Cidades

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Associação Comercial fecha as portas para políticos de fora

Associação Comercial fecha as portas para políticos de fora

Redação

16/04/2010 - 21h00
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Fábio Dorta, de Dourados

 

A Associação Comercial e Empresarial de Dourados (Aced) fechou as portas para os políticos de fora do município e abriu crise institucional com a Câmara dos Vereadores. A diretoria da Aced impediu a realização de audiência pública com objetivo de discutir a participação de Dourados nas chapas majoritárias para o Governo do Estado e para o Senado nas eleições deste ano.

Depois de locar o auditório, a diretoria da Aced, na véspera da data do evento (marcado para a noite de ontem) decidiu cancelar o contrato, sob alegação de a audiência pública servir, na verdade, como palanque para candidatos, que não têm domicílio eleitoral em Dourados. Com isso, os organizadores tiveram de transferir a audiência às pressas para o auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Entre os convidados para a reunião estão os deputados federais Dagoberto Nogueira (PDT) e Vander Loubet (PT). O presidente da Aced, Ínio Coalho, justificou a recusa em ceder o auditório por causa da presença de políticos que não são de Dourados.

Coalho afirmou não haver sentido em discutir questões que interessam à coletividade douradense com políticos de fora. "Não temos nada de pessoal contra o Dagoberto ou o Vander, mas não podemos tratar dessa questão trazendo políticos de fora que nunca fizeram nada por Dourados", afirmou.

O presidente da Aced afirma que a entidade faz campanha orientando a população douradense a priorizar a classe política local na hora de votar. Ele disse ainda que a associação é apartidária. "Não podemos permitir que o auditório da associação seja transformado em palanque político", acrescentou.

 

Revolta

A decisão da Aced revoltou o vereador Aurélio Bonatto (PDT), autor do pedido de realização da audiência pública. "A audiência pública, como o próprio nome demonstra, é pública e qualquer pessoa pode participar. Essa posição do presidente da associação é totalmente incoerente", disse o vereador.

Bonatto explicou que foram convidados políticos de todas as correntes. Ele argumentou que o objetivo da audiência pública era exatamente cobrar a participação de Dourados nas chapas majoritárias e que não há como debater essa questão sem envolver as principais lideranças políticas do Estado. "São elas que definem o quadro político. É delas que temos de cobrar o espaço que Dourados precisa ter, a nossa representatividade", acrescentou.

Bonatto declarou ainda que, ao fechar as portas aos políticos que não são de Dourados, a diretoria da Associação Comercial esquece que o próprio auditório onde o evento seria realizado foi construído com recursos viabilizados pelo senador Delcídio do Amaral (PT). O auditório, inclusive, leva o nome do pai do senador, Manoel Gomez.

A postura da Aced pegou de surpresa o deputado federal Vander Loubet. Ele disse que não sabia da mudança do local da audiência pública e rebateu as críticas de Ínio Coalho, de que nunca fez nada pelo município. "Essa carapuça não me serve. O prefeito, os vereadores e a cidade sabem o que nós fizemos por Dourados", afirmou. (colaborou Fernanda Brigatti)

TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO

Trabalhadores de MS são resgatados de situação análoga à escravidão em SP

Força-tarefa encontrou indígenas e outros trabalhadores sul-mato-grossenses vivendo em alojamentos precários e aguardando pagamento há dias; ao todo, 44 pessoas foram resgatadas

13/03/2026 10h30

Os locais apresentavam forte odor, calor intenso, sanitários em condições precárias e número insuficiente de instalações para a quantidade de pessoas alojadas.

Os locais apresentavam forte odor, calor intenso, sanitários em condições precárias e número insuficiente de instalações para a quantidade de pessoas alojadas. Divulgação

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Trabalhadores oriundo de Mato Grosso do Sul estão entre as 44 pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão durante uma operação realizada no interior de São Paulo. A fiscalização ocorreu entre os dias 2 a 6 de março e foi conduzida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com foco na região de Araçatuba. 

A ação teve como alvo o Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e dos Estivadores e Capatazes de Araçatuba, responsável pelo recrutamento e intermediação de mão de obra para atividades de carga e descarga de grãos, como soja e café. 

Durante a operação, equipes encontraram trabalhadores em alojamentos precários nas cidades de Araçatuba, Buritama, Floreal e Votuporanga. Em um dos locais vistoriados, em Floreal, trabalhadores vindos de Mato Grosso do Sul aguardavam havia cerca de 15 dias o início da safra sem receber qualquer remuneração, o que dificultava até mesmo a compra de alimentos. 

Em Votuporanga, quatro trabalhadores indígenas das etnias Terena, Guarani e Caiuá foram encontrados em situação de extrema vulnerabilidade, com salários atrasados e sem alimentação adequada. 

Segundo a força-tarefa, os trabalhadores eram recrutados por intermediários que iam até aldeias indígenas para oferecer vagas de trabalho por meio dos caciques. No entanto, ao chegarem ao destino, as condições eram muito diferentes das prometidas, o que pode configurar, inclusive, indícios de tráfico de pessoas.

