Artigos e Opinião

Editorial

Uma janela para o mundo

Quanto maior o intercâmbio cultural, mais uma sociedade cresce. Cidades que se abrem ao mundo tendem a aprender e a inovar, além de se desenvolver de forma mais dinâmica

Continue lendo...

Campo Grande terá, ainda neste mês, uma oportunidade rara de se projetar para além de suas fronteiras. A capital de Mato Grosso do Sul sediará a COP15, encontro ligado à agenda ambiental das Nações Unidas e que ocorre na esteira da COP30, realizada no ano passado.

Embora seja um evento de menor dimensão que a grande conferência climática global, sua importância está longe de ser pequena.

A realização de um encontro internacional desse porte representa muito mais que uma agenda de debates técnicos, ela coloca a cidade no mapa de milhares de visitantes, pesquisadores, especialistas, representantes de governos e integrantes de organizações de diferentes países.

Pessoas que, durante alguns dias, vão circular pelas ruas, conhecer a cidade e formar suas próprias impressões sobre o que encontram.

Para Campo Grande, trata-se de uma oportunidade valiosa de visibilidade internacional. Muitas vezes, destinos turísticos se tornam conhecidos não apenas por grandes campanhas publicitárias, mas pela experiência direta de quem passa por eles.

Quando um visitante retorna ao seu país com boas lembranças ou compartilha nas redes sociais imagens positivas do local que conheceu, cria-se uma forma de divulgação espontânea extremamente poderosa.

É nesse contexto que setores importantes da economia local podem se beneficiar – e também evoluir. Restaurantes, hotéis, bares, serviços de transporte e atividades turísticas passam a lidar com um público mais diverso e exigente.

Essa convivência costuma impulsionar melhorias, profissionalização e aprimoramento dos serviços oferecidos. Em outras palavras, eventos internacionais funcionam também como estímulo para elevar padrões de atendimento e qualidade.

Se parte dos visitantes que virão à Capital sair daqui com boas impressões e decidir compartilhar essa experiência com amigos, familiares ou seguidores nas redes sociais, o impacto pode ser maior do que parece à primeira vista. No turismo, recomendações pessoais e relatos espontâneos frequentemente valem mais que qualquer campanha institucional.

Há ainda um aspecto que vai além da economia. Encontros internacionais promovem intercâmbio cultural. Pessoas de diferentes países, idiomas e visões de mundo passam a conviver, ainda que por poucos dias.

Esse contato amplia horizontes, estimula a troca de ideias e ajuda a construir sociedades mais abertas e conectadas.

Quanto maior o intercâmbio cultural, mais uma sociedade cresce. Cidades que se abrem ao mundo tendem a aprender mais, inovar mais e se desenvolver de forma mais dinâmica.

O contrário também é verdadeiro: quanto mais uma comunidade se fecha, menores se tornam suas oportunidades de evolução.

Naturalmente, há também os efeitos financeiros imediatos. Eventos desse tipo movimentam a economia local, geram faturamento para diferentes setores e ajudam a dinamizar o comércio e os serviços. Mas reduzir a importância da COP15 apenas ao impacto econômico seria limitar o alcance de uma oportunidade maior.

Para Campo Grande, o evento representa uma verdadeira janela para o mundo. Cabe à cidade aproveitá-la da melhor maneira possível.

Assine o Correio do Estado

Editorial

Doação que virou caso de polícia

Sem analisar o caso, Câmara aprovou a cedência, supostamente ilegal, de área da União a condomínio de luxo e, agora, todo o empreendimento pode ficar parado

30/04/2026 07h15

Continue Lendo...

A prática de aprovar no afogadilho uma infinidade de projetos no fim do ano faz parte da tradição do Legislativo, seja ele municipal, estadual ou federal. É tradicional, também, a inclusão dos chamados “jabutis” em meio a esses projetos.

Pelo menos é esta a justificativa dos legisladores depois que descobrem que aprovaram algo estranho ou que provoca algum tipo de repercussão. Isso porque é mais cômodo dizer que foram enganados do que admitir que segundas intenções estavam em jogo. 

Esta vergonhosa tradição não pode ser jogada somente no colo dos legisladores. Os chefes do Executivo têm parte desta culpa. Mas, levando em consideração que são todos farinha do mesmo saco e que em determinado momento um deles têm mais poder que os demais, o fato é que esta tradição revela que a classe política trata a coisa pública com total desdém.

A liberação que os vereadores de Campo Grande deram no fim de 2024 para que uma incorporadora usasse uma área pública federal para construir o acesso a um condomínio de luxo é somente mais um exemplo de que existe explícita irresponsabilidade na hora de aprovar determinados projetos.

