota, não só auxilia no emagrecimento por gastar energia, mas também por reduzir as bactérias que auxiliam na absorção de gorduras. Entretanto, vale ressaltar que nem todo exercício é benéfico. Aos atletas de fim de semana, saibam que sair correndo em alta velocidade após muitos dias deitado no sofá pode trazer problemas mais sérios como distensões musculares e arritmias cardíacas, por exemplo.

Além disso também podemos considerar que os atletas de ponta que desenvolvem treinamento em altíssima intensidade como maratonistas ou tri-atletas, também podem apresentar problemas severos como hipertrofia cardíaca e em alguns casos arterioscleroses. 

Devemos lembrar que como toda máquina sempre é necessária uma boa manutenção. Quando um motor é extremamente forçado ou nunca utilizado, a máquina, nesse caso o corpo humano, para de funcionar corretamente apresentando defeitos que podem ser facilmente consertáveis ou não. Assim, devemos manter a máxima de que tudo deve ser melhor quando feito na medida correta e o corpo humano agradecerá por um exercício bem feito. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

EDITORIAL

O minério e uma nova fronteira industrial

Agora, o desafio é dar um passo além. O aumento da produção de matérias-primas é um avanço importante, mas ainda insuficiente, é preciso mais

02/01/2026 07h15

Arquivo

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O anúncio do aumento expressivo na exploração de minério de ferro em Mato Grosso do Sul é um marco relevante para a economia estadual e merece uma análise mais profunda. Nesta edição, mostramos que a produção deve crescer de forma significativa, o que representa mais do que um simples avanço setorial.

Trata-se de uma oportunidade concreta de geração de riqueza, ampliação de arrecadação e fortalecimento da atividade econômica, especialmente em regiões que historicamente carecem de investimentos estruturantes.

O impacto direto dessa expansão se dá em Corumbá, município em que o minério é extraído. O crescimento da produção tende a impulsionar o produto interno bruto (PIB) local, a ampliar a arrecadação de tributos e a estimular uma cadeia de serviços que envolve transporte, manutenção, comércio e prestação de serviços especializados.

Para o Estado, significa também aumento de receita, maior circulação de capital e fortalecimento de empresas que já atuam ou que podem passar a atuar em Mato Grosso do Sul atraídas por esse novo cenário.

Há ainda um efeito regional importante. Enquanto o leste do Estado vem colhendo, nos últimos anos, os frutos do boom da indústria de celulose, com investimentos bilionários e transformação econômica acelerada, o oeste passa a ganhar protagonismo com a mineração.

sse equilíbrio regional é saudável e necessário, pois reduz desigualdades internas e distribui melhor as oportunidades de desenvolvimento entre diferentes áreas do território sul-mato-grossense.

Entretanto, o avanço da extração de minério de ferro também impõe desafios. A experiência recente com a celulose mostra que se limitar à produção de matéria-prima não é suficiente para garantir desenvolvimento de longo prazo.

O momento é oportuno para discutir um novo ciclo de industrialização no Estado, baseado na agregação de valor aos produtos que daqui são extraídos. Exportar apenas minério bruto ou celulose in natura significa abrir mão de empregos, renda e tecnologia que poderiam permanecer em solo sul-mato-grossense.

No caso do minério de ferro, o aumento da produção deveria caminhar lado a lado com políticas de incentivo à instalação de siderúrgicas e unidades de beneficiamento. O processamento dos subprodutos do minério amplia a cadeia produtiva, gera empregos mais qualificados e aumenta significativamente a arrecadação.

Cada etapa adicional realizada dentro do Estado representa mais robustez econômica e menor dependência de ciclos externos.

O mesmo raciocínio se aplica à celulose, setor já consolidado em Mato Grosso do Sul. A próxima fronteira não deve ser apenas produzir mais, mas produzir melhor e com maior valor agregado: papéis especiais, embalagens, compostos e outros derivados que ampliem o parque industrial e diversifiquem a base econômica estadual.

Mato Grosso do Sul já demonstrou capacidade de atrair grandes investimentos e criar um ambiente favorável aos negócios. O crescimento da mineração no oeste e da celulose no leste confirma isso. Agora, o desafio é dar um passo além.

O aumento da produção de matérias-primas é um avanço importante, mas ainda insuficiente. Há espaço – e necessidade – para fazer mais, transformando esse crescimento em um processo consistente de industrialização e desenvolvimento sustentável para todo o Estado.

ARTIGOS

Free Flow: avanços e desafios

Introduzido no Brasil, o modelo visa promover maior justiça tarifária, melhorar a fluidez do tráfego, reduzir a poluição e aumentar a segurança viária

31/12/2025 07h45

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O sistema de pedágio sem cancela, conhecido como free flow, permite a cobrança de pedágios por meio da identificação automática dos usuários, sem a necessidade de paradas dos veículos. Introduzido no Brasil por meio da Lei nº 14.157/2021, o modelo visa promover maior justiça tarifária, melhorar a fluidez do tráfego, reduzir a poluição e aumentar a segurança viária.

Em 2023, a Resolução Contran nº 984/2022 passou a regulamentar a operação do referido sistema de cobrança, dispondo, principalmente, sobre a tecnologia de identificação de veículos Optical Character Recognition (OCR), a necessidade de adaptação da sinalização viária e os meios e prazos para pagamento da tarifa de pedágio pelo usuário.

Além da normatização do tema, a ANTT iniciou o projeto de ambiente experimental regulatório (Sandbox Regulatório) para implantação experimental de pórticos do free flow na BR101/RJ, objeto da concessão da BR-116/101/SP/RJ.

Desde o início da operação do Sandbox Regulatório, em março de 2023, a ANTT tem monitorado os resultados da crescente adaptação da sociedade e dos gestores públicos com o novo modelo de cobrança, tais como: taxa de identificação dos veículos superior a 99%, queda na evasão do pedágio e redução do tempo médio para pagamento das tarifas pelos usuários.

A ANTT passou também a regulamentar o tema por meio da terceira norma do Regulamento das Concessões Rodoviárias (Resolução nº 6.032/2023 – RCR 3), possibilitando a adesão do free flow por outras concessionárias, fora do ambiente experimental regulatório.

Além disso, a maturação do projeto de Sandbox Regulatório na BR101/RJ contribuiu para a evolução operacional do free flow e, consequentemente, para a melhor normatização do tema.

Em outubro de 2024, foi publicada a Resolução Contran nº 1.013/2024, que melhor detalha os equipamentos a serem implementados para a identificação de veículos e registros das transações e amplia os meios e prazos de pagamento da tarifa pelos usuários.

A ANTT também tem desenvolvido um regulamento específico para o sistema free flow que, se aprovado, revogará as disposições do RCR 3.

A minuta da nova resolução foi objeto da Audiência Pública ANTT nº 10/2024 e dispõe, em síntese, sobre: sistemas a serem implementados pela concessionária; tratamento dos registros das transações; parâmetros operacionais a serem atendidos pela concessionária; meios de cobrança da tarifa; formas e prazos de pagamento; descontos tarifários; atendimento aos usuários; distribuição de riscos; e migração do sistema de cobrança convencional para o sistema de fluxo livre.

Apesar do estágio inicial dos avanços regulatórios e operacionais, o free flow já é uma realidade nas rodovias brasileiras. As recentes concessões rodoviárias modeladas e licitadas pelos estados de São Paulo e Minas Gerais, a exemplo do Lote Noroeste Paulista e Lote 2 – Sul de Minas, respectivamente, já contam com o sistema de pagamento sem cancela.

Há o desafio, no entanto, de o referido sistema se consolidar no Brasil como um free flow “puro”, ou seja, com cobrança proporcional à quilometragem efetivamente percorrida. Hoje, muitos modelos adotam tarifas fixas por um “trecho fechado”, o que limita o potencial de justiça tarifária que se pode alcançar com o modelo de cobrança.

Para atingir plenamente seus objetivos, é fundamental que o País invista na padronização tecnológica e, principalmente, na modelagem econômico-financeira de projetos que reflitam modelos tarifários mais sofisticados e justos aos usuários.

Outro desafio é a criação de incentivos e formas mais eficientes de cobrança e pagamento, considerando que grande parte da frota nacional não aderiu ainda a formas de registro e pagamento eletrônico (tags), o que pode gerar inadimplência e impactos ao equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão.

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