Além da falta de pagamento e da incerteza sobre a remuneração, os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas. Em Buritama, por exemplo, foi constatado que operários trabalhavam de segunda-feira a domingo descarregando sacas de grãos, sem folga semanal fixa. 

Alojamentos precários

Ao todo, cinco moradias utilizadas para abrigar os trabalhadores foram fiscalizadas. Em todos os casos, os auditores identificaram graves problemas de higiene e estrutura.

Os locais apresentavam forte odor, calor intenso, sanitários em condições precárias e número insuficiente de instalações para a quantidade de pessoas alojadas.

Além disso, o sindicato realizava descontos de 13% sobre os valores recebidos pelos trabalhadores a título de contribuição assistencial e também repassava os custos com alimentação, o que aumentava o risco de endividamento dos empregados.

Outro episódio que chamou a atenção dos fiscais foi o histórico de um trabalhador que morreu soterrado em uma carreta de soja após dois anos atuando como trabalhador avulso. À época do acidente, o sindicato não possuía seguro de vida para a vítima, que vivia em situação de rua em Araçatuba.

Durante a fiscalização, a secretária-geral da entidade afirmou que havia apólices para os trabalhadores ativos, mas não apresentou documentos que comprovassem a contratação do seguro.

Também foi constatado que o sindicato não possuía instrumentos coletivos de trabalho, sob a justificativa de dificuldades administrativas e de registro junto ao Ministério do Trabalho.

Para a procuradora do trabalho Regina Duarte da Silva, que coordena a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete) na 15ª Região, a situação encontrada demonstra a gravidade das violações.

Segundo ela, submeter trabalhadores a alojamentos degradantes e a jornadas que desconsideram o descanso semanal representa uma afronta direta à dignidade humana, sobretudo quando envolve populações vulneráveis, como indígenas atraídos por promessas de renda.

Acordo e investigação

Diante das irregularidades, o sindicato firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT durante audiência realizada na sede da entidade.

O acordo prevê prazos para pagamento de verbas rescisórias e indenizações individuais aos trabalhadores resgatados, além da obrigação de regularizar imediatamente as condições de trabalho e moradia. O documento também estabelece sanções em caso de descumprimento.

Os auditores fiscais lavraram autos de resgate por trabalho análogo à escravidão e providenciaram a emissão das guias de seguro-desemprego para as vítimas.

O sindicato segue sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho em Araçatuba, que acompanhará o cumprimento das medidas estabelecidas no TAC e a regularização das atividades da entidade.

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MATO GROSSO DO SUL

Com verba federal, Corumbá finalmente deve ganhar maternidade

Investimento será de R$ 76 milhões na cidade que tem um dos maiores índices de mortalidade infantil

13/03/2026 09h00

A nova unidade deve reforçar a rede de saúde da região pantaneira

A nova unidade deve reforçar a rede de saúde da região pantaneira Divulgação

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A construção de uma nova maternidade em Corumbá deu mais um passo para sair do papel. A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) lançou licitação para erguer a unidade hospitalar no município pantaneiro, com investimento estimado em R$ 74,9 milhões.

O aviso de licitação foi publicado no Diário Oficial do Estado, nesta quinta-feira (12) e prevê a construção de uma maternidade de porte II, dentro do programa do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. A disputa será realizada na modalidade concorrência eletrônica, com abertura das propostas marcada para 1º de abril, às 8h30.

Pelo edital, a obra será contratada pelo critério de menor preço e executada em regime de empreitada por preço unitário. A nova unidade deve reforçar a rede de saúde da região pantaneira, atendendo gestantes de Corumbá e de municípios vizinhos, além de moradores da faixa de fronteira com a Bolívia.

O projeto da maternidade integra o pacote de investimentos federais do Novo PAC voltados à expansão da assistência obstétrica no país. Inicialmente prevista para Dourados, a unidade foi redirecionada para Corumbá após análise de indicadores de saúde e necessidade regional de leitos.

A definição levou em conta justamente regiões com maiores índices de mortalidade materna e carência de estrutura hospitalar, segundo o Ministério da Saúde.

Falta de estrutura 

A nova obra surge em meio a um histórico de problemas no atendimento obstétrico em Corumbá, que já motivaram investigações do Ministério Público e protestos de familiares.

Em 2024, a promotoria abriu inquérito para apurar mortes de bebês e gestantes relacionadas a possíveis falhas no atendimento da maternidade da Santa Casa da cidade, incluindo a ausência de UTI neonatal e pediátrica.

Na época, ao menos três recém-nascidos e uma gestante morreram em circunstâncias semelhantes, segundo relatos que motivaram as investigações.

Casos de óbitos também levaram a questionamentos na Câmara Municipal. Em uma das discussões públicas, a direção da Santa Casa reconheceu a necessidade de investimento em UTI neonatal, após o registro de mortes de recém-nascidos no município.

Região tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil

Dados do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna e Infantil mostram que a macrorregião de Corumbá registrou uma das maiores taxas de mortalidade infantil de Mato Grosso do Sul, com 17,1 óbitos para cada mil nascidos vivos em 2023.

O índice ficou acima da média estadual e reforça a necessidade de ampliação da assistência à gestação, parto e cuidados neonatais.

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