Enquanto eles brincavam de legislar, empresários apostaram milhões de reais em um projeto imobiliário de alto padrão, e esta mesma falta de seriedade fez com que centenas de investidores apostassem parte de suas economias em algo que estava sendo feito com o aval das autoridades municipais.

Ao que tudo indica, nem Executivo nem Legislativo se aprofundaram no assunto e simplesmente cederam em torno de 1,7 quilômetro de ferrovia, o que equivale a cerca de 51 mil metros quadrados, em uma região onde terrenos nos condomínios são vendidos por cerca de 2,5 mil por m².

Por mais que esta área tenha ficado na parte externa do novo condomínio de luxo, a investigação do Ministério Público Federal, que questiona a competência para que a área fosse cedida, tende a provocar um imbróglio legal que pode ser arrastar por anos.

Enquanto isso, o empreendimento corre o risco de ficar paralisado e todo o projeto ter de ser refeito. 

O trecho de trilho invadido e retirado com autorização dos vereadores e da prefeita de Campo Grande faz parte do antigo traçado da ferrovia.

Depois da construção do contorno ferroviário, ativado no fim de 2006, o traçado da ferrovia efetivamente utilizável passou a ficar longe da área urbana de Campo Grande.

Mesmo assim, as terras nas quais estão os antigos trilhos continuam nas mãos da empresa responsável pela concessão, a Rumo, e pertencem ao governo federal, verdadeiro proprietário do imóvel. A Rumo foi à Polícia para exigir a devolução da área. 

Caso a Justiça entenda que aquele trecho de ferrovia tenha de ser reconstruído, como agora deseja a Rumo, uma vez que dá acesso a uma antiga estação ferroviária, os custos serão bancados por quem?

Os vereadores certamente não vão querer colocar a mão no bolso e a incorporadora responsável pelo condomínio, também não. Ou seja, quem terá de pagar a conta será o contribuinte de Campo Grande. 

Assine o Correio do Estado

Artigo

Por que trocar o prazer das telas do celular pelo prazer da leitura

Este apego moderno tem substituído hábitos antigos mais saudáveis, como o da leitura

29/04/2026 07h45

Continue Lendo...

Minha desconfiança com o entretenimento instantâneo começou numa manhã de sexta-feira, a caminho do trabalho. A situação trivial, naquele vagão de metrô, teria sido há muito esquecida, salvo por um detalhe curioso: todas as pessoas sentadas, dentro do meu campo visual, tinham a cabeça inclinada e os olhos pregados em seus respectivos celulares.

Havia, entre elas, rostos curiosos e concentrados; alguns pareciam divertidos e outros, tristes. O único traço comum a todos era o isolamento social.

Vivenciamos, com o advento dos modernos aparelhos celulares, uma era de conforto, comunicação e acesso à informação sem precedentes.

Informação no sentido mais amplo possível: da singela música infantil ao esquema de funcionamento de um artefato bélico nuclear, passando por toda a sorte de conteúdo pensado para capturar a atenção do usuário pelo maior período de tempo possível.

Onipresentes na rede, algoritmos eficientes identificam preferências individuais, realimentando o usuário em um interminável carrossel de novidades afins.

É sabido que o cérebro humano tende a repetir ações que ativem o sistema de recompensa baseado nos chamados “hormônios do prazer”, cuja finalidade é o reforço de comportamentos favoráveis à sobrevivência do indivíduo, como o estresse da caça, a concentração do aprendizado ou o esforço físico produtivo.

Como não há dilemas de sobrevivência envolvidos na interminável rolagem da telinha, temos, nesse caso, o reforço de um hábito que leva o usuário a consumir horas do seu tempo numa atividade absolutamente estéril, tudo pelas endorfinas “baratas” e instantâneas proporcionadas pelo celular.

Este apego moderno tem substituído hábitos antigos mais saudáveis, como o da leitura. Ler exige, contrariamente ao entretenimento instantâneo, investimento de longo prazo.

Adiando a recompensa, comunicamos ao nosso cérebro que coisas boas exigem esforço, investimento e participação. Ler demanda esforço intelectual, disciplina e comprometimento. É treino mental.

Treino que abre portas para a satisfação da tarefa cumprida, do trabalho bem-feito, do aprendizado e da realização pessoal.

Se o usuário compulsivo das telas tende à preguiça e à procrastinação – pois está viciado em recompensas imediatas –, o leitor assíduo treina sua mente para as demandas da vida e para a ação.

E aí, de qual lado você quer ficar?

